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Os Centros de Atenção Psicossocial Infantil (CAPSi) fazem parte da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que visa proporcionar atendimento integral à saúde mental de crianças e adolescentes. Entre as diretrizes da RAPS, destacam-se o respeito aos direitos humanos, autonomia, equidade, cuidado integral e humanização. Tais diretrizes se alinham aos objetivos da Política Nacional de Promoção da Saúde, que inclui como uma das prioridades a Promoção da Alimentação Adequada e Saudável. No contexto do cuidado infantil, a relação entre alimentação saudável e saúde mental é de grande relevância. Estudos apontam que uma alimentação inadequada pode agravar a saúde mental e comportamental, enquanto o consumo adequado de alimentos saudáveis, como frutas e vegetais, está associado ao melhor bem-estar mental das crianças. Por outro lado, a ingestão excessiva de produtos ultraprocessados e fast foods, pode prejudicar o desenvolvimento emocional e cognitivo das crianças. Nesse cenário, os Guias Alimentares Brasileiro são ferramentas essenciais para apoiar as práticas alimentares saudáveis. Mas muitos profissionais de saúde apresentam insegurança no uso desses Guias, o que pode comprometer a qualidade das intervenções nutricionais. Isso evidencia a necessidade de qualificação da equipe de saúde, especialmente no que tange à vigilância alimentar e nutricional, e garantir que as ações de promoção de saúde mental e alimentação adequada sejam eficazes e integradas ao cuidado infantil.
Qualificar a equipe de enfermagem do CAPSi para compreender os conceitos fundamentais das diretrizes alimentares brasileira e aprimorar o conhecimento sobre vigilância alimentar e nutricional, com foco em sua aplicação no contexto do atendimento realizado no CAPSi.
O público-alvo foi a equipe de enfermagem do CAPSi de Santa Bárbara d’Oeste, composta por quatro profissionais, entre enfermeiros e técnicos de enfermagem. A qualificação foi conduzida pela nutricionista da rede de saúde e estruturada em dois encontros presenciais, cada um com duração de quatro horas. No primeiro encontro, foi realizada uma contextualização sobre a importância da vigilância alimentar e nutricional e utilização dos marcadores de consumo alimentar no âmbito do CAPSi. Destacou-se a potencialidade da atenção nutricional à melhoria da saúde e alimentação das crianças e de suas famílias. Nesse mesmo encontro, foi realizado uma dinâmica prática para aplicar os conceitos aprendidos. Na semana seguinte, os princípios e recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira foram apresentados, com ênfase na importância da alimentação saudável para o desenvolvimento infantil. A partir disso, analisaram-se casos práticos relatados pelos participantes, utilizando os conceitos do Guia Alimentar como referência. Para reforçar o aprendizado, realizou-se uma dinâmica focada nos conceitos chaves do Guia Alimentar. Os dois encontros foram finalizados com um momento de esclarecimento de dúvidas e consolidação dos aprendizados por meio de uma conversa interativa. Para verificar a efetividade dessa ação foi aplicada uma escala validada para identificar o conhecimento sobre o conteúdo do Guia Alimentar antes e dois meses após a qualificação.
Todos participantes relataram que durante a graduação tiveram disciplinas relacionadas a alimentação e nutrição, mas apenas um participou de capacitação na área nos últimos dez anos. Os profissionais disseram abordar questões alimentares em suas rotinas e por considerarem o tema relevante, expressaram o desejo de aprofundar seus conhecimentos para melhorar a qualidade das orientações. Após a qualificação, todos os participantes relataram maior segurança nessa ação e metade da equipe já havia incorporado a avaliação do consumo alimentar dos pacientes em sua rotina e realizando os registros dos dados no sistema. Em termos de conhecimento sobre o conteúdo do Guia Alimentar, a equipe mostrou um progresso e maior compreensão dos conceitos discutidos. Entre os conteúdos mais bem assimilados destacam-se os relacionados aos impactos ambientais dos alimentos ultraprocessados, os estigmas associados à exclusão de alimentos in natura fontes de carboidratos ou gorduras para perda de peso, rotulagem de alimentos, substituição de ultraprocessados por alimentos in natura e o impacto negativo da distração por TV e celulares durante as refeições. Também foram consolidadas as fontes confiáveis para basear as orientações sobre alimentação adequada e saudável, reforçando sempre as diretrizes alimentares brasileira.
Essa experiência reforça a relevância de iniciativas que ampliem o conhecimento e a segurança dos profissionais de saúde na abordagem de questões alimentares em suas rotinas, demonstrando que ações como esta têm o potencial de fortalecer o cuidado integral e a vigilância alimentar e nutricional no contexto do CAPSi. Os resultados mostram um avanço significativo na compreensão da equipe sobre alimentação adequada e saudável, com base no Guia Alimentar, além de um aumento na confiança dos profissionais para abordar o tema em suas rotinas. Outro destaque foi o registro dos marcadores de consumo alimentar no sistema que contribui para análises subsequentes e embasa decisões de planejamento e intervenções. Em geral a equipe de enfermagem do CAPSi do município de Santa Bárbara d’Oeste está mais preparada para detectar e agir de forma precoce em situações de risco alimentar e nutricional. Além disso, contrui-se mais segurança para intervir de forma adequada e promover a alimentação saudável com base nos princípios do Guia Alimentar para a População Brasileira. Dessa forma previne-se erros alimentares e doenças relacionadas a alimentação melhorando a qualidade de vida das crianças e familiares acompanhados no CAPSi.
Guia Alimentar Brasileiro, Saúde Mental, Prevenção
HARIANE THAINE BUENO RODRIGUES