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As arboviroses são doenças causadas por vírus transmitidos por mosquitos mais comumente encontradas em ambientes urbanos, como Dengue, Chikungunya e Zika transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Considerando o histórico de transmissão das arboviroses urbanas, a alta vulnerabilidade do Estado de São Paulo na ocorrência de transmissão em nível epidêmico por quaisquer um dos três tipos de arbovírus, faz-se relevante a detecção precoce e oportuna dos arbovírus circulantes para maior agilidade no desenvolvimento das ações de prevenção e controle na rede de atenção. Para tanto, a Comissão Intergestores Bipartite do Estado de São Paulo – CIB/SP, em sua 317ª reunião ordinária realizada em 18/11/2021, através da Deliberação CIB nº 152/2021, aprovou o protocolo para implantação de Unidades Sentinela como estratégia no monitoramento da circulação de arbovírus no Estado de são Paulo. Neste sentido, estabeleceu-se três polos de monitoramento viral, sendo o município de Santos contemplado, além de outros dois municípios na Baixada Santista. A Unidade Sentinela de Santos foi implantada em 13/07/2022.
Detectar precoce e oportunamente os arbovírus circulantes na região, possibilitando o mapeamento da distribuição geográfica na cidade; Auxiliar na adoção de medidas mais adequadas de enfrentamento das arboviroses, além de fornecer indicadores epidemiológicos que apoiem a definição de áreas prioritárias de intervenção.
O protocolo do Sentinela Arboviroses contempla selecionar duas amostras semanais de pacientes elegíveis, coletadas em dias alternados. Estas amostras são encaminhadas ao laboratório municipal de Santos, sendo posteriormente direcionadas para o Laboratório de Saúde Pública de Referência – IAL, para serem processadas pela metodologia de RT-q PCR para Dengue, Chikungunya e Zika, em amostras de soro coletadas até 5º dia do início de sintomas. Como critério de eleição, os pacientes precisam apresentar febre, acompanhado de pelo menos um dos seguintes sinais e sintomas, iniciados nos últimos cinco dias: exantema maculopapular ou cefaleia, ou dor retro orbitária, ou mialgia, ou artrite, ou artralgia intensa, e que não tenha outro diagnóstico que justifique o quadro febril. Colhe-se exames laboratoriais, notifica-se o paciente suspeito e, a partir das fichas de notificação compulsória, a Vigilância Epidemiológica elege os casos para o monitoramento viral. A experiência de análise dos dados foi realizada pela equipe da vigilância epidemiológica desde 2023 ano fechado. Portanto, foram analisados os dados do monitoramento dos anos de 2023 e 2024.
Durante todo o ano de 2023, foram elegidas e encaminhadas 96 amostras de pacientes, sendo 83 de pacientes residentes do município de Santos e 13 de outros municípios. Das 96 amostras selecionadas, 6 casos foram positivos para Dengue do Tipo 1, sendo todas pertencentes ao município de Santos. No ano de 2024 foram elegidas 102 amostras, sendo 92 de pacientes residentes no município de Santos e 10 de pacientes residentes em outros municípios da Baixada Santista. No que cerne a resultado laboratorial, 12 casos foram positivos para Dengue do Tipo 1. Em outros sentinelas da região, além do sorotipo 1, houve detecção do sorotipo 2. Sabe-se que já há circulação viral de todos os sorotipos no país, porém na Baixada Santista, destacam-se os sorotipos 1 e 2.
Considera-se esta estratégia de detecção dos sorotipos de arboviroses um método inovador no município, pois além de se conhecer os sorotipos circulantes, serve como orientação aos serviços de assistência da rede de atenção à saúde, primária e especializada, para que possam revisar seus protocolos e fluxos assistenciais ao paciente e façam os ajustes que eventualmente se fizerem necessários, com base nos indicadores epidemiológicos apresentados no monitoramento, trazendo melhorias para as linhas de cuidado.
Arboviroses, detecção, sorotipos.
FABIANA LOYDE WAKAI JORGE PINHO, LUCIANA SOUZA DA ASSENÇÃO DE JESUS, DEBORA SANTOS COSTA, DANIELLI SOUZA NASCIMENTO PEREIRA, MARIANA MOREIRA BONIFÁCIO, LARISSA BUENO GOMES, WILLIAN MARQUES FIORATTI