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O tracoma é uma inflamação crônica da conjuntiva e da córnea causada pela Chlamydia trachomatis. A infecção ativa afeta, principalmente, pré-escolares e escolares. Nos períodos iniciais, o tracoma aparece em forma de conjuntivite folicular, com hipertrofia papilar e infiltração inflamatória na conjuntiva. A doença pode evoluir com o aparecimento de cicatrizes na conjuntiva e, nos casos mais graves as cicatrizes se confluem, podendo deformar a pálpebra, produzindo entrópio (inversão das pálpebras) e triquíase. Estas lesões podem mecanicamente produzir abrasões corneanas podendo, consequentemente, levar a perda da visão. A Organização Mundial de Saúde (OMS) propõe a eliminação do tracoma como causa de cegueira. Para alcançar este objetivo, preconiza a utilização da estratégia sob o acrônimo em inglês SAFE que significa S – cirurgia dos casos de TT, A – antibioticoterapia nos casos de tracoma ativo, F – higiene facial e E – melhoria no meio ambiente. O Ministério da Saúde (MS) está em fase de validação da eliminação do tracoma em território nacional. Para alcançar esse certificado vem realizando o “Inquérito nacional de prevalência para a validação da eliminação do tracoma”, de acordo com as orientações das diretrizes do Global Trachoma Mapping Project (GTMP) da OMS. A Secretaria Municipal de Saúde de Itaquaquecetuba, diante deste compromisso com o MS, promove ações para o enfrentamento de eliminação do Tracoma como causa de cegueira, realizando inquérito domiciliar.
Contribuir para eliminação e certificação do tracoma como causa de cegueira no Município de Itaquaquecetuba. Objetivos Específicos •Intensificar as atividades de vigilância epidemiológica e controle do tracoma no Município de Itaquaquecetuba – GVE VIII – Mogi das Cruzes, Estado de São Paulo para pleitear a certificação de eliminação do tracoma como causa de cegueira, junto a OMS. •Conhecer a situação epidemiológica do tracoma nas áreas de risco para a implementação das atividades de tratamento e controle dos casos de tracoma. •Realizar ações de Educação em Saúde.
A Secretaria de Estado da Saúde, por meio do Centro de Oftalmologia Sanitária do Centro de Vigilância Epidemiológica está desenvolvendo o inquérito epidemiológico domiciliar de tracoma com o objetivo de conhecer a prevalência de tracoma ativo em crianças de 1 a 9 anos, 11 meses e 29 dias de idade para certificação da eliminação do tracoma como causa de cegueira. O inquérito epidemiológico domiciliar será por conglomerados, onde a unidade amostral é o domicilio. Utilizando os dados, por setor censitário do IBGE (2010) dos municípios escolhidos para fazer parte da amostra, serão montadas as Unidades primárias de amostra (UPA), que seu tamanho corresponde à média de crianças por setor censitário. Após a montagem de todas as UPAs, elas serão definidas por sorteio sistemático. Uma vez selecionadas as UPAs, é necessária uma operação de campo que consiste no levantamento e especificação de todos os domicílios existentes nestes setores censitários. O objetivo desse levantamento é obter um cadastro atualizado dos setores censitários e saber o número total de crianças na faixa etária de 1 a 9 anos de idade, identificando os domicílios da amostra. O Município de Itaquaquecetuba teve elencados 11 UPAs para realizar as ações as quais compõem diversos bairros do Município. Toda as atividades executadas em campo foram padronizadas pela Divisão Técnica de Oftalmologia do CVE, abrangendo o preenchimento do questionário, avaliação ocular com a tabela de Snellen e exame do tracoma.
As ações do inquérito domiciliar do Tracoma estão sendo realizadas desde de 2023 com objetivo de identificar casos em crianças de 01 a 09 anos de idade. Até o momento foi realizado o inquérito em 06 UPAs. A execução das atividades nos domicílios possibilitou um melhor olhar para a realidade daquela população/bairro. Encontraram-se diversos aspectos diferentes desde infraestrutura domiciliar, necessidades relacionadas a saúde e ao social. Cada grupo pode trabalhar individualmente as orientações relacionadas a educação em saúde do tracoma, conforme a realidade da família, abordando os cuidados de higiene corporais e melhorias de cuidados domésticos como limpeza e controle de vetores. Durante o trabalho de campo identificaram-se crianças e adultos com baixa acuidade visual além de outras alterações oculares, os quais foram encaminhamos para avaliação oftalmolmológica. Nas UPAs foram identificadas 05 crianças com tracoma, tratadas concomitante com seus familiares. Nenhum adulto apresentou a doença. Das crianças identificadas, a busca ativa foi ampliada para suas respectivas unidades escolares (inquérito escolar), justificada pela transmissibilidade da doença, de pessoa para pessoa ou indiretamente por meio de objetos contaminados. Dentre as 02 unidades do inquérito escolar, 01 unidade escolar possuía outros 10 casos. Nessa unidade realizou-se todas as ações de educação em saúde, tratamento e prevenção. Na outra unidade não foi identificado nenhum outro caso.
O desenvolvimento de ações educativas em saúde tem importante impacto no trabalho de prevenção e controle de doenças, mobilizando a comunidade para criar recursos e participar ativamente do processo. As atividades executadas nos domicílios proporcionaram uma maior eficácia nos processos das ações de promoção, prevenção e educação em saúde no contexto do tracoma. Uma grande dificuldade encontrada deve-se ao pouco conhecimento da doença pela população e até mesmo dos profissionais de saúde atuantes na unidade de referência daquele setor censitário. Diante dessas dificuldades pudemos informar, orientar e sensibilizar a população e os profissionais sobre a doença e a importância de medidas de prevenção e controle do tracoma como causa de cegueira.
Tracoma, Vigilância Epidemiológica, VE
ELIANE RODRIGUES PADOVAN DE QUEIROZ, DAYAN DE BARROS MARTINS, MIRTES LUCIA MONTEIRO ESPINDOLA, ANGÉLICA ROCHA DE MACEDO