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As lesões crônicas são caracterizadas por sua longa duração, recorrência frequente, cicatrização lenta, em meses ou anos, além de acarretar incômodo ao cliente e também altos custos para o tratamento. Dentre as lesões crônicas, a úlcera de perna é uma síndrome caracterizada pela perda circunscrita ou irregular do tegumento (derme ou epiderme), podendo atingir subcutâneo e tecidos subjacentes, que acomete as extremidades dos membros inferiores e cuja causa está, geralmente, relacionada ao sistema vascular arterial ou venoso. As úlceras venosas são lesões crônicas associadas com hipertensão venosa dos membros inferiores e corresponde a percentual que varia aproximadamente de 80 a 90% das úlceras encontradas nesta localização e configuram problema mundialmente grave, sendo responsável por considerável impacto socioeconômicas.(Frade,2005) Os profissionais enfermeiros são qualificados para tratar lesões, devido sua capacidade de classificar o grau das feridas de forma criteriosa e tomar decisão de qual tipo de cobertura será mais adequada para cada caso (Batista et al, 2020; Oliveira et al, 2020). Desta forma, objetivou-se relatar sobre o acompanhamento e tratamento de uma lesão, utilizando-se de maior aproximação do enfermeiro no cuidado e nas orientações quanto à importância do acompanhamento na unidade básica de saúde, descrita neste estudo.
Trazer os pacientes de lesões crônicas, para realizar curativos na UBS (Unidade Básica de Saúde) Limério e proporcionar maior aproximação entre a atuação do enfermeiro e de sua equipe no acompanhamento evolutivo das lesões.
Estudo de caráter descritivo, qualitativo e retrospectivo, do tipo relato de experiência, cujo objetivo é descrever de forma precisa algo vivido de forma a poder contribuir com a comunidade científica (Mussi et al, 2021) . Objetivou-se descrever a história de um determinado paciente, bem como a resposta e evolução de sua ferida durante o tratamento em uma unidade básica do município de Santana de Parnaíba. Para a coleta de dados foram utilizados os registros evolutivos dos curativos realizados na unidade e registros fotográficos posteriores à assinatura do Termo de consentimento livre e esclarecido. O paciente ao dar entrada na unidade passa por um fluxo unidirecional de atendimento contando com: acolhimento, anamnese, descrição de sinais e sintomas, proposta terapêutica e encaminhamento para sala de curativo onde a avaliação da lesão é propriamente realizada. Por fim são realizadas as orientações quanto ao retorno e cuidados domiciliares. Ao final, foram agrupadas as informações pertinentes ao relato, consolidadas em um único documento que foi utilizado como embasamento para a construção deste estudo.
Foram realizados curativos no paciente que apresentava alterações psicossociais evidentes, com sinais e sintomas de tristeza, pois sua lesão na perna tinha rompido novamente e estava desde setembro de 2022 aberta, onde o mesmo já havia sido tratado com várias pomadas e sem resolução. Foi necessário introduzir novas estratégias para otimização da relação do paciente com a equipe. A construção da confiança foi aos poucos, pois ele não queria realizar o curativo na unidade básica de saúde. Com muito diálogo conseguimos trazer essa paciente para perto, e com isso passou a realizar os curativos na UBS. Com a confiança estabelecida, começamos os cuidados, a identificação e classificação da lesão, validando a etiologia em arterial, venosa, mista, com ou sem infecção. A evolução do tratamento desse paciente foi surpreendente, pois levou em torno de 6 semanas para completa cicatrização. Observamos que dos casos de feridas mais complexas e crônicas, quando realizado o curativo na UBS, o tempo de cicatrização é menor e a evolução mais satisfatória.
O presente estudo coloca em pauta a necessidade de aproximação da equipe de enfermagem no cuidado direto a lesões crônicas, com acompanhamento personalizado a cada paciente. Entendendo que as orientações e a evolução das lesões devem ser compartilhadas com o paciente e sua família, a fim de que dentro deste processo possam se sentir participantes. Fica evidente que a atuação profissional na Atenção Primária pode proporcionar desfechos mais favoráveis na evolução do curativo realizado para cada lesão, diminuindo os casos de egressos pela mesma patologia.
lesão por pressão, atenção básica, ferida crônica
Juliana Soares Flor, Ana Carolina Lima Barbosa, Suelene Machado Santana, José Carlos Misorelli, William de Brito, Maria Silvia de Almeida Mello Freire