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A tuberculose (TB) é uma enfermidade crônica e complexa, causada pelo Mycobacterium tuberculosis (MTB), um bacilo álcool-ácido resistente (BAAR), aeróbio, caracterizado por uma parede celular rica em lipídios. Essa composição celular confere ao bacilo baixa permeabilidade, o que diminui a eficácia da maioria dos antibióticos. Embora seja uma doença passível de prevenção e tratamento, a TB ainda prevalece em contextos de pobreza. A Organização Mundial de Saúde estima que em 2021, 10,6 milhões de pessoas adoeceram por TB, mas apenas 60,4% foram notificadas. As reduções no número de notificações, decorrentes da pandemia de Covid-19, aumentou o número de pessoas não diagnosticadas e não tratadas. Como consequência, espera-se aumento da transmissão comunitária da infecção nos próximos anos, além de um impacto nos óbitos pela doença. Para interromper a transmissão da TB, a identificação dos contatos pela Atenção Primária à Saúde (APS) é fundamental, pois estudos mostram que uma média de 3 a 5% dos contatos próximos a uma pessoa com TB tem a doença não diagnosticada. O controle ajuda na identificação de pessoas recém infectadas pelo MTB, onde apresenta um risco aumentado para desenvolver a doença. A prova tuberculínica (PT) é utilizada para diagnóstico de Infecção Latente (ILTB) e pode auxiliar o diagnóstico de tuberculose ativa.
Realizar a busca ativa de contactantes de pacientes com Tuberculose na UBS Paulo VI, uma unidade na zona oeste de São Paulo, e realizar uma análise quanto as estratégias de captação e identificação de cenários de vulnerabilidade e a necessidade de estratégias de promoção a saúde.
Em maio e junho foi identificado que apenas 67% dos contatos estavam sendo avaliados, o que gerou a necessidade de intensificar a busca ativa. Em setembro, a UBS iniciou uma ação focada na aplicação da PT, convocando 23 contactantes para a realização do exame. Foi feito um contato telefônico prévio para garantir a presença no local. Além disso, a equipe conseguiu um ônibus para o transporte dos moradores até a UBS. Contudo, apenas um contato compareceu. Como alternativa, a equipe dividiu-se para realizar a busca ativa nas residências, mas todos os 22 contactantes restantes se recusaram a realizar o exame. Aproveitando os recursos já alocados, a equipe direcionou-se aos pontos de maior vulnerabilidade do território e iniciou conversas com os moradores, buscando possíveis contatos não identificados previamente.
Durante a busca nos pontos de vulnerabilidade, encontramos um bar na comunidade com pessoas que se relacionavam com uma paciente que abandonou o tratamento de TB. Assim, foi possível identificar sete contatos diretos desta paciente, que aceitaram a realização do exame. Foram localizados mais quatro contactantes, com um total de doze pacientes examinados na PT. Reconhecendo a urgência e gravidade da situação, todos os sete contactantes da paciente de abandono ao tratamento, realizaram no mesmo dia exames laboratoriais, raio-X e consulta médica. Três apresentaram resultado positivo, iniciando o tratamento no mesmo dia do diagnóstico e quatro estão em ILTB. O resultado da ação reforçou a necessidade de monitoramento, através de busca ativa nos locais de vulnerabilidade. O envolvimento da equipe com a comunidade, o uso de recursos como o transporte coletivo para os moradores e a realização de exames complementares (raio-X e testes laboratoriais) no mesmo dia para aqueles com maior risco demonstraram-se estratégias eficazes para melhorar o alcance das ações. A resposta da comunidade, embora com resistência inicial à realização dos exames, foi positivamente impactada pelo esforço de aproximação e orientação. Um exemplo disso é que após a ação outros três contactantes da paciente procuraram a unidade para atendimento, incluindo o dono do bar onde os encontros ocorriam. Ele, inclusive, cedeu o espaço do fundo do bar para futuras ações de saúde.
A busca ativa de contactantes de pacientes com tuberculose na UBS Paulo VI foi uma ação crucial para ampliar o diagnóstico precoce e o tratamento de casos, contribuindo para o controle da doença na comunidade. Apesar das dificuldades encontradas, como a recusa de grande parte dos contactantes em realizar os exames, a estratégia de direcionar os esforços para as áreas mais vulneráveis mostrou-se eficiente ao identificar novos casos. A aplicação da prova tuberculínica, juntamente com o suporte médico e exames laboratoriais, foi essencial para garantir que os contactantes de risco recebam o devido acompanhamento. Esse esforço reafirma a importância da integração da comunidade com os serviços de saúde, além de destacar a necessidade de estratégias mais intensivas e contínuas para o controle da tuberculose.
tuberculose, comunidades vulneráveis, busca ativa
JULIANA PARREIRA CAPASSO, GABRIELA BAPTISTA MACARIO, ALEX DAVID PIETRO PEREIRA, POLIANE OLIVEIRA EUFRÁSIO BATISTA, MARINA GONÇALVES MOTA