Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) curável, crônica e exclusiva do ser humano, causada pelo Treponema pallidum, classificada em quatro estágios clínicos: primária, secundária, latente e terciária. Os serviços de saúde devem realizar diagnóstico o mais precocemente possível, e uma vez detectada a infecção iniciar o tratamento. Se não tratada a sífilis primária pode evoluir para formas mais graves, comprometendo principalmente os sistemas nervoso e cardiovascular. Além da transmissão sexual, a sífilis pode ser transmitida por transfusão sanguínea e para o feto na gestação (transmissão vertical). Sendo assim é muito importante a testagem dos doadores de sangue e de todas gestantes, além da população de forma geral. A transmissão vertical pode trazer implicações severas, como óbito fetal, abortamento, prematuridade e até manifestações congênitas resultando em recém-nascidos com sequelas da doença. Diante do exposto, conhecer o perfil epidemiológico dos casos de sífilis adquirida (SA) é fundamental para a implementação de medidas eficazes para redução do número de casos, o que indiretamente impactará na cadeia de transmissão da doença, reduzindo assim o número de casos de sífilis adquirida, e consequentemente em gestante e recém nascidos.
Identificar o perfil epidemiológico dos casos de sífilis adquirida entre os residentes na região da Supervisão Técnica de Saúde da Penha (STS-Pe) notificados no ano de 2024.
A região do estudo compreende a STS-Pe localizada no Munícipio de São Paulo, com uma população estimada pelo Censo 2022 de 472.757 habitantes. Sendo composta por 04Distritos Administrativos (DA): Artur Alvim, Cangaíba, Penha e Vila Matilde. Os serviços de Atenção Básica da região compreendem 20 Unidades Básicas de Saúde (UBS), e todas têm entre suas atribuições realizar ações de prevenção, investigação, tratamento e controle de ISTs, incluindo a sífilis adquirida, em gestantes e em crianças. Caso seja realizado o diagnóstico de sífilis, as unidades devem notificar a Unidade de Vigilância em Saúde Penha(UVIS-Pe), utilizando a Ficha de Notificação/Investigação de Sífilis Adquirida, adaptada pela Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo e também a ficha do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) numerada. Ao receber as fichas a UVIS-Pe digita os dados no SINAN-NET programa do Ministério da Saúde, e também realiza a digitação no sistema REDCAP (específico da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo), este último permite a inserção de um maior número de informações sobre o caso. Este estudo é uma pesquisa documental com abordagem quantitativa que utilizou o banco de dados do RED CAP (por ser mais completo) referente a todas notificações de sífilis adquirida de pessoas residentes na área da STS-Pe no ano de 2024. Feita uma checagem prévia do banco de dados foi necessário excluir13 casos que estavam classificados erroneamente como moradores na região da Penha.
Foram notificados 1144 casos de sífilis adquirida entre os residentes da STS-Pe. Destes 329(28,7%) foram notificados por serviços de outras regiões. O Coeficiente de Incidência (CI) da Sífilis para a região da STS-Pe foi de 242 casos/100.000 habitantes, sendo no DA Penha389,6/100.000 habitantes, o mais elevado entre os DA. Houve 657 (57,4%) na faixa etária de20 a 39 anos, a menor idade foi de 14 anos e a maior 95, destaca-se a ocorrência de 144casos entre pessoas de 60 anos ou mais. Os casos ocorreram na maioria entre homens (762 -66,6%), destes 360 (47,2%) tinham relações sexuais com homens. Os dados ainda apontam que 630 (55%) eram pessoas com raça/cor preta e parda; 645 (56,4%) tinham ensino médio ou superior. Destaca-se que para 106 (9,3%) casos não houve informação quanto a escolaridade. Dos notificados 201 (17,6%) referiram uso drogas. Entre os casos informados807 (70,5%) foram classificados como sífilis latente, e 41 (3,6%) casos com formas mais graves da sífilis (terciária e neuros sífilis). Destaca-se que não houve classificação em 47 (4,1%). Foram tratados com Penicilina G benzatina 7.200.000 UI 886 (77,4%) pacientes, ressalta-se que 45(3,9%) não realizaram tratamento. Há informações de que 183 (16,0%) casos já haviam tratado anteriormente. As UBS foram os serviços de saúde que mais realizaram o diagnóstico de sífilis adquirida 689 (60,2%), enquanto os serviços específicos de IST/AIDS foram responsáveis por319 diagnósticos (27,9%).
O DA Penha apresentou o maior CI de sífilis adquirida,há necessidade de novos estudos para tentar entender o comportamento da doença neste DA. Destaca-se a importância de a maior parte dos diagnósticos ter sido feita nas UBS, sendo um facilitador, pois os serviços específicos de IST/AIDS são em menor número e por vezes distantes da região de moradia das pessoas.A presença da SA em pessoas com 60+ remete a necessidade de sensibilizar a equipe de saúde quanto importância da testagem para esta faixa etária.O campo escolaridade teve maior número de não preenchimento. Os dados obtidos apontam elevada escolaridade entre os casos notificados, o que nos leva a inferir que o conhecimento não está associado a adoção de medidas de prevenção. Consideramos que o número de usuários dedrogas dos casos notificados foi elevado, a vulnerabilidade a que este grupo está exposto, pode justificar o aumento do risco de IST. Apesar do quantitativo baixo de 16% casos tratados anteriormente, ressalta-se a importância de controlar a reinfecção na população. Este estudo permitiu identificar o contexto epidemiológico da ocorrência da SA na STS-Pe,sendo importante para definir prioridades e auxiliar no planejamento de ação e prevenção e tratamento da doença.
Sífilis, perfil epidemiológico, saúde.
MARIA CLARA CARLOS NUNES, FABIANA BARBOSA BARRETO MELO, MARIA ALZIRA SOARES MOTOSHIMA, CRISTIANE DE ANDRADE BATISTA COSTA, SOLANGE VIOTTO DA SILVA