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O contexto do tabagismo é permeado de múltiplos fatores, sendo necessário que as ações dirigidas a esse problema considerem seus determinantes, além das suas dimensões quanto às condições que levam a pessoa a fazer uso do tabaco, os processos de dependência nicotínica, bem como a motivação para o abandono. Diante das implicações em oferecer ações de saúde efetivas na redução do tabagismo, propõe-se uma adequação ao PNCT quanto ao uso do grupo e com uma visão mais humanizada e ampliada. Deste modo, sentiu-se a necessidade de modificar a abordagem dos grupos de tabagismo no município de São Manuel- SP, tendo como base, um grupo denominado “Grupo de Apoio” iniciado, no município, em 11 de agosto de 2023, formado por pacientes que participaram do grupo de tabagismo anteriormente e não conseguiram parar de fumar, cujos encontros foram realizados até a presente data. Foi elaborado um plano de intervenção diferenciado, com encontros abordando temas que recuperem a independência sobre as decisões simples da vida, de modo que os mesmos retomassem autonomia e assumissem uma rotina saudável. O foco está sobre o indivíduo e sua qualidade de vida, e não somente no cigarro, pois observamos durante o grupo de tabagismo, que muitos pacientes possuem baixo grau de dependência à nicotina; já no aspecto emocional, a dependência do tabaco estava relacionada a outros fatores adoecedores, como ansiedade, depressão, insônia e traumas, mais do que o própria dependência do tabaco.
Objetivo geral deste estudo é descrever o impacto na vida das pessoas quando ofertamos um grupo de apoio com fundamento não medicamentoso, desfocando o uso do cigarro como único problema, mas sim enfatizando o estimulo à autonomia dos indivíduos sobre suas vidas e nas tomadas de decisões, fatores que impactam positivamente a qualidade de vida. Temos como objetivos específicos: demonstrar que o tabagismo não apenas se apresenta como uma doença classificada de suas patologias próprias, mas também como um sintoma presente no adoecimento geral da sociedade, que se manifesta como o vício no tabaco; utilizar práticas integrativas como meditação e auriculoterapia no auxílio às crises de abstinência e tomada de decisões; orientar mudanças de rotina e estimulo as práticas de saudáveis, para melhorar a qualidade de vida dos participantes e auxiliar na cessação do tabagismo; e estimular entre os participantes rodas de conversas e estimulo à mudança de hábitos dentro de cada individualidade.
O presente estudo tem caráter quali-quantitativo, no qual descrevemos a criação de um grupo para pacientes que desejam para de fumar no município de São Manuel-SP, analisando o percentual de pacientes que pararam de fumar e o impacto auto referido na vida dos mesmos através de alguns relatos. O Grupo de Apoio é formado por médico, enfermeira e psicólogo, com encontros quinzenais, com ações de orientação, práticas em grupo, trocas de vivências e debates coletivos associados ao atendimento individual com psicólogo; o local para realização foi escolhido de forma estratégica, pois é de fácil acesso a todos os integrantes, localizado no centro da cidade. Durante as vivências, utilizamos uma abordagem específica, onde optamos retirar o cigarro da centralidade e incorporamos estímulos a hábitos de vida saudáveis, nos encontros foi realizado a aplicação de duas práticas integrativas: a meditação e auriculoterapia, e para o mês de abril está prevista a implantação da prática de Reiki. Como base teórica para o grupo, utilizamos um estudo baseado em 8 remédios naturais (temperança, água, ar puro, descanso, alimentação, luz solar, exercício e confiança em Deus), de positiva aceitação e adesão dos integrantes. Durante este trabalho, observamos nas bases de dados científicas a não existência de materiais que abordem essa temática descritas acima, associada a práticas integrativas direcionadas a pacientes tabagistas.
Utilizamos como base comparativa o Grupo de tabagismo iniciado em janeiro 2023, com foco no cigarro e fornecimento de medicamentos que auxiliam cessar o uso do tabaco. Durante os primeiros encontros tivemos o total de 105 pacientes; destes, evoluíram para iniciar com os medicamentos 58 integrantes e realmente pararam com o cigarro somente 5. (8,62%). O Grupo de Apoio começou em agosto, inicialmente com 21 pacientes, destes apenas 11 continuaram frequentando o grupo quinzenalmente no decorrer dos meses e destes 5 pararam de fumar, obtendo boa proporção (45,5%) quando comparado ao grupo de inicial. O grupo estudado foi composto de um homem e 10 mulheres. Quanto à idade, houve maior frequência de 50 a 60 anos (64%), cinco sujeitos relataram ter ansiedade e dois integrantes referem ter depressão, sete participantes relataram ter tentado parar de fumar anteriormente e cinco referem também dificuldades para dormir. Segue abaixo alguns relatos de pacientes, quando perguntado “o que acham do Grupo de Apoio”: “Quanto mais venho no grupo mais me fortaleço”,”Com o Grupo acreditei que poderia parar de fumar”,”Me senti bem, todos me ouviam”,”Estou me sentindo tão bem depois que entrei aqui”,”Encontrei amizade e apoio, pessoas que me acolheram”,” No começo não queria ir, quando vim, vi que era um grupo acolhedor”, ”O grupo foi o que precisava para parar de fumar, estava desesperado” e “Fui acolhida no grupo, não riram de mim por eu fumar e querer parar”.
Evidenciamos, com o grupo de apoio fragilidades e potencialidades. Quando falamos em fragilidade, abordamos falta de medicamento para cessar o uso do cigarro, bem como a não realização das práticas integrativas durante assistência e grupos terapêuticos com abordagem humanizada na saúde. Sobre potencialidades, seriam o espaço físico acolhedor e bem localizado para realizar as reuniões, profissionais de saúde capacitados envolvidos no projeto, realização de práticas integrativas nos encontros, boa participação dos usuários e taxa de abandono do cigarro positiva, bem como o compromisso da gestão municipal em que seja efetivado o atendimento a esse público, uma vez que no município não haja nenhum tipo de trabalho voltado para usuário (tabagista). No Município de São Manuel, com o Grupo de Apoio, recebemos da Diretoria incentivo, apoio e aquisição de insumos para que estas práticas sejam aplicadas com os pacientes dos grupos e posteriormente ampliada à toda comunidade. Sugere-se o incentivo na formação de profissionais da atenção básica em práticas integrais à saúde e assistência humanizada voltada às boas práticas para qualidade de vida, e que estas se tornem parte na rotina da assistência na atenção básica.
tabagismo, humanização , praticas integras
Leticia Alves da Silva, Gabriel Faria Correia