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O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) é uma unidade fundamental no cuidado à saúde mental, baseada no respeito aos direitos humanos e na promoção da autonomia e liberdade dos indivíduos. Seu modelo de atendimento visa a equidade, o combate aos estigmas e preconceitos, e garante acesso universal a serviços de saúde de qualidade. A equipe multiprofissional do CAPS adota uma abordagem interdisciplinar, oferecendo cuidados integrados que atendem às necessidades físicas, mentais e emocionais dos pacientes. A população em situação de rua é uma das mais vulneráveis, enfrentando dificuldades significativas de acesso à saúde devido à precariedade das condições de vida e à exclusão social. O Consultório na Rua visa ampliar o acesso a serviços de saúde integral, levando cuidados médicos e psicológicos diretamente às ruas. Esta iniciativa é crucial para superar as barreiras que limitam o atendimento a esse grupo, oferecendo um atendimento especializado e humanizado, com acompanhamento social e cuidados de saúde mental. A articulação entre o CAPS e o Consultório na Rua fortalece a rede de cuidados e assegura a oferta de serviços de saúde de forma contínua e integrada, promovendo a inclusão social e o bem-estar dessa população em situação de extrema vulnerabilidade.
•Consolidar o trabalho em rede na área da saúde mental e propor intervenções integradas, com foco na reabilitação psicossocial.
Os pais de um paciente procuraram o CAPS em busca de ajuda, relatando que seu filho, de 31 anos, não saía de casa há mais de quatro anos, recusando qualquer cuidado de saúde. O paciente apresentava hábitos prejudiciais, como o uso excessivo de dipirona, ingestão de grandes quantidades de óleo e açúcar, além de trocar o dia pela noite e falar sozinho. Observamos que a mãe, idosa, era dependente do esposo para se comunicar e a higiene de ambos era precária. O pai mencionou que o filho já havia usado substâncias psicoativas e que, ao interromper o uso, se isolou. A família, temendo preconceito e com medo de deixá-lo sozinho, aceitou essa situação. Com o tempo, os sintomas pioraram e, por orientação de um familiar, procuraram o CRAS e foram encaminhados ao Caps. Realizamos visitas domiciliares e encontramos o paciente em um ambiente muito pequeno, apático, sem contato visual e com o cabelo cobrindo o rosto. Embora não oferecesse resistência, sua interação era limitada. A equipe do CAPS, com o apoio da médica clínica, percebeu que o apoio da Rede de Saúde era essencial, especialmente com o Consultório na Rua, dado o alto grau de vulnerabilidade da família. A partir dessa experiência, surgiu a ideia de relatar os desafios enfrentados no processo de reabilitação psicossocial e na atuação integrada, destacando a importância da atuação em rede para o atendimento de usuários com transtornos mentais graves e persistentes.
Após cinco anos sem sair de casa, o paciente começou a retomar sua circulação pelo território. Atualmente, realiza acompanhamentos na UBS, incluindo consultas com o odontólogo, sempre acompanhado pelos pais, que são idosos. Em 2024, ele participou de duas atividades externas com outros usuários do serviço: uma visita ao Museu da Língua Portuguesa e a participação no evento Inter CAPS, no Sesc Itaquera. Foi diagnosticado com esquizofrenia e segue o tratamento medicamentoso regularmente. Além disso, foi contemplado com o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o cartão de gratuidade de transporte, o que facilitou seu acesso aos serviços de saúde e atividades externas. O paciente tem participado com regularidade do grupo de futebol, embora enfrente dificuldades para interagir com outras pessoas, decorrentes da cronificação do transtorno. No entanto, observa-se um desejo crescente de reintegração social e de estar no mundo, o que reflete progressos importantes em sua reabilitação psicossocial.
Considero este relato uma experiência exitosa, mas acredito que o trabalho está apenas começando, pois, as vulnerabilidades que envolvem essa família são profundas. Estamos tratando de um transtorno mental grave, demência degenerativa e a idade avançada dos pais. No entanto, com o trabalho em rede desenvolvido com a equipe do Consultório na Rua, conseguimos alcançar progressos significativos em pouco tempo. É essencial aproximar-se, reconhecer e acreditar na possibilidade de mudança, mesmo diante de anos de vulnerabilidade. Esta família representa apenas uma entre tantas que não acessam os serviços de saúde ou, quando o fazem, já enfrentam uma longa trajetória de dificuldades. Gostaria de destacar que a responsabilidade pelo cuidado à saúde da população em situação de rua é de todos os profissionais do Sistema Único de Saúde, assim como para qualquer outro cidadão. (…) reabilitação psicossocial é visualizada como um processo, a superação da dicotomia saúde/doença, a inclusão da família, a interdisciplinaridade, a contratualidade, os valores profissionais como a responsabilidade, a ética, e o respeito à dignidade do ser humano. Então, é um processo permanente em construção de novas sempre plurais possibilidades de cuidado (…)
reabilitação psicossocial, saúde mental
VANUSA SOARES DOS SANTOS