Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
O assunto mais discutido nas redes sociais é a saúde, entendendo-se que abarca mudanças no estilo de vida, convivência familiar e comunitária e finanças, a fim de reduzir doenças, uso de medicamentos e internações. Visando essa redução da demanda hospitalar e da humanização do cuidado, o Programa Melhor em Casa (PMeC) é uma modalidade de atenção à saúde substitutiva/complementar, que caracteriza-se pelo conjunto de ações de promoção à saúde, prevenção e tratamento de doenças, reabilitação e paliação em domicílio, integrada à Rede de Atenção à Saúde. Composto por Equipe Multiprofissional de Atendimento Domiciliar (EMAD), contendo minimamente enfermeiro, médico, auxiliares/técnicos de enfermagem e fisioterapeuta; e Equipe Multiprofissional de Apoio (EMAP), constituída minimamente por três profissionais entre as seguintes categorias: assistente social, psicólogo, fisioterapeuta, nutricionista, fonoaudiólogo, odontologista, terapeuta ocupacional e farmacêutico. No contexto do atendimento da equipe do PMeC é essencial a atuação do assistente social, e neste sentido, este artigo aborda a práxis do profissional, que dentro de suas especificidades, realiza em sintonia e sincronia o entrelaçamento de conhecimentos e ações, na avaliação da elegibilidade do paciente, na elaboração do Plano Terapêutico Singular, no encaminhamento e no contra referenciamento intersetorial qualificado, para a promoção de cuidado especializado e integral aos pacientes acompanhados pelo PMeC.
Considerando o protagonismo da assistência social no contexto domiciliar são objetivos dessa discussão: -Demonstrar como a aplicação dos instrumentais técnico operacionais próprios da atuação do assistente social, corroboram o desenvolvimento da prática transdisciplinar da equipe PMeC; -Demonstrar como a integração das demandas trazidas pelos pacientes com as ofertas das políticas públicas de Saúde, Assistência Social, Educação, Habitação executadas no Município de Jacareí, oportunizam a integralidade do serviço ofertado pelo PMeC; -Comprovar qualitativamente e quantitativamente a importância do assistente social integrar a equipe mínima do PMeC no Município de Jacareí.
Para evidenciar a atuação protagonista do assistente social na articulação intersetorial e atuação transdisciplinar na equipe do PMeC, utilizou-se além da observação técnica, o método de análise qualitativa e quantitativa das ações desenvolvidas no cotidiano profissional. O levantamento dos dados quantitativos é sistematicamente realizado a cada quadrimestre no Sistema Informatizado de Gestão, sendo realizada a leitura dos dados pela equipe e pela Supervisora de Unidade para fins de elaboração de indicadores, sendo apresentado na prestação de contas do município e ainda, mensalmente enviada ao Ministério da Saúde. Neste ponto do processo é avaliado o processo de trabalho, os resultados quantitativos, que viabilizam a análise qualitativa e a obtenção dos resultados finais. Nos atendimentos utilizamos os métodos materialismo histórico dialético, existencialismo e sistêmico, com objetivo de através da análise de conjuntura entender as demandas dos pacientes e seus familiares, respeitando a legislação que norteia e garante a existência dos direitos sociais, além de avaliar, orientar e encaminhar os mesmos conforme os serviços disponíveis na rede intersetorial do Município de Jacareí e se for necessário para instâncias maiores.
Desde o início dos atendimentos do PMeC, quando ainda não se contava com a atuação do assistente social na EMAP, as demandas sociais dos usuários atendidos eram manejados pelos demais profissionais, porém, por não ser do escopo de atuação dos demais, os usuários não eram encaminhados a contento dentro das redes de atendimento, e ainda, muitas demandas não eram identificadas. Com a introdução do serviço social ao PMeC, viabilizou-se retirar a sobrecarga dos demais membros da equipe, tanto de trabalho, quanto emocionalmente, frente a impotência para resolução de algumas demandas já que, entre os anos de 2019 e 2021, início do serviço social no setor, foram realizadas 1.125 consultas domiciliares. Após abril de 2021 a novembro de 2023, tivemos um hiato com a ausência da categoria, sendo reinserido o profissional de assistência social na EMAP em novembro de 2023, contanto até o presente momento com 55 atendimentos, entre consultas domiciliares e elaboração de relatórios, 38 levantamentos através da articulação com a Rede Intersetorial, e uma conferência familiar, que culminou em adequada adesão ao tratamento a tanto proposto pela equipe.
Assim como já evidenciado em publicações científicas nas últimas décadas, fica constatado a relevância da atuação do assistente social nas equipes de atendimento domiciliar, uma vez que, o escopo populacional no atendimento domiciliar é de um público heterogêneo, com diversidades e particularidades, muitas delas envolvendo questões de vulnerabilidade e sofrimento social. Características populacionais essas que exigem técnica específica, olhar treinado, encaminhamento qualificado para a rede intersetorial, acolhimento e comunicação ativa que somente o profissional de assistência social, em transdisciplinaridade com o restante da equipe possui, utilizando-se de técnica especializada para realização das devidas intervenções e articulações, garantindo assim uma assistência integralizada e equânime.
Serviço Social, Transdisciplinaridade, Domicílio.
Renata de Aquino Cobra, Mariane da Silva Rodrigues, Ingrid Heise Araújo Gaspar