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A Sífilis gestacional é uma infecção sexualmente transmissível (IST), causada pela bactéria Treponema pallidum, que, quando não diagnosticada e adequadamente tratada, pode trazer graves consequências para a gestante e o feto. Essa condição é considerada pela OMS um grave problema de saúde pública impactando diretamente os indicadores de morbimortalidade materno-infantil. Considerando a relevância do tema e o número de casos no município, bem como a indicação do Ministério da Saúde sobre o enfrentamento a Sífilis gestacional e congênita, incentivando a Certificação da Eliminação da Transmissão Vertical de HIV, Sífilis e Hepatite B pelos municípios, considerou-se a necessidade de criação de um Grupo de Trabalho participativo, formado por profissionais de áreas da Secretaria da Saúde diretamente e indiretamente envolvidas no cuidado com a gestante. O Grupo Técnico foi criado no ano de 2023, publicado em órgão de imprensa oficial, tendo representantes da Atenção Primária, Atenção Especializada, Maternidade e Vigilância Epidemiológica.
O objetivo do Grupo Técnico é fortalecer o seguimento do binômio mãe-bebe na rede de atenção à saúde por meio de ações coordenadas, utilizando ferramentas que permitam o monitoramento do tratamento das gestantes diagnosticadas com Sífilis durante o pré-natal, revisão e implementação de protocolos de atendimento, discussão de casos para apontamento de recomendações e ações voltadas as unidades básicas de saúde, capacitação de profissionais de saúde para identificação, tratamento, notificação e seguimento dos casos identificados.
A partir do convite aceito pelos representantes das áreas pertencentes a Secretaria de Saúde, estabeleceu-se a rotina de reuniões mensais, sendo realizadas na terceira quarta feira de cada mês, foram criadas ferramentas de compartilhamento de dados entre as áreas participantes para seguimento dos casos tais como planilhas com registro caso, data da medicação e seguimento, além do controle nominal das crianças diagnosticadas e expostas para acompanhamento na rede. O grupo levantou, por meio de formulários respondidos pelos profissionais de enfermagem, as dúvidas sobre protocolos, definindo e estabelecendo condutas de atendimento com publicação e divulgação de documentos norteadores. A fim de potencializar as ações de controle e estabelecer canais de comunicação mais efetivos foram realizadas reuniões presenciais com todos os profissionais de saúde apresentando dados relativos aos casos e as dificuldades observadas no manejo. Concomitante ao trabalho de esclarecimento dos profissionais foi ampliado o horário de atendimento em todas as unidades básicas para a promoção do acesso ao tratamento da gestante e parcerias, garantindo acesso ao medicamento em todas as unidades do município.
Os resultados obtidos no biênio 2023-2024 indicam que a Sífilis gestacional continua sendo um problema significativo de saúde pública, com alta prevalência de casos notificados demonstrando claramente que os profissionais de saúde que atuam na rede são capazes de identificar o risco associado ao diagnóstico da gestante. Observou-se que no ano de 2022 do número total de gestantes do município de Osasco 4.31% foram diagnosticadas e notificadas como portadoras de Sífilis gestacional, no ano de 2023 este percentil subiu para 5,80% e no ano de 2024 chegou a 8,02% de gestantes acompanhadas em nossa rede de saúde, com realização de teste treponêmico (Teste Rápido) em 100% das gestantes e confirmação de diagnostico com teste não treponêmico (VDRL) em 86,6%, significando a ampliação do diagnóstico precoce, sendo que 90,14% das gestantes diagnosticadas foram submetidas ao tratamento com Penicilina Benzatina. Os dados apresentados demonstram o compromisso da rede de saúde com o controle da doença.
A Sífilis gestacional ainda é um grave desafio de saúde pública, principalmente em áreas de alta vulnerabilidade social, conforme demonstrado pelo Ministério da Saúde. O município de Osasco, como parte da região metropolitana da maior cidade do país também encontra nas questões sociais barreiras significativas, principalmente relacionadas a adesão e acompanhamento das parcerias sexuais. Entretanto o grupo técnico tem avançado no fortalecimento das ações de diagnóstico precoce e tratamento, acompanhando efetivamente os casos de maior complexidade, promovendo ações de capacitação dos profissionais para maior engajamento nas estratégias de prevenção e cuidado. O controle da Sífilis gestacional é um resultado possível, desde que haja investimento em medidas que garantam o cuidado integral à gestante e seus parceiros, proporcionando a eliminação da transmissão vertical, sua mais grave sequela.
Sífilis Gestacional, Sífilis Congênita, Controle
NEIDE DA CRUZ, RAFAEL DE SOUSA ALVES, ISMÁRIA C. FRANCCI, MONICA CRISTINA DA SILVA ANDRADE, ALAN SILVA CRIPALDI, SATIRO MARCIO IGNACIO JUNIOR