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O plano de trabalho que será apresentado conta com desafios no atendimento a saúde dos adolescentes, de 12 a 18 anos incompletos (adotamos definição do ECA, 1990) no que se refere a linha de cuidado integral. Observendo o crescente número de jovens do Municipio de Várzea Paulista e o indice de adolescentes se mutilando e em sofrimento emocional, que vinha se apresentado nas discussões de matriciamento em saúde mental, atraves dos serviços especializado de saúde Mental(SESM) e Centro de Atenção psicossocial adulto(CAPS AD), centro de atenção psicossocial infanto juvenil(CAPSIJ), propoe-se atendimento aos adolescentes da Unidade Básica de Saúde Vila santa Terezinha a partir de fevereiro de 2023. De acordo com o Ministério da Saúde produzir saúde com adolescentes e jovens, é traze-los para o centro do processo como sujeito de direitos(BRASIL, 2010); Foi atras dessa vivencia que fomos, as que levam os adolescentes a procurarem os serviços de saúde e de profissionais que reconhecessem essa tematica como pertencente a saúde. Não obstante a importancia da saúde mental, mas também pensando em outros complicadores que muitas vezes não são tratados como relevantes a saúde deste seguimento, necessitavamos buscar novas estratégias de atendimento, que tornassem interessantes aos jovens. Precisavamos ir além do atendimento médico, criar referencias Garantir o cuidado integraprofissionais, vinculo. Assim iniciamos atendimento semanais dos jovens com uma equipe paralela de profissionais.
Garantir o cuidado integral aos adolescentes ampliando seu acesso a Unidade Básica de Saúde. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: -Criar condições favoráveis para que os adolescentes pudessem pensar, escutar, sentir, falar sobre suas necessidades na área da saúde, trocando experiências individuais e coletivas, -Trabalhar em encontros coletivos a importância das diferenças, da aceitação e o pré-julgamento dentro do próprio grupo e com os atores externos, -Resgatar a autoestima e autonomia dos participantes sugerindo caminhos para se tornassem protagonistas de sua própria história, -Criar ambiência juvenil dentro da UBS para que os jovens se sentissem pertencentes a unidade, -Aprimorar o trabalho intersetorial com o Conselho Tutelar e com a Promotoria da Infância e Juventude para melhorar os direitos dos adolescentes e jovens, -Possibilitar encontros com a rede familiar ajudando a traduzir aos pais a importância do apoio e a compreensão das decisões individuais e vive versa.
O grupo que conduziu os encontros contou com a participação de profissionais da Unidade Básica de Saúde, do SESM (Serviço Especializado em Saúde Mental) e do CRAS CENTRAL (Centro de Referência da Assistência Social). Iniciamos os encontros com jovens que os casos já tinham sido discutidos em matriciamento. Toda construção partiu deles. Eles decidiram o número de participantes, eles traziam seus convidados, amigos que eles julgavam ser importantes estar no grupo e que eles confiavam. As pautas eram preparadas a partir do interesse expresso ou velado do grupo. A partir do 3º encontro ampliamos o convite para adesão as oficinas do CRAS como complemento. Os encontros eram semanais, as sextas-feiras na UBS e as terças e quintas-feiras no CRAS a tarde, horário pós aula escolar. Onde desenvolvemos durante 8 meses várias atividades: Abordagens e atendimentos individuais ao jovem, quando necessário, Trabalhos lúdicos em grupo, oficinas de aptidões, discussão de temas trazidos pelos jovens, como Bullying, Reuniões e atendimento individual para os pais, Atividades esportivas, artesanatos, conhecimento da realidade local, passeios. O monitoramento ocorreu através do levantamento de jovens atendidos antes e após a implantação do atendimento. Utilizamos também: Indicadores do SISPACTO e Ações do PAT–Programa de Avaliação do Trabalhador (Municipal) – onde é solicitado que ações das Unidades Básicas de Saúde sejam pautadas e acompanhadas no decorrer do ano.
-Fluxo de acesso organizado e instituído em relação ao atendimento dos adolescentes na Unidade de Saúde Santa Terezinha, -Fortalecimento da educação continuada entre os profissionais envolvidos proporcionada pelas discussões de casos realizadas em rede, -Adolescentes atuando como detectores e/ou captadores de outros com necessidades iguais direcionando-os para os serviços de saúde, -Jovens atuando como multiplicadores em oficinas temáticas reproduzindo seus saberes e vivências, -Identificação de lideranças entre adolescentes e jovens /familiares em busca de melhorias em seu território, -Resgaste dos elos afetivos com núcleo familiar, através de aproximação entre os adolescentes e jovens com seus familiares, -Aumento no número de adolescentes e jovens acompanhados nas Unidades Básicas de Saúde, -Redução do índice de gravidez na adolescência, -Escolas Estaduais e Unidades Básicas de Saúde se aproximando e trabalhando juntas no território, -Intersetorialidade fortalecida através de desenvolvimento de ações realizadas conjuntamente entre os serviços.
Acreditamos que este trabalho foi de suma importância para Unidade Básica de Saúde, pois foi o pontapé para vislumbramos outra perspectiva no atendimento ao adolescente e jovem do que se tinha oferecido até o momento. Foi uma oportunidade única de se vivenciar a implantação de um trabalho, que a todo tempo nos desafiava a repensar o cotidiano, a reformular constantemente nossas ações. Os serviços de saúde propagam suas ações acolhedoras, porém, as Unidades Básicas de Saúde que realmente se consideram acolhedoras devem buscar romper com barreiras, organizando seus processos de trabalho, fortalecendo a articulação da rede de atenção saúde entre outros. Este trabalho reabriu a possibilidade de utilizarmos o território para contextualizar nossas ações, de transformá-lo em território vivo. E quando se pensa em trabalhar com adolescentes e jovens é impossível não pensar em trabalhar com território vivo. É preciso acreditar que adolescentes e jovens podem ser vetores de transformações sociais mesmo que seja na sua rua, no seu bairro, na sua Unidade Básica de Saúde e isto deve ser reconhecido, legitimado por todos inclusive pelos serviços de saúde.
Adolescentes, saúde mental, cuidado integral.
MIRIAN DOMINGAS DOS SANTOS