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Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a saúde mental pode ser considerada um estado de bem-estar vivido pelo indivíduo, que possibilita o desenvolvimento de suas habilidades pessoais para responder os desafios da vida e contribuir para a comunidade. No Brasil, a situação de saúde mental é complexa, devido a desigualdade social, falta de acesso a serviços de qualidade, e escassez de investimentos. O SUS oferece atendimento, como os CAPS, mas a distribuição é desigual, e o estigma em torno dos transtornos mentais dificulta a busca por ajuda. A violência e as condições socioeconômicas aumentam a vulnerabilidade, tornando esse cuidado ainda mais desafiador. Há a necessidade de avançar na implementação de políticas eficazes e no acesso universal à saúde mental Esse contexto nos mostra que apesar dos avanços observados nas últimas décadas nas políticas públicas voltadas para os jovens, entre 12 e 17 anos, ainda existem alguns desafios que precisam ser endereçados pelo poder público visando ações de prevenção de doenças e promoção de saúde mental para esse grupo. Mesmo com os avanços nas políticas públicas sobre saúde mental, ainda percebemos uma fragilidade para assistir aos jovens. Na RAS 13 – Região de Araraquara – atualmente contamos com 15 CAPS sendo dois CAPSia, com atendimento específico para menores de idade. No município de Itápolis contamos com um CAPs II que realiza atendimentos de doenças mentais graves e persistentes e também de usuários de álcool e drogas.
Durante os meses de Junho a Setembro de 2023, realizamos três encontros para debater saúde mental do município de Itápolis. Nestes encontros participaram representantes do SAMU, Pronto Atendimento e de todas as UBSs e do PSF do município, em regra o coordenador da unidade, médicos, enfermeiros e psicólogos. A discussão sobre as diretrizes de atendimento e o suporte oferecido aos jovens entre 12 e 17 anos com comprometimento em saúde mental, em diferentes níveis de complexidade foi amplamente destacado. O fluxo de saúde mental funcionava de tal maneira: Pacientes encaminhados para o CEMAIS, realizava triagem; era encaminhado ao CAPS -já que o município conta com apenas um médico psiquiatra. Entretanto, para pacientes encaminhados ao médico psiquiatra, as demais terapias só se iniciavam após a consulta, o que gerava uma descontinuidade no fluxo de atendimento, dificultando o acompanhamento regulas desses pacientes no CEMAIA. Ocorria um grande longo período de desassistências.
A problemática foi desenvolvida nos encontros de debate sobre saúde mental, onde participaram representantes do SAMU, Pronto Atendimento e de todas as UBSs do município, em regra o coordenador da unidade, médicos, enfermeiros e psicólogos. O resultado foi essas principais perguntas: Quem assiste o paciente jovem com queixas de saúde mental leve e moderada? Para quem encaminhar? Todas as queixas de saúde mental do jovem com necessidade de medicação deve ser centralizada no CAPS? O tempo entre encaminhamento e o atendimento está adequado ? Com isso, foi possível a reorganização do fluxo de saúde mental para adolescentes, pela visão dos profissionais de saúde do município de diversas áreas de assistência. Criamos um fluxo no qual pacientes com quadros leves e moderados de saúde mental, acompanhados pelo CEMAIA ou por escolas, geralmente casos de ansiedade, crises de pânico, irritabilidade excessiva (associada ou não a déficits cognitivos), dificuldade de aprendizado, falta de atenção e concentração, principalmente relacionada ao uso excessivo de dispositivos eletrônicos, variações súbitas de peso, entre outros; Sejam atendidos inicialmente por uma médica de saúde da família, alocada em uma UBS de fácil acesso, com agenda reservada para esses atendimentos dois períodos semanais. Mantemos diálogo contínuo com o CAPs para organização e orientação medicamentosa, além de avaliar e realizar o suporte ao núcleo familiar.
Tendo em vista que em a grande maioria das queixas de adolescentes tem perfil multifatorial, compreender as necessidades familiares impacta diretamente no desfecho do atendimento ofertado. O novo fluxo gerou um aumento da assistência ao núcleo familiar. A saúde mental avança de maneira integrada, fortalecendo o fluxo de atendimento e aprimorando o matriciamento intersetorial, o que favorece uma comunicação mais eficaz entre os serviços da rede de assistência. A Psiquiatria infantil grave como incapacidades de socialização, pensamentos suicidas, lesões autoprovocadas, transtornos alimentares, sintomas psicóticos continuam sendo atendidos diretamente pelo CAPS. A capacitação de profissionais que atuam com este público despertou interesse nos demais funcionários desta UBS que diariamente buscam orientações e informações sobre cuidados em saúde mental. Integração e sensação de pertencimento da saúde mental na atenção básica foi melhorado. Diminuição na espera para o atendimento médico e da quantidade de medicação prescrita. Com isso, antes mensalmente o CAPS atendia em média 70 pacientes menores de idade, apenas em consulta com psiquiatra, logo executava a função de ambulatório para esta faixa etária. Atualmente este número diminuiu para 25 pacientes mês, todos em acompanhamento com psicóloga e terapias fornecidas neste serviço. O tempo de espera para atendimento está adequado e semanalmente o CAPS debate e constrói PTS (Plano Terapêutico Singular) dos pacientes atendidos.
Destaco a falta de literatura, atendimento SUS para adolescentes, específica sobre saúde mental de pacientes de 12 a 17 anos como dificultador no processo de criação do fluxo de saúde mental para adolescentes e também para este relato de experiência. E por fim, o próximo desafio a ser alcançado é a inclusão de mais um médico de saúde da família para atuar junto a esse público, pois a demanda está aumentando diariamente.
Saúde Mental do Adolescente;
GEOVANA BEATRIZ BARALDI