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A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível, causada pela bactéria Treponema pallidum. Em gestantes não tratadas, pode levar a desfechos como aborto, natimorto, óbito, e sífilis congênita (SC), que pode resultar em alterações no desenvolvimento da criança, como comprometimento neurológico, deficiência visual, auditiva, alteração óssea e da dentição. E mesmo com diagnóstico e tratamento estabelecidos e de baixo custo, a doença continua sendo um problema de saúde pública mundial (1,6). No período de 2013 a junho de 2024, foram notificados 56.854 casos de sífilis em gestantes (SG) e 11.444 casos de SC no Município de São Paulo (MSP), dos quais 28,1% dos casos de SG e 23,9% dos casos de SC, eram residentes da Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) Leste. No ano de 2023 o MSP, apresentou uma taxa de incidência de sífilis congênita (TISC) de 6,2 casos, a CRS Leste de 7,0 casos e São Miguel Paulista (SMP) de 5,1 casos por 1000 nascidos vivos (1). Iniciou-se em janeiro de 2021, uma análise da série histórica de 2010 a 2020 da TISC, realizado pela Unidade de Vigilância em Saúde (UVIS) de São Miguel Paulista, para avaliar e intervir no processo de trabalho durante o pré-natal, para redução dos casos de SC. Adotando o diagnóstico e planejamento estratégico situacional (PES), que são instrumentos utilizados para identificação e resolução de problemas, que inserem atores que participam efetivamente da situação e possibilita analisar, definir, mensurar e construir soluções. (7)
Estruturar e consolidar os processos de trabalho envolvidos no seguimento da gestante com sífilis durante o pré-natal, nas Unidades Básicas de Saúde. E consequentemente reduzir os casos de sífilis congênita no território em São Miguel Paulista.
Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, realizado entre janeiro de 2021 a dezembro de 2023. Iniciou-se com o levantamento dos dados da série histórica de 2010 a 2020, extraídos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e Boletim Epidemiológico sobre a TISC em São Miguel Paulista. Foi aplicado o diagnóstico situacional para obtenção de informações sobre as fragilidades, necessidades e peculiaridades de cada Unidade Básica de Saúde de saúde (UBS). A primeira etapa foi constituída pelos dados de cada UBS, como total de gestantes com e sem sífilis, número de casos de SC e de nascidos vivos. Na segunda etapa foi analisado e elaborado o planejamento com base no PES, devido ao cenário epidemiológico no território. Em seguida foi desenhado o plano de ação com as atividades: visita técnica periódica em todas as UBS, para avaliação do processo de trabalho, realizada pela UVIS e Supervisão Técnica de Saúde de São Miguel Paulista; treinamento e reciclagem para enfermeiros e equipe multiprofissional de maneira coletiva e personalizada, realizados pelo Comitê Transmissão Vertical (CTV) Local; grupo virtual de sífilis para orientação técnica e processo de trabalho; participação da UVIS em reuniões de enfermeiros; apresentação de todos os casos de SC classificados como eixo serviço (que ocorrem devido alguma fragilidade durante o pré-natal) pela UBS, nas reuniões virtuais do CTV Leste e investigação de todos os casos de SC pelo CTV Local.
Durante o trabalho desenvolvido ao longo de 3 anos com as UBS, foi possível observar o empenho e dedicação dos profissionais, especialmente os enfermeiros em aprimorar o processo de trabalho relacionado ao seguimento da gestante com sífilis. Embora existam Protocolos, Manuais e Procedimento Operacional Padrão (POP) bem definidos, ainda não estavam bem estruturados na rotina da UBS. Após o levantamento, apontamento, treinamento e reciclagem, desenvolvidos pela UVIS, STS e CTV de São Miguel Paulista, foi possível comprovar alterações e correções no fluxo de trabalho, desde a abertura do pré-natal ao pós-parto. Em 2022 foram 55 casos de SC em São Miguel Paulista, com TISC de 12,1 casos, apresentando o pior indicador de 2013 a 2023. No ano de 2023 foram 23 casos de SC, com taxa de incidência de 5,1 casos por 1.000 nascidos vivos, atingindo uma redução de 58% da TISC no ano de 2023 em relação a 2022. Do total de 17 UBS no território, 13 foram premiadas pelo CTV Local, com Selo de Boas Práticas no Enfrentamento da Sífilis Congênita, devido aos indicadores alcançados em 2023. Selo Ouro para 6 UBS que não tiveram nenhum caso de SC. Selo Prata para 4 UBS que atingiram uma TISC de até 5,0 casos e Selo Bronze para 3 UBS que tiveram uma TISC de 5,1 até 6,4 casos por 1.000 nascidos vivos. SMP também foi contemplado com Selo Bronze de Boas Práticas no Enfrentamento da Sífilis Congênita, na Premiação realizada pela Secretaria da Saúde em outubro de 2024, devido ao indicador obtido em 2023.
A meta do MSP, era de reduzir em 5% a TISC em 2023 em relação a 2022, e atingiu 15%, resultando no menor número de casos de SC registrados nos últimos 11 anos. A CRS Leste, composta por 7 Supervisões Técnicas de Saúde, obteve uma redução de 32,7% da TISC em 2023, em relação a 2022. São Miguel Paulista atingiu uma redução de 58% da taxa de incidência de sífilis congênita em 2023, quando comparada com 2022, obtendo a menor taxa da CRS Leste, com o menor número de casos de SC registrados desde 2016. Isso se deve a redução expressiva dos casos de SC, classificados como eixo serviço, que são os casos que dependem dos processos de trabalho bem alinhados, estruturados e consolidados nas UBSs, para evitar fragilidade/falha durante o pré-natal. Como coleta de sorologia na abertura do pré-natal, coleta de Venereal Disease Research Laboratory (VDRL) mensal, vigilância laboratorial efetiva, avaliação e interpretação adequada dos resultados de exames, tratamento em tempo oportuno e com intervalo adequado, bem como, busca ativa e registro em prontuário. Coleta de sorologia em cada trimestre (primeira consulta de pré-natal, na 20ª e 28ª semana) e teste rápido com 32 semanas para gestantes sem diagnóstico de sífilis.
Planejamento Estratégico Situacional
MARIA ANA ALVES NETA, ANDREIA DOS SANTOS PAIXÃO GUAIACURU, ROGER RABELO DOS SANTOS