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A inserção da odontologia na Estratégia de Saúde da Família (ESF) foi essencial no cuidado de saúde bucal e integral do usuário na reorganização da Atenção Básica e o trabalhador da saúde deve se aproximar da realidade social e efetivar o processo de trabalho multiprofissional, caminho indicado nos princípios doutrinários e organizacionais do Sistema Único de Saúde. A Saúde Coletiva tem nas visitas domiciliares (VD) um dos eixos fundamentais na ampliação e estratificação do trabalho da equipe de Saúde Bucal (eSB) para acolher as pessoas e fornecer um tratamento universal, equânime e integral. Ilhabela tem população estimada em 34.934 pessoas (segundo o IBGE), possui 8 Unidades de Saúde da Família (USF) com 15 equipes da ESF e 12 eSB com cobertura de 100% de seu território com os Agentes Comunitários de Saúde (ACS). A USF da Água Branca (USFAB) possui 2 equipes da ESF e 1 de eAP e 2 eSB com aproximadamente 7.920 habitantes (Fonte: Ministério da Saúde). O profissional de saúde deve identificar a atenção priorizada de usuários e definir ações assistenciais e de promoção à saúde considerando o território e o seu trabalho social no planejamento da agenda. A formatação de uma agenda eficiente, que propõe uma ótica de intervenção com critérios epidemiológicos, equânime, universal e multiprofissional, deve estar inserida no processo de trabalho da equipe de Saúde Bucal (eSB) da Estratégia de Saúde da Família (ESF), principalmente reconhecendo o ambiente que acolhe.
Fornece uma visão ampliada de saúde pela equipe de Saúde Bucal, promover a saúde e prevenir os agravos, correlacionar o ambiente e a sociedade, identificar o território de abrangência de forma multiprofissional, planejar e a organizar os atendimentos da eSB, acolher a continuidade do cuidado, definir o fluxo de acesso aos atendimentos programados, proporcionar atividades ambulatoriais, fomentar visitas domiciliares, agregar a Vigilância em Saúde no território, criar busca ativa dos problemas de saúde locais e, alinhavar o vínculo da população com os trabalhadores da saúde.
Os percursos das VDs foram formatados na agenda odontológica com discussões em reuniões das equipes Salmão e Tubarão da USFAB. Para alcançar a comunidade “oculta” da cidade nos morros, vielas e ocupações irregulares, o transporte da unidade de saúde é compartilhado com a equipe médica, de enfermagem e ACS para diminuir insucessos da disponibilidade do veículo, a eSB realiza, rotineiramente, visitas quinzenais em períodos de 3 a 4 horas acolhendo cerca de 3 a 4 atendimentos domiciliares por viagem. A Escala Coelho é o instrumento de estratificação de risco familiar e vulnerabilidade específicas na área na interpretação de se fazem necessárias ações sociais e de saúde e reprogramação das estratégias de intervenção, entretanto, solicitações de equipe imediatas ou urgências são incorporadas na agenda para acolher as demandas. O principal olhar da eSB é voltado as prioridades estão alocadas em pacientes incapacitados de se locomover até a USFAB, mas o reconhecimento da área de abrangência é amplamente interpretado para que os profissionais de odontologia possam identificar sua área de abrangência. A possibilidade de executar pequenos procedimentos clínicos na casa do usuário é efetivada quando possível, essa atuação é acolhida dependendo da situação do paciente, a necessidade da intervenção e o tipo de técnica, sempre preservando a integridade da pessoa e a responsabilidade do profissional.
Com a possibilidade de retomada do atendimento em domicílio após a pandemia do Coronavírus a partir de 2022 e a necessidade de reorganização dos sistemas de saúde, as eSBs da USFAB observaram a demanda reprimida e a necessidade de acolhimento dos usuários com maior carência e se movimentaram nesse direcionamento. O relatório anual de 2022 do prontuário eletrônico municipal as 2 eSBs da USFAB realizaram 64,90% do total de VDs das 12 eSB de Ilhabela, sendo 42,1% da eSB Salmão e 22,8% da eSB Tubarão. No ano de 2023 as 2 eSB obtiveram o índice de 85,71% do total das VDs das equipes na cidade, com 57,14% da eSB Salmão e 28,57% da eSB Tubarão. Os índices acolhem informações das condições de vida e criam uma base para análise de situação de saúde-doença da USFAB programando ações a quem mais precisa, as agendas das eSB da ESFAB abrem acesso ao tratamento da população com mais vulnerabilidade, renomeando as condutas do município. Nesse sentido, na observação da portaria nº 960 de 17 de julho de 2023 do Ministério da Saúde (MS), que institui o Pagamento por Desempenho da Saúde Bucal na Atenção Primária à Saúde, no âmbito do Sistema Único de Saúde, onde um dos indicadores para pagamento ampliado é a “proporção de atendimentos domiciliares realizados pela eSB em relação ao total de atendimentos odontológicos individuais”, a USFAB efetiva os processos de trabalho relacionados as indicações do MS.
O planejamento da agenda da eSB deve seguir os princípios da ESF no acesso, equidade, longitudinalidade, integralidade e a coordenação do cuidado, e acolher a resolutividade e situação de saúde das pessoas e coletividade, compondo um cardápio de serviços na promoção à saúde, prevenção aos agravos e assistência. A logística das VDs são complexas e dificultosas, a comunidade vulnerável da USFAB é invisível e escondida da apresentação de uma cidade rica e turística, a carência das pessoas nesses locais é evidente e demanda maiores ações da Saúde. A eSB da USFAB interpreta a realidade social na leitura de seu espaço e acolhe as VDs em negociação no prover o cuidado centrado no indivíduo e coletividade, com olhar crítico e curioso, humanizado, abrangente, qualificado e resolutivo.
Visitas Domiciliares Odontologia
Antonio Carlos Cardoso Galante, Helena Ferri de Barros, Daniel José Lemes Soares, Kamila Moraes de Jesus, Fátima Cecília da Silva, Graziele da Silva Souza Cabral, Luciana Pereira Ferreira Alves, Natalia Cristina da Silva Santos