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Com a Pandemia de COVID-19, ocorreu uma ampliação do uso da Telemedicina como ferramenta para monitoramento da saúde da população; a LEI Nº 14.510, DE 27 DE DEZEMBRO DE 2022 autoriza e disciplina a prática da telessaúde em todo o território nacional e a PORTARIA GM/MS Nº 3.232, DE 1º DE MARÇO DE 2024, instituir o Programa SUS Digital. A Portaria Municipal de Saúde de São Paulo 804/2024 que regulamenta as práticas de teleassistência no âmbito da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, com o objetivo de promover a transformação digital no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS para ampliar o acesso da população às suas ações e serviços, com vistas à integralidade e resolubilidade da atenção à saúde. O uso da telemedicina vem de encontro com as dificuldades de alocação de profissionais médicos em áreas periféricas e em grandes centros urbanos, onde a dificuldade de locomoção é atualmente uma realidade e essa tecnologia permite maior acesso da população, principalmente em relação aos atendimentos com médicos especialistas.
O presente trabalho tem como objetivo apresentar a implantação da Telemedicina com profissionais especialistas, dentro da Atenção Básica e seus desafios.
Foram realizadas análises epidemiológicas e de filas de espera para atendimento nas especialidades de Psiquiatria, Dermatologia e Cardiologia; os estudos foram conduzidos por SMS, onde foi proposto a implantação de territórios pilotos para a nova tecnologia, sendo o território de Ermelino Matarazzo foi uma das regiões escolhidas. A oferta de telemedicina na Atenção Especializada na STS Ermelino Matarazzo iniciou em 18/12/2023 com carga horária de 40 horas/semanais por especialidade. Buscando o melhor acesso da população e considerando os deslocamentos necessários que prejudicam a adesão para a realização das consultas e considerando a necessidade de melhor matriciamento dos médicos e outros profissionais da Atenção Básica em relação aos encaminhamentos para a especialidades e garantia da linha de cuidado, foram implantados consultórios digitais, dentro das 12 Unidades Básicas de Saúde do território. Os consultórios digitais realizam o atendimento das três especialidades, sendo que a carga horária contratada foi dividida entre as 12 UBS, considerando o perfil epidemiológico e filas de espera de cada UBS. Todo o processo de implantação foi realizado em conjunto com a Organização Social que gerencia as unidades. Em relação a metodologia de seleção do paciente para o atendimento em telemedicina, são triados em fila de espera para a especialidade, considerando o CID é ofertado pela Regulação da UBS o atendimento através do consultório digital, sendo que essa escolha é do paciente
Considerando a implantação, observamos resultados expressivos em relação a redução das filas de espera, principalmente de Cardiologia e em relação a gestão de alta do paciente. Um dos pontos relevantes é que o usuário sendo atendido pelo especialista na sua UBS de referência, mantem o vínculo com a unidade, reforçando as ações da linha de cuidado; pois muitas vezes o paciente encaminhado para a especialidade, acaba perdendo o vínculo com sua unidade de origem, sem seguimento de acompanhamento pela Atenção Básica. O consultório digital, também permitiu a realização das consultas síncronas com o profissional da UBS, realizando ao mesmo tempo um matriciamento do médico; espera-se que com esses matriciamentos, seja reduzido o encaminhamento equivocado de pacientes para as especialidades pela atenção básica. Na telecardiologia foram realizados 3.789 teleinterconsultas síncronas com elevada taxa de resolutividade, 81% dos pacientes atendidos recebendo diagnóstico, conduta e recomendação de continuidade do cuidado na própria UBS; na Teledermatologia realizadas 4.999 teleconsultas, com uma resolutividade de 38%, observamos que essa resolutividade está relacionada a necessidade de reavaliação presencial para análise de lesões e/outros, sendo necessário no território uma melhor análise. A telepsiquiatria até o momento foram realizados 1.712 atendimentos (dados BI_saúde/PMSP).
Com a implantação do consultório digital, ocorreu a redução das filas de espera, engajamento entre o profissional da atenção básica e o especialista e melhor gestão de alta. Apesar dos avanços alcançados, temos ainda desafios para enfrentar, como a infraestrutura adequada e outra questão é que alguns pacientes e profissionais de saúde podem ser relutantes em adotar a telemedicina, devido a questões como a falta de familiaridade com a tecnologia ou preocupações sobre a qualidade do atendimento. A percepção de que o atendimento remoto pode ser inferior ao presencial pode afetar a aceitação, exigindo a demonstração de eficácia; mas nas pesquisas de satisfação realizadas com os usuários que aceitaram a consulta pela telemedicina, demonstram alto índice de aprovação, observamos que o grande problema da não aceitação no momento da oferta da consulta é devido ao desconhecimento, sendo importante a realização de um trabalho intenso de educação em saúde para a mudança de opinião da população. Para superar esses desafios, é importante investir em tecnologia, educação e políticas que incentivem a adoção de práticas de telemedicina, garantindo acessibilidade e qualidade no atendimento
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ELIETE CRISTINA BERGAMO ALVES, MARCIA DE SOUZA DIAS, TÂNIA MELCHER MARÇON ALMEIDA DOS SANTOS, CAROLINA BELTRAMINI DE CARVALHO DONOLA