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A incontinência urinária (IU) é a perda involuntária de urina, sendo multicausal, os tipos comuns de IU são por esforço (IUE) caracterizada por perda de urina ao tossir, espirrar, levantar peso entre outros esforços, urgência (IUU): caracterizada por perda de urina devido a sensação de bexiga cheia e mista (UIM): definida pela presença da Incontinência Urinária de Esforço e Urgência concomitante1,3. No Brasil 20 a 43% das mulheres sofrem com alguma perda urinária4. No estudo5 de Kessler et al., 2018, a prevalência de incontinência urinária foi de 26,9% entre mulheres idosas. Acredita – se ainda que a IU ainda é muito subnotificada e intervenções conservadoras são geralmente recomendadas como primeira linha de tratamento1,2. A Atenção Primária à Saúde (APS) como porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS) é um cenário de assistência onde os usuários apresentam as mais variadas demandas de saúde e sendo enfermeiro sendo um profissional chave no contexto da APS, o qual por meio da Consulta de Enfermagem, faz com que o enfermeiro tenha uma atuação no serviço de saúde, capaz de assistir o paciente em uma perspectiva relacionada ao cuidado integral5,6.Há parecer técnico do COREN-SP nº15/2022, o qual respalda a atuação do Enfermeiro na Reabilitação do Trato Urinário Inferior. Assim, tendo em vista, as demandas identificadas no NSF3 durante as consultas de enfermagem relacionadas à Incontinência Urinária na população de mulheres, justificou-se este relato de experiência.1
Caracterizar a atuação a atuação do Enfermeiro na Consulta de Enfermagem com o enfoque do Treino da Musculatura do Assoalho Pélvico (TMAP) e identificar as características sociodemográficas e clínicas das pacientes assistidas com queixas de Incontinência Urinária neste serviço de APS.
Este relato de experiência profissional7 foi conduzido por Enfermeira Estomaterapeuta em Unidade de Saúde da Família do Sistema Único de Saúde em um município do interior de São Paulo. A enfermeira após identificar a demanda de queixas de IU, iniciou o atendimento de treino de musculatura do Assoalho Pélvico (TMAP) em consultas de enfermagem a partir em junho de 2022 e segue mantendo os atendimentos até os dias atuais (Julho de 2023). O Treino da Musculatura do Assoalho Pélvico é baseado em uma consulta de enfermagem, que após uma coleta do histórico de enfermagem dirigida a saúde da mulher e queixa ou risco de incontinência urinária é explicado o tratamento baseado no treino, o qual consiste no “Protocolo Avaliação e treinamento da musculatura do assoalho pélvico para atendimento à mulher com incontinência urinária1”, proposto por Assis et al. 2021. Ressalto sendo que até o momento foi utilizado apenas o Fluxograma e o treino de Fraqueza do músculo perineal (alteração de força da MAP) e Resistência do músculo perineal prejudicada (alteração de sustentação da MAP). O protocolo utilizado foi escolhido pela aplicabilidade no cenário a atenção primária a saúde. Foram utilizados dados secundários de prontuários de pacientes em seguimento no serviço. Os danos analisados foram faixa etária, tipo de incontinência urinária, Quantidade de Consultas de Enfermagem para Treino da Musculatura do Assoalho Pélvico, frequência que a paciente realiza o treino em domicílio.
Quanto ao estado civil / situação conjugal, 71,4% são casadas, 85,7% se autodeclaram brancas, quanto à idade das participantes, estas estão em uma faixa etária de 31 a 78 anos, sendo a média de idade é de 52 anos, foram ofertadas pela Enfermeira 20 sessões de Treino de Assoalho Pélvico para um total de 06 pacientes. Quantidade de Consultas de Enfermagem as quais as pacientes foram submetidas para treino do assoalho pélvico, 25% passaram por 01,03,04 ou 05 ou mais consultas para TMAP respectivamente. A média de sessões realizadas por paciente foi 3,3 sessões, sendo que a paciente que foi submetida a mais a sessões de TMAP participou de 08 sessões. 42,8% estão na menopausa. 85,7% tiveram 03 gestações ou mais, 50% das pacientes com Incontinência Urinária de Esforço, 25% com incontinência urinária de Urgência e 25% com Incontinência Urinária Mista (25%). Escala de Oxford na primeira consulta 42,8 % score 03, frequência que a paciente realiza TMAP no domicílio conforme a prescrição do Enfermeiro, 75% responderam duas vezes por semana. Todas as mulheres que iniciaram o tratamento de TMAP para tratamento da incontinência urinária ainda não receberam alta do seguimento.
Este relato de experiência permitiu explicitar que o serviço de Atenção Primaria é um cenário favorável para que o Enfermeiro oportunize a assistência a pessoas com IU em consulta de enfermagem com a avaliação da MAP e indicação dos exercícios de TMAP para mulheres tanto com queixa ou risco para IU. É importante ressaltar que em um intervalo de aproximadamente um ano, o atendimento a apenas sete pacientes é o início de uma assistência que pode ser ampliada, mas que esbarra em todo o núcleo de competência clínica que circunda todas as atribuições do enfermeiro na APS em comparação com a abrangência que poderia ter se ocorresse em um serviço especializado de Estomaterapia para incontinências e identifica-se a necessidade de implantação de protocolos com a Gestão Municipal apesar de pareres técnicos do COREN/COFEN.
Incontinência Urinária,Atenção Primária à Saúde
LÍVIA MODOLO MARTINS