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A Atenção Primária em Saúde (APS) é considerada a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) agregando ações de assistência, prevenção e promoção visando a coordenação do cuidado e resolução dos casos. (Ministério da Saúde, 2017) Espera-se que a APS seja acessível e resolutiva às demandas de saúde da população. Todavia, limites ao acesso a esses serviços têm sido identificado com um dos grandes desafios a serem superados para atender as demandas de saúde e garantir a qualidade de atendimento em Unidades de Saúde do município de São Paulo. A reorganização de acesso a atenção primária, vem sendo altamente discutida em diversos âmbitos da esfera SUS. Pressionadas pela demanda e por agendas lotadas, equipes de saúde têm discutido estratégias de reorganização da agenda e ampliação do acesso. Como alternativa o “Acesso avançado” tem como princípio “Faça hoje o trabalho de hoje! O usuário deve passar por consulta ou avaliação preferencialmente em no máximo 48 horas. Seu modelo de organização é descrito como “o equilíbrio entre a demanda e a capacidade de oferta para atender essa demanda”, iniciando o trabalho com as consultas suficientes para a demanda do dia, não restringir consultas futuras e dar prioridade para a continuidade dos atendimentos com base na sensibilização do usuário (Rocha, et al., 2016; Knight & Lembke, 2013) Neste sentido, o “Acesso Avançado” foi o modelo de acesso proposto para ser implantado em 16 Unidades de Saúde da CRS Leste do Município de São Paulo.
Esse relato de experiência tem como objetivo descrever a estratégia realizada para implantação e implementação do Acesso Avançado em 16 UBS da CRS Leste no Município de SP.
O cenário dessa implantação foi a Coordenadoria Regional de Saúde Leste do município de São Paulo envolvendo 16 UBS, sendo 14 com Estratégia de Saúde da Família (ESF) e duas com Equipe de Atenção Primária (EAP). Essa ação iniciou-se em maio/23, sendo realizados três encontros e visitas técnicas nos serviços para efetiva implementação do Acesso Avançado nesses serviços. O primeiro encontro foi uma aproximação com os gerentes dos serviços para apresentação de serviços que atuavam com o modelo de Acesso Avançado. No segundo encontro foi proposta uma discussão entre gerentes e gestores municipais sobre o Acesso na APS e os conceitos Norteadores através de grupos de trabalho. Neste encontro foram realizadas estratégias para implementação do Acesso Avançado de acordo com a modalidade de assistência (EAP e ESF), proposta de capacitação da equipe e solicitado plano de ação com elaboração do cronograma para efetiva aplicação no serviço. No terceiro encontro ocorreu a apresentação das UBS sobre os desdobramentos junto aos profissionais atuantes das equipes, as dificuldades e potencialidades encontradas durante o processo, bem como, a percepção dos usuários sobre a mudança do modelo de acesso. Também foi pactuado a manutenção de encontros semestrais para acompanhamento e avaliação de indicadores dessa implantação. Entre o segundo e o terceiro encontro da Coordenadoria de Saúde realizou visitas técnicas nas UBS envolvidas para acompanhamento e monitoramento compartilhado das ações.
Os gestores compreendiam a necessidade de melhorias no acesso à APS. O Acesso Avançado era pouco conhecido pela maior parte dos gestores. Apesar do receio ao novo modelo proposto, houve engajamento para iniciar, principalmente nas equipes que tinham em seu quadro colaboradores que já haviam trabalhado com este formato em outras regiões. Constatou-se que a aceitabilidade da proposta influenciou diretamente no modo como os processos foram implementados entre as Unidades. As UBS com Estratégia Saúde da Família apresentaram maior facilidade na implementação do Acesso Avançado, desde a comunicação entre os profissionais e usuários até a organização dos processos de trabalho e monitoramento do cuidado longitudinal. A transição do modelo de agendamento para acesso avançado foi de tensionamento entre a demanda espontânea e a sobrecarga de trabalho. Nesse período, o envolvimento do gestor foi fundamental na mediação de conflitos, motivação da equipe, reavaliação do planejamento e intervenção oportuna para sustentabilidade do modelo. Outro desafio foi a rotatividade de profissionais, exigindo capacitações e alinhamentos diárias dos profissionais. Acrescenta-se que o número de pacientes cadastrados nas UBS e a estrutura física do serviço foram fatores desafiadores nessa implantação. Os encontros com os gerentes possibilitaram a troca de saberes, compartilhamentos de estratégias durante o processo de implantação e apresentação de soluções compartilhadas para as dificuldades encontradas.
O acesso aos serviços de saúde ainda é um desafio para a APS. O Acesso Avançado é uma estratégia viável de ampliação do acesso e de organização da agenda podendo ser pode ser adaptado à realidade local de cada UBS. Todavia, há necessidade de estabelecer uma comunicação eficaz entre gestores, profissionais e usuários para sustentar as mudanças de agendamento e garantir a ampliação do acesso sem perder a qualidade no atendimento e o equilíbrio entre a oferta e a demanda. Constata-se que a integração entre os gestores municipais e gestores dos serviços de saúde é de suma importância na aceitabilidade e sustentabilidade desse modelo. O acompanhamento compartilhamento das etapas de implementação permite uma maior segurança da equipe no enfrentamento das dificuldades e conflitos que possam surgir durante a implantação.
Gestão, Reorganização de Acesso.
Juliana Mendes de Melo Vidal, Maisa de Grande dos Santos, Fernanda Maria de Souza Morales Ferreira