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O CAPS infantojuvenil tem como prerrogativa o atendimento de crianças e adolescentes do território adstrito que apresentam prioritariamente intenso sofrimento psíquico decorrente de problemas mentais graves e persistentes, incluindo aqueles relacionados ao uso decorrente de álcool e outras drogas, e outras situações clínicas que impossibilitem estabelecer laços sociais e realizar projetos de vida. Este trabalho apresenta uma experiência exitosa no acompanhamento de adolescentes em atividades grupais. O percurso da construção do grupo inicia no planejamento anual realizado no final de 2023 com um estudo do perfil epidemiológico do território, no qual foi observado um número expressivo de adolescentes que estavam apenas em atendimentos individuais. Após o planejamento, ficou decidido que os grupos seriam espelhados para os dois turnos manhã e tarde, com o planejamento de 1 grupo terapêutico e 1 oficina para o público adolescente nos dois horários. O intuito do estudo do publico atendido no serviço possibilitou acesso a usuários que estavam em atendimento não intensivo.
Este trabalho tem como objetivo mostrar a experiência de um grupo de adolescentes no Caps IJ de Itaquera iniciado a partir de planejamento em saúde.
. O grupo aqui referido foi constituído em um grupo terapêutico com 12 participantes, realizado semanalmente sexta feira às 16:30. O quesito para ingressar no grupo é ter 12 anos ou mais, estudar pela manhã, independente de diagnóstico. O grupo foi nomeado como Open Mind, com a participação dos seguintes profissionais: 1 psicóloga, 1 assistente social,1 oficineira,1 enfermeira e 1 auxiliar de enfermagem. Inicia-se com a percepção no qual cada técnico do serviço analisa o perfil que se beneficiaria na inserção do grupo terapêutico. A cada adolescente inserido é realizada uma roda de apresentação onde, de forma convidativa e acolhedora discorremos em relação ao contrato terapêutico do grupo e a manutenção do ambiente acolhedor, respeitoso, reflexivo, livre de preconceitos e julgamentos. A cada encontro era escolhido um tema diverso como: sexualidade, relações familiares, autocuidado e as temáticas da saúde referente aos meses como: janeiro branco, setembro amarelo e outubro rosa. Com a oferta de atividades direcionadas, sempre abordando temas pertinentes, porém de diversas formas convidativas à reflexão, até mesmo lúdicas do universo adolescente, potencializando as habilidades individuais, tais como: instrumentos musicais, desenho, show de talentos, quizz.
Durante o discorrer de temas em rodas de conversas, atividades manuais como elaboração de cartazes, desenhos e pinturas eram utilizados: assim, podemos observar as dificuldades motoras e sociais e a cooperação dos demais integrantes. No decorrer do processo fomos identificando a necessidade de aumentar os números de vagas e na parada estratégica de julho de 2024 aumentamos para 20 vagas, e modificamos para oficina para assim contemplar o maior número de adolescentes.
Receber e manter esse público é um exercício diário de revisitar as suas práticas, se despir de protocolos de se reinventar, de proporcionar um ambiente acolhedor, educativo, não punitivo, ao qual eles tenham o desejo de permanecer. Este é o desafio diário dos trabalhadores e trabalhadoras da saúde mental.
open, mind, coletivo, adolescentes
VANESSA APARECIDA DE BARRO, FERNANDA DE ANDRADE