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A RAPS é um conjunto de diferentes serviços e açõesdisponíveis nos territórios que, articulados, formam uma rede plural, integrada e viva.Dentro dela, o CAPS deve promover articulação da rede em prol da reabilitaçãopsicossocial e da inclusão sócio-familiar.O caso da adolescente C.R., 16 anos, foi um resultado exitoso destaarticulação intersetorial entreserviçodeurgência/emergência, CAPS III Mater e oserviço municipal de acolhimento para menores de idade.Contextualizando, C.R. iniciou acompanhamento na rede de Saúde Mental –CAPS II infantojuvenil em 2020, aos 12 anos de idade –, com histórico deautomultilação e tentativas de suicídio, impulsividade, uso de álcool, cocaína,cannabis, conflitos familiares. Diversas internações em serviços de urgência/emergência, leitos de saúde mental e enfermaria de crise, assim como hospitalidade integral no CAPS III Mater. Também realizou no CAPS II ad por curto período de tempo.Foi acolhida socioassistencialmente em situação de rua aos 14 anos, em vulnerabilidade social, exclusão e agressão familiar, fragilizada e sem qualquer expectativa futura.Em setembro/2024 foi admitida para Hospitalidade Integral no CAPS III Mater e, após a alta, manteve seu acompanhamento em HD diário, beneficiando-se positivamente e gradativamente do contrato terapêutico estabelecido entre C.R. e equipes, que se constitui por: participação em oficinas terapêuticas, atendimento individual por equipe multiprofissional.
Articulação em rede e inovação no cuidado na definição de PTS (Projeto Terapêutico Singular), favorecendo a adesão ao tratamento. Objetivos específicos Fortalecimento do protagonismo através do incentivo a participação e autonomia em diferentes contextos. Favorecer, incentivar e promover a retomada de projetos de vida (escola, cultura, lazer). Favorecer a percepção da usuária no atual contexto de vida e fortalecer suas próprias iniciativas pela busca de práticas saudáveis Reavaliação do Projeto Terapêutico de forma continuada, junto com serviço de acolhimento. Tentativa de reaproximação familiar e fortalecimento de vínculos.
Atendimentos individuais por equipe multiprofissional e alinhamentos junto à equipe do serviço de acolhimento. Participação em oficinas terapêuticas e atividades no território.Todas as atividades obedeceram a um cronograma, considerando e respeitando o desejo e perfil da usuária, afim de valorizar suas potencialidades. Contínuas discussões de caso entre os equipamentos envolvidos, priorizando a individualidade do sujeito e o cuidado humanizado em todo o processo.
A efetividade desse processo está diretamente relacionada à capacidade de adaptação do PTS às necessidades individuais, garantindo um acompanhamento flexível, contínuo e humanizado. A usuária (C.R.) mantém um acompanhamento regular e contínuo no CAPS III Mater. O espaço terapêutico tornou-se um local de acolhimento e segurança, favorecendo sua estabilidade emocional. Acompanhamento especializado proporcionou retorno às atividades educacionais e maior inserção na comunidade. Houve preservação do autocuidado, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida.
O desenvolvimento e a implementação do PTS de C. refletem o modelo de cuidado centrado na pessoa. A abordagem multidisciplinar, aliada à inovação das ações, demonstrou impacto positivo na adesão ao .reavaliação do plano terapêutico reforça a importância de uma abordagem dinâmica, permitindo ajustes conforme a evolução do quadro e das condições sociais da adolescente. Esse processo favorece a estabilização, autocuidado, promove novo sentido de pertencimento e esperança, impulsionando C. a retomar projetos de vidade forma ativa e consciente.Este caso exemplifica como a interseção entre rede de apoio, inovação terapêutica e participação ativa do sujeito pode ser determinante para o sucesso dotratamento em contextos de vulnerabilidade. A continuidade desse modelo de cuidado representa não apenas um avanço na assistência prestada, mas também um reforço da responsabilidade coletiva na construção de um futuro mais digno e promissor para a usuária.A experiência tem sido gratificante para a equipe, que vê na sua atuação um impacto concreto e transformador, e para a usuária, que após anos de sofrimento psíquico e dificuldades para lidar com sua própria vida, vem conquistando, passo a passo, maior autonomia e estabilidade.
Saúde Mental, CAPS
MICHELLE MARIA ALBERTO, MARIA JOSÉ ESTEVES JUNQUEIRA DIAS ALCALÁ CRAVO, REINALDO OLIVEIRA GUEDES JUNIOR, MICHELLE LUIS SANTOS