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Dentro do campo da saúde mental, a arte pode proporcionar aos sujeitos empoderamento, trazendo repercussões positivas para as suas vidas. A arte provoca esse efeito porque possibilita ao sujeito o exercício da cidadania e o integra em sua comunidade. É através dela que o indivíduo pode assumir espaços sociais, ser ativo, contar sua história, viver e produzir vida. No Brasil, uma grande precursora da arte enquanto novas práticas de cuidado em saúde mental foi Nise da Silveira. Partindo de sua obra, foi possível a construção de um novo caminho para o tratamento de pessoas em sofrimento mental pelo viés artístico, valorizando as diversas formas de expressão. Ela desenvolveu uma forma de cuidado com diferentes perspectivas, valorizando a cultura e singularidade de seus pacientes, tratando-os como pessoas e não como “doentes”, visto que no momento em que participam das oficinas de arte, deixam de ser o “louco”, e passam a ser artistas, músicos, pintores (Araújo et al., 2012). Assim, o Centro de Atenção Psicosocial de Batatais – CAPS, proporcionou, através de uma oficina intitulada “Arte sem fronteiras”, a externalização do ser e seus sentimentos pintando espaços públicos na cidade de Batatais e demonstrando a arte e criatividade de seus pacientes.
Utilização da arte como forma de expressão de ser e sentir dos pacientes do CAPS em espaços púbicos da cidade de Batatais.
Para exemplificar a relação da arte como expressão, Qorpo-Santo com sua arte, apresenta um poema, na qual fala sobre a pluralidade das formas de expressão artística: fala-se com a tinta, fala-se com o papel, fala-se com pinta, fala-se com o pincel, fala-se com as vozes, fala-se com os gestos, fala-se com as nozes, fala-se com os restos, com tudo se fala, ou se – badala, de tudo se – diz, ou se – maldiz! Buscando inspirar-se em Qorpo-Santo, o projeto “Arte sem Fronteiras” foi um espaço de construção massiva e coletiva de arte junto aos pacientes dos grupos terapêuticos do Centro de Atenção Psicossocial – CAPS de Batatais. O programa foi desenvolvido com oficinas semanais, onde os pacientes do equipamento junto com o instrutor desenvolviam desenhos em folhas A4 e A3, conforme o seu sentir naquele dia e posterior iam encaixando os sentires com artes complementares para que se formasse um painel, posterior, esse painel era eternizado em um muro na cidade de Batatais, pintado pelos próprios pacientes. A ideia da arte como instrumento para a luta antimanicomial foi na busca do refletir que a arte, muitas vezes, era usada como um instrumento de produção de saúde, em uma época em que não se discutia a arte no campo da saúde como potência terapêutica, uma época obscura na qual o asilamento era a única forma de tratamento e a arte forma de libertação.
O resultado foi atingir com oficinas espaços de reflexão, terapia, convivência, troca de anseios e angustias, identificando o seu colega de grupo como ser igual, com as mesmas fragilidades e potencias diversas a se apoiar, é o utilizar além da arte como forma de alinhar os pensamentos e ideias, ainda como forma de externar o sentir para ambientes púbicos, tornando o cinza da cidade mais belo e a arte mais viva.
Por fim, assim como a arte, este trabalho deseja dar sentido aquilo que anda em busca de outras significações. Para que se possa entender a arte enquanto possibilidade de cuidado, há que se estudar com olhos internos aquilo que não está visível e que nem sempre é reconhecido intelectualmente. Acreditamos que a arte, que toca e afeta por ter vida, e assim, possui potência e ação que gera movimento, instaurando outras áreas de realização para quem dela vivencia.
Cores, Arte, Muros, Luta Antimanicomial
Bruna Francielle Toneti, Silvana Frezza Pisa, Rogério Donizeti Tercal