Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
Ribeirão Branco é um município localizado no sudoeste paulista, geograficamente limitado por Itapeva, Nova Campina, Guapiara e Apiaí. A sede fica a 874 metros de altitude e o clima é do tipo temperado. O município tem como característica forte a economia baseada na agricultura e silvicultura. Durante a epidemia de Dengue de 2024, como todos os municípios da região, o número de casos aumentou drasticamente, notando-se a necessidade de medidas e ações ainda mais intensas para prevenção e redução do número de infectados, a propagação de informações educativas e a eliminação dos criadouros. Para desenvolver iniciativas de combate à Dengue, foi criada a Sala de Situação, onde todos os gestores e secretarias municipais se reúnem para avaliar a situação epidemiológica, discutir estratégias e definir ações a serem tomadas. É essencial contar com o apoio de diferentes pastas, pois levando em conta a estrutura complexa do município (possuindo dois distritos, além da cidade), todo o conhecimento e discernimento concentrado nesses gestores e suas equipes precisa ser levado em conta no desenvolvimento de diretrizes para conter o avanço da doença no município. Pensando também na segurança e saúde de futuras mães e seus bebês, grupos de risco suscetíveis a complicações mais severas com a doença, tornou-se necessário garantir essa proteção adicional que os repelentes oferecem.
Os principais objetivos dessas ações são transformar cidadãos em vigilantes nas ações de combate ao mosquito transmissor. Os mutirões promovem limpeza de ruas, avenidas, quintais, obras e terrenos baldios, ações importantíssimas para erradicar a proliferação das arboviroses, contudo é preciso contar também com a transformação dos cidadãos. A Dengue é uma pauta coletiva, e não deve ser colocada em foco apenas nos momentos de risco: que antecedem epidemias, que a temperatura favorece o surgimento de focos, e sim durante todas as estações. O objetivo é incentivar moradores a realizar a limpeza dos quintais, descartar corretamente os objetos inservíveis, e educá-los a respeito de recipientes que apesar de não apresentarem riscos, também se tornam criadouros de mosquitos. Com o apoio das distintas secretarias municipais, essas ações se tornam ainda mais impactantes para os moradores, já que mobilizações com diversos grupos tendem a gerar uma impressão ainda maior na população.
A metodologia consta principalmente de planejamento e logística. É necessário considerar as áreas prioritárias a partir de ADL, vistorias, notificações, discussões com agentes de saúde e histórico local. Conduziu-se reuniões de alinhamento com as equipes envolvidas, e com as secretarias municipais e os assessores de cada setor. Também está sendo realizada a distribuição de repelentes para mulheres grávidas. Os materiais utilizados incluem sacos de lixo, EPIs (luvas e máscaras) e panfletos educativos alinhados com orientações da equipe. Também foram realizadas campanhas de conscientização por meio de redes sociais, rádios, carros de som, e grupos de WhatsApp dos bairros. Na execução, as equipes são divididas de acordo com a familiaridade dos membros dos grupos com a área em questão, e enquanto a orientação e distribuição de panfletos é feita com os moradores, também é realizado vistoria do quintal, com trabalho focal utilizando o larvicida Vectobac WG em recipientes com água fixos: os que não podem ser esvaziados, enquanto é usado o trabalho mecânico em recipientes móveis. Também é realizada a coleta de materiais (entulhos, pneus, recipientes com água, lixo) em caminhões. As atividades foram registradas em vídeo, com contagem de imóveis visitados, focos encontrados e ações realizadas (mecânicas e focais). Houve alinhamento com equipes de atenção primária sobre o manejo clínico de casos suspeitos de Dengue, garantindo a padronização do atendimento aos pacientes com sintomas.
Em todos os mutirões realizados, foram visitados cerca de 1500 imóveis ao longo do município. Ao levar em conta áreas mais necessitadas, nota-se que a Dengue virou assunto de discussão entre a população e é essa a intenção, mostrar que os criadouros se escondem em nossos quintais, e precisamos fazer nossa parte. Em todas as ações, foi encontrado cerca de 40 focos com larvas, no qual todos foram eliminados. Mais de 2000 panfletos educativos foram distribuídos entre a população, seja em residências ou em comércios. A área coberta é relativamente bem distribuída ao longo da geografia do município. Os distritos de Itaboa e Campina de Fora foram visitados, assim como os bairros Caçador dos Glauser e Caçador Brasilio. Na cidade, foi realizado mutirão na Vila da Paz (Baixada), e na Vila São José. Todas essas localizações já tiveram casos anteriormente, por isso foi feito o reforço. Já se nota maior agilidade no manejo e diagnóstico clínico graças à capacitação das equipes primárias, e é perceptível a melhora na comunicação entre a vigilância e as unidades de saúde. Nos mutirões, percebe-se a participação cada vez mais ativa dos moradores em conjunto com as equipes na limpeza e prevenção. Até o momento, temos cinco casos confirmados de Dengue em nosso município, e espera-se manter esse número baixo com todo esse trabalho desenvolvido.
Com temperaturas subindo e o número de casos cada vez maior, transformar a população em vigilantes de apoio é essencial para o controle da Dengue. É importantíssimo ressaltar que esse trabalho conjunto entre vigilância epidemiológica, atenção primária e a comunidade é essencial para atravessarmos esse período difícil. A redução de criadouros, a conscientização coletiva e a melhora no manejo clínico de casos são elementos que formam uma base sólida para combater o avanço da Dengue. Nota-se a dificuldade e a resistência da população com acúmulo de lixo nos quintais e terrenos baldios, mais uma vez reforçando a necessidade do trabalho em conjunto com áreas como Meio Ambiente e Defesa Civil. Esse trabalho é contínuo, pois a luta não tem fim. Será necessário continuar a realização dos mutirões em outras áreas de risco do município, e o ideal seria cobrir todo o território. A ampliação das parcerias com outros setores também se mostra essencial. Para finalizar, é preciso agradecer o empenho das equipes envolvidas, seja da saúde ou outras secretarias, e em especial a colaboração da população. A Dengue é uma guerra contínua, e precisamos do apoio de todos.
dengue, vigilância epidemiológica, mutirões
VINICIUS DE ALMEIDA CAMARGO, VANESSA DE ALMEIDA SOUZA SILVA, TATIANE RODRIGUES MACARRONI PASSARO, ANA CAROLINE FELDHAUS