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As mudanças climáticas vêm alterando o cenário das estações do ano, algumas décadas atras São Paulo recebia o título de terra da garoa, clima do período de inverno, nos dias atuais o período de inverno apresenta cenário de clima seco e de baixa umidade do ar. Entre os meses de julho, agosto e setembro de 2024 os munícipes vivenciaram dias de péssima qualidade do ar, sendo indicada pela mídia como a pior cidade do mundo. O período seguiu com baixa umidade do ar, presença de fumaça proveniente das queimadas do centro oeste, de municípios no entorno da cidade e de queimadas em parques municipais, além de períodos de ondas de calor. O município conta com estações de medição para poluentes atmosféricos, temperaturas, precipitações, não tendo medidores que constatem os efeitos a saúde da população, para tanto utilizamos os dados de atendimentos de saúde. O programa de Populações Expostas aos Poluentes Atmosféricos – Vigiar tem em uma de suas estratégias, as Unidade Sentinela (US) do Vigiar, idealizada pelo Ministério da Saúde, exerce a vigilância epidemiológica para as doenças respiratórias, com um ou mais sintomas respiratórios como: dispneia, sibilos e tosse que podem estar associados a outros sintomas como asma, bronquite, e infecção respiratória aguda, o município trabalha com os atendimentos de crianças menores de 5 anos, visto que são as mais suscetíveis aos efeitos deletérios da poluição.
Demostrar os problemas de saúde da população devido aos efeitos ambientais da qualidade ruim do ar, seguida de altas temperaturas e baixa quantidade de chuvas no período entre julho, agosto e setembro no município de São Paulo. Mapear e analisar os dados de altas temperaturas, baixa umidade do ar e precipitações do Centro de Gerenciamento de Emergência Climaticas (CGE), poluição do ar por queimadas com os dados de cicatriz de queimadas da Secretaria do Verde e Meio Ambiente (SVMA), e material particulado (MP 10) e (MP2,5) da Companhia Ambiental do estado de SP (CETESB), no município de SP no período de julho, agosto e setembro de 2024, para comparativo dos eventos com os atendimentos das Unidades Sentinelas do VIGIAR, e os atendimentos por hipótese diagnósticas no Sistema Integrado de Gestão de Assistência à Saúde – SIGA pela Coordenação de epidemiologia e Informação (CEINFO) da Secretaria Municipal de Saúde – SMS-SP.
No período de julho a setembro verificamos os atendimentos em saúde pela rede assistencial da Secretaria Municipal de Saúde SMS- SP, e os atendimentos das Unidades Sentinela do Vigiar, segundo CID 10 selecionados Asma (J45), Bronquite (J20; J40 a J42), Tosse (R05) e Infecção Respiratória Aguda (J00; J01; J03; J06; J10 a J18; J21; J22). Na rede assistencial foram identificados casos por data de atendimentos, e os atendimento de crianças menores de 05 anos com tosse, e/ou sibilos, e/ou dispneia por data de início de sintomas nas 13 Unidades Sentinelas do Vigiar, implantadas até o final de setembro. Os atendimentos foram inseridos em gráficos e comparados com os dados de Temperatura Máxima, Umidade Relativa do Ar e Precipitação do CGE e os dados de Material Particulado (PM 10) partículas inaláveis, Material Particulado (PM 2,5) partículas inaláveis finas da CETESB e Cicatrizes de Queimadas da SVMA.
Nos meses de julho, agosto e setembro o município de São Paulo entrou em estado de alerta gerado pelo CGE, com 34 decretos de Baixa Umidade do Ar, 22 dias com chuvas, 16 dias com temperatura acima de 32°C, a SVMA identificou 63 Cicatrizes de Queimadas no período. Na rede assistencial foram 534.129 atendimentos por data, e 2.428 atendimentos por início de sintomas, de crianças menores de 05 anos com tosse, e/ou sibilos, e/ou dispneia por data de início de sintomas nas 13 Unidades Sentinelas do Vigiar, implantadas até o final de setembro. Tanto os atendimentos assistências quanto os atendimentos nas Unidades Sentinela do Vigiar, quando analisadas, demonstraram alta nos períodos mais intensos de poluição e Baixa Umidade do Ar com períodos de ondas de calor, porem nas US do Vigiar nos eventos de alta da poluição e da Baixa Umidade, nos eventos que tinham precipitação se verificou a queda nos atendimentos por início de sintomas, o mês que teve mais atendimentos foi o de agosto, período de menor quantidade de precipitações com maior quantidade de cicatriz de queimadas, seguido por setembro com mais decretos de Baixa Umidade do Ar.
Visto que, as mudanças climáticas estão cada vez mais frequentes, existe a necessidade de dados e medidores que demonstrem os efeitos do clima na saúde da população. Os dados de início de sintomas das Unidades Sentinela do Vigiar se mostram eficientes quando comparados aos dados de baixa umidade do ar, altas temperaturas, precipitação e poluição atmosférica, refletindo os efeitos do clima na saúde da população, sendo de grande importância para realização, avaliação e monitoramento em Saúde pública.
Mudanças climáticas, Qualidade do ar ,São Paulo
MAGALI ANTONIA BATISTA