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Este trabalho aborda a implementação de um fluxo intersetorial através do Sistema de Notificação de Violência (SISNOV) em Campinas. O SISNOV) foi implantado em junho de 2005 é um sistema eletrônico que registra casos de violência doméstica, sexual, interpessoal, intrafamiliar ou urbana/comunitária de maneira intersetorial, casos de violência doméstica, sexual e outros tipos, envolvendo diversas secretarias municipais. Nos últimos três anos, observou-se um aumento de 79% nas notificações, o que motivou a organização de fluxos envolvendo as vigilâncias epidemiológicas distritais e os distritos sanitários de saúde. Considerando a alta incidência de tentativas de suicídio e a dificuldade dos profissionais em abordar essa temática, o objetivo principal é garantir que as unidades de atenção primária, por estarem mais próximas do território das vítimas, recebam informações sobre os casos de violência. Isso possibilita um cuidado oportuno e a interrupção do ciclo de violência, especialmente quando as vítimas não procuram diretamente os serviços de referência. A violência é um problema complexo, e ampliar a informação na rede de cuidado é fundamental para oferecer serviços de qualidade e atender às necessidades dessas pessoas.
Identificar os tipos mais comuns de violência, o grau de vulnerabilidade das vítimas, a idade e o território de moradia através das notificações do SISNOV; e estabelecer um fluxo de encaminhamento para as unidades de atenção primária de referência, através das vigilâncias distritais, distritos sanitários de saúde e demais serviços de assistência. Com intuito é intervir, minimizar e inserir a pessoa em algum tipo de tratamento adequado e inclusivo em nossos serviços, para proteção e interrupção deste ciclo de violência.
Foi tabulado e organizado e então disponibilizada mensalmente uma planilha no Drive Municipal para os distritos de saúde e Vigilâncias Epidemiológicas de sua área de abrangência. Essa planilha identificará as vítimas e o tipo de violência sofrida (tentativa de suicídio, sexual, física e negligência/abandono) daqueles identificados como vulneráveis – idosos, crianças e adolescentes e deficientes físicos, além dos casos que são identificados como duplicados/recorrentes.
Com essas informações, as unidades de referência podem, de acordo com sua estratégia, contatar a vítima e oferecer tratamento adequado e efetivo para o seu restabelecimento físico e psíquico. A organização deste fluxo visa suprir a falta de informação das unidades sobre usuários do seu território que são vítimas de violência, garantindo que recebam o cuidado necessário. Com a implementação do fluxo intersetorial se torna possível a identificação de casos de violência pelas unidades de atenção primária e, consequentemente, o número de encaminhamentos para serviços de tratamento e apoio. Consequentemente tenhamos a redução da reincidência de casos de violência e na melhoria da qualidade de vida das vítimas, promovendo a interrupção do ciclo de violência. Além disso, a iniciativa visa fortalecer a articulação entre os diferentes setores da rede de atenção à saúde e assistência social, otimizando o uso dos recursos disponíveis e garantindo um cuidado mais integral e coordenado.
A criação de estratégias efetivas de proteção e promoção à saúde é essencial diante do cenário de mortes violentas e doenças mentais. O trabalho intersetorial, facilitado pelas tecnologias de informação e comunicação, promove ações eficazes relacionadas às violências. A descentralização das informações qualifica o cuidado, transformando dados em ações rápidas e efetivas, evitando estatísticas trágicas e sequelas irreversíveis. Acreditamos que este fluxo intersetorial do SISNOV pode evitar mortes e melhorar a qualidade de vida das vítimas de violência em Campinas.
SISNOV,violência,fluxo intersetorial
JULIANA MARTINS ORTIZ DE CAMARGO BASSUL, ANA PAULA CRIVELARO FERREIRA, JULIANA NATÍVIO