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Este estudo tem como objetivo relatar os benefícios obtidos por pacientes com transtornos mentais residentes nas residências terapêuticas da área da UBS Mar Paulista, após a implementação de hortas nos espaços ao longo de oito meses. O Programa Ambientes Verdes e Saudáveis (PAVS), desenvolvido na região de SACA (Santo Amaro e Cidade Ademar) com a Estratégia Saúde da Família, foi representado pelos Agentes de Promoção Ambiental (APA). Durante o mapeamento e diagnóstico socioambiental, foram identificadas as residências terapêuticas na área. O PAVS também implementou o projeto \Farmácias Vivas e Segurança Alimentar\, promovendo o cultivo de plantas medicinais e alimentícias não convencionais, com a prática de \hortaterapia\. Esse projeto, originado no CAPS Adulto II – Cidade Ademar, tem demonstrado benefícios terapêuticos, alinhando-se ao princípio da integralidade do SUS, que visa um cuidado além da abordagem curativa. O sucesso desse projeto gerou o interesse de expandi-lo para outros serviços, como as residências terapêuticas. Em 2024, profissionais de saúde da SRT e UBS, como técnicos de enfermagem, cuidadores e médicos, solicitaram a instalação de uma horta na SRT 2. O projeto foi iniciado em maio de 2024, com a participação ativa dos moradores, cuidadores, técnicos de enfermagem e APAs, buscando continuar os benefícios da \hortaterapia\ para esses pacientes.
O projeto visa implantar hortas nas residências terapêuticas da área da UBS Mar Paulista, com objetivo terapêutico. Ele busca estimular a concentração e foco (paciência e presença), promover a integração social (redução do isolamento), favorecer a regulação emocional (autoconhecimento), proporcionar estímulos sensoriais (olfato, tato, paladar) e integrar aspectos cognitivos e motores (planejamento e organização das ações). O foco é proporcionar um ambiente que favoreça o desenvolvimento pessoal e a interação dos pacientes, utilizando a hortaterapia como ferramenta de cuidado.
O projeto de implantação de hortas nas residências terapêuticas da área da UBS Mar Paulista foi criado para oferecer benefícios terapêuticos aos pacientes com transtornos mentais, por meio do cultivo de plantas medicinais e alimentícias. A implementação envolveu várias etapas, começando com uma visita ao espaço para identificar dois locais adequados. O primeiro era um canteiro externo, com boa exposição solar e fácil manejo. O segundo, um gramado onde as hortas foram montadas em caixotes devido ao solo inadequado. Junto aos moradores, foi realizada a limpeza do espaço, a remoção de plantas invasoras e a adição de terra preta adubada no canteiro. As mudas, solicitadas pelos moradores, incluíam temperos e hortaliças, como alface, salsinha e manjericão. A horta em caixotes foi organizada e impermeabilizada com a ajuda dos moradores. Durante os oito meses de projeto, ocorreram 32 encontros, com participação de cerca de 10 pacientes, e o plantio de 104 mudas, como alecrim, alho, berinjela e rúcula. Oficinas culinárias também foram realizadas, utilizando as plantas cultivadas, como “água saborizada com hortelã” e “planta peixinho empanada”. Além disso, a prática de compostagem e o descarte correto de orgânicos foram incentivados. O projeto foi estruturado de forma participativa, envolvendo pacientes e profissionais da saúde, como nutricionistas e Agentes de Promoção Ambiental (APA), promovendo habilidades cognitivas, motoras e emocionais nos pacientes.
Durante oito meses de encontros semanais, diversas atividades e oficinas foram realizadas. Para avaliar os resultados, foi feita uma pesquisa qualitativa com os colaboradores da residência, que, por conviverem diariamente com os residentes, são mais aptos a perceber os benefícios da implantação das hortas no local. As perguntas foram: Quais foram os principais benefícios percebidos após a implantação da horta? Os profissionais observaram um aumento na interação social dos residentes durante e após as oficinas. O contato com a natureza durante as atividades proporcionou momentos de relaxamento e prazer, aprendizado de novas habilidades e oportunidades para escutar e valorizar o conhecimento de cada um. A horta se tornou um espaço livre de julgamentos, onde os participantes puderam se conectar entre si e com a natureza. De que maneira a horta contribuiu para a rotina diária dos residentes? A horta promoveu um senso de pertencimento e responsabilidade, pois os moradores têm a tarefa diária de regar os canteiros e realizar a manutenção. Além de ser uma atividade recreativa, ajudou-os a sair da rotina. Durante as oficinas, foi evidente a evolução dos moradores, com maior envolvimento, proatividade, habilidades com as plantas, atenção e escuta ativa, além de companheirismo entre eles. Contudo, percebeu-se a necessidade de diversificar as atividades para evitar desinteresse e baixa participação, como o plantio de espécies diferentes e a escolha de mudas que exigem menos cuidado.
A implementação do projeto de horta nas oficinas demonstrou ser uma experiência transformadora para os moradores, promovendo não apenas o desenvolvimento de habilidades práticas, mas também um fortalecimento das relações interpessoais e um aumento no senso de pertencimento e responsabilidade. A evolução observada no envolvimento dos participantes, na proatividade e na escuta ativa evidencia a importância de atividades que conectam os indivíduos com a natureza e entre si. Entretanto, para garantir a continuidade do interesse e a participação ativa dos moradores, é fundamental diversificar as atividades propostas. A introdução de novas espécies de plantas e a realização de diferentes atividades manuais podem enriquecer a experiência e manter o engajamento. Além disso, a escolha de mudas que demandem menos cuidado pode facilitar a manutenção diária, tornando o projeto mais acessível e sustentável. Em suma, o projeto de horta não apenas contribuiu para o bem-estar dos moradores, mas também se mostrou uma valiosa ferramenta de aprendizado e socialização. Com ajustes e inovações, há um grande potencial para que essa iniciativa continue a florescer, beneficiando ainda mais os participantes e a comunidade como um todo.
residência terapêutica; horta; saúde mental
PRISCILA LEITE MANGABEIRA, ROBERTA KELLY OLIVEIRA PRATE