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O transtorno de Acumulação (TA) é uma psicopatologia caracterizada por acúmulo excessivo de objetos e/ou animais somado à dificuldade de descartar ou se desfazer desses pertences, características, também, conhecidas como disposofobia. Gradualmente, ocorre a perda do controle do acumulo e aquisição de novos itens e/ou animais, originando desorganização ambiental. Quando se trata da acumulação compulsiva de animais, a perda do controle pode se dar igualmente, por sua reprodução continua o que pode configurar condições de maus tratos, visto que ocorre a privação de alimento e condições inadequadas para esses animais. Ressalta-se que o comportamento de acumular acabam trazendo grandes prejuízos para o indivíduo tanto emocionalmente quanto em sua vida social tais como; angústia, ansiedade isolamento social, privações diversas, denúncias por parte dos vizinhos em razão de odores e proliferação de sinantrópicos o que em grande parte pode resultar em ameaça de despejo ou processos judiciários. Diante de todo esses agravantes não só para o acumulador, mas também para os munícipes residentes em nosso território foi criado dentro da Vigilância Ambiental- Butantã, um grupo constituído por um técnico e dois agentes de endemias para o atendimento a pessoas em situação de acúmulo que tem como premissa, o acolhimento e escuta ativa de todos os envolvidos, discussões e parcerias com a rede de assistência local, encaminhamentos e direcionamento do caso.
Realizar de forma efetiva e resoluta ações que amenize impactos para a saúde pública, especificamente nos agravos transmitidos por vetores, outras zoonoses e convivência entre os munícipes.
A metodologia aplicada para a elaboração do trabalho em questão foi além das pesquisas sobre o tema em livros e internet, a discussão entre os integrantes do grupo e rede de assistência presente no território do Butantã também foi de total importância para a idealização e realização desse trabalho. Essas discussões/reuniões foram realizadas mensalmente no grupo intitulado CRASA -Comitê Regional de Atenção às Pessoas em Situação de Acumulação. A partir do levantamento dos casos presentes no território vindos por meio de SACs ou trazidos pela rede de assistência, foi elaborado uma planilha com o nome de possíveis acumuladores, tipo de acúmulo, endereço, contato e UBS de referência. Após essa relação montamos cronograma quinzenal de visitas, na maioria das vezes realizadas junto com a equipe das UBSs. Nessas visitas tínhamos como objetivo a criação de vínculo, negociação para a retirada dos inservíveis, vacinação e castração dos animais.
Das 37 de pessoas em situação de acúmulo atendidas em 2024, concluímos 11 casos, totalizando o número de 43 caminhões (cedidos pela Subprefeitura do Butantã) de inservíveis retirados desses imóveis. Importante informar que enquanto servidores na UVIS-BT, nos embasamos no Código Sanitário do município de São Paulo, lei nº 13.725, no decreto nº 57.570 (Politica Municipal de Atenção às pessoas em Situação de Acúmulo) de 28/09/2016 e nos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) que são eles; universalidade, equidade, integralidade e participação popular.
Consideramos que a realização de discussões acerca do tema, engajamento de toda a rede de assistência local tais como; Vigilância Ambiental, UBS, CREAS, NPJ, STS, Sub-Prefeitura- BT, CDI entre outros contribuíram efetivamente para os resultados apresentados no ano de 2024. Por fim vale ressaltar que além dos resultados quantitativos apresentados na escrita desse trabalho, fizemos em nosso território o 1º Seminário sobre pessoas em situação de Acúmulo: Desafios e Potencialidades do cuidado em rede, realizado no dia 28 de novembro de 2024 no CEU- Butantã.
transtorno de acumulação, vigilância ambiental
ELISANGELA NASCIMENTO ROCHA, SANDRA ELISA LOPES CIBELLA DIAS, NANCY MARÇAL BASTOS DE SOUZA, GILSON ACANAY LEITE, ADRIANA LIMA BODANI ARANYI, ELTON CRISTINO LEAL