Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
Relatamos experiência de grupo de estimulação cognitiva para idosos com demência, inspirada na Terapia de Estimulação Cognitiva (CST) e iniciado em agosto de 2023, por psicóloga e fonoaudióloga da URSI, atenção secundária da RASPI, do centro do município de São Paulo, que presta assistência a idosos frágeis e com transtornos neurodegenerativos. A Demência é uma condição neurodegenerativa progressiva, caracterizada por declínio de memória, associado a déficit de outra função cognitiva e perda funcional. Estima-se que 1,76 milhões de brasileiros viva com demência. Devido ao acelerado processo de envelhecimento da população, cresce a necessidade de ofertas de cuidado. Poucas são as alternativas de terapias não medicamentosas oferecidas aqueles com demência. A CST desenvolve atividades temáticas estruturadas para estimular implicitamente habilidades: memória, função executiva e linguagem, por meio de tarefas de práticas corporais, categorização, associação de palavras e discussão de assuntos atuais. Considera a importância de aspectos psicológicos e sociais do demenciado, que passa a sofrer invalidação e invisibilidade no meio social e familiar. O diferencial do trabalho proposto é convidar o participante a compartilhar suas opiniões e criar um ambiente tolerante e solidário, contribuindo para a melhora do engajamento e confiança, redução do estigma e construção de novas amizades, o que tem impactos significativos na cognição, humor e qualidade de vida dos pacientes.
Geral: Descrever e divulgar a experiência de aplicação da CST adaptada, em grupo de idosos com demência de uma unidade de referência à saúde do idoso, como uma alternativa complementar ao tratamento medicamentoso. Específico: implementar grupo de assistência multiprofissional a idosos com demência em unidade de referência a saúde do idoso.
A CST propõe 14 encontros de uma hora, duas vezes por semana. Cada encontro segue roteiro que inclui rodada de apresentação dos participantes, orientação no espaço e tempo (data, hora, local), discussão sobre uma notícia atual e atividade de estimulação cognitiva. No primeiro encontro, o grupo é convidado a escolher um nome e uma música para representá-lo. Entre as atividades de estimulação: práticas corporais (lian gong, boliche); jogos com números (bingo e dominó), jogos com palavras (forca e stop), reconhecimento de vozes de artistas, comparação visual de fotos de lugares e conjecturas sobre o preço dos alimentos. As propostas seguem o princípio da estimulação implícita não exigente, com base no convite a expressão de experiências, opiniões e preferências em ambiente amistoso e divertido. Ao discutir a notícia atual, o grupo é estimulado a dizer o que acham sobre o assunto. Assim, abrirmos espaço para novos pensamentos, ideias e associações e valorizamos o papel social e opiniões. Iniciamos com 6 idosos diagnosticados com demência leve ou moderada, indicados por geriatras ou equipe multidisciplinar. Foram convidados presencialmente ou por meio de telefonema com o próprio ou com familiar. O material foi adaptado e confeccionado pelas profissionais que conduziram a atividade, como impressão de imagens coloridas e seleção de áudios. Os encontros foram realizados em sala ampla, acessível, bem iluminada e ventilada; os participantes se mantiveram sentados durante as atividades.
Após o ciclo de 14 encontros, realizou-se discussão da proposta com participantes e familiares que consideraram a importância das atividades para a estimulação e socialização dos idosos e solicitaram a continuidade do grupo. Também foi referida a dificuldade de se levar o idoso a unidade 2 vezes na semana, de forma que optamos por ofertar o grupo semanalmente com duração ampliada para 1,5 hora. Embora tenha havido flutuação de presença, metade do grupo de idosos (3) participou de pelo menos 75 % dos encontros. Houve boa aceitação das atividades propostas com participação de todo o grupo. Após o primeiro ciclo, foi observado maior vínculo dos participantes com a unidade, com os profissionais da equipe, assim como entre os membros do próprio grupo. Foi observado incremento da qualidade de comunicação, com a maior expressividade – no respeito aos turnos e ampliação dos relatos; do tempo de atenção e aparente melhora do quadro de humor. Deve-se considerar, no entanto, os diferentes resultados observados, correlacionados às particularidades de cada idoso, em relação à adesão, ao grau de severidade da demência e à sua rede de apoio social-familiar.
A CST é uma estratégia de cuidado psicossocial em grupo para pessoas acometida por síndrome demencial leve ou moderada, população que carece de ofertas de cuidado para além da medicalização. A proposta oferece uma alternativa de baixo custo e relativa facilidade de aplicação e apresenta resultados importantes no incremento da qualidade de vida dos participantes. A proposta também contemplou o princípio de Equidade do Sistema Único de Saúde à medida que possibilitou um incremento na Rede de Assistência à Saúde da Pessoa Idosa com a participação da equipe multiprofissional no processo de cuidado longitudinal em indivíduos com diagnóstico de demência.
Idoso, demência, URSI
Bianca Thais Manzari Pascoal, Alcione Ramos Campiotto