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A vacinação é uma das intervenções de saúde pública mais eficazes para proteger as pessoas enquanto indivíduos e a população geral, quanto a ocorrência de doenças imunopreveníveis. Um Evento Supostamente Atribuível à Vacinação ou Imunização (ESAVI) é qualquer ocorrência médica indesejada após a vacinação, não possuindo necessariamente uma relação causal com o uso de uma vacina ou outro imunobiológico (imunoglobulinas e soros heterólogos). É importante que os ESAVI sejam entendidos como uma ocorrência possível, que deve ser tratada, sendo que a investigação das causas contribui para o aperfeiçoamento e para a melhoria da qualidade das vacinas. Dentre os ESAVI, temos a categoria Erro de Imunização (EI), que são ocorrências preveníveis por meio de treinamento de pessoal, suprimento adequado de equipamentos, identificação correta dos imunobiológicos, insumos para a vacinação, supervisão dos serviços, e várias outras medidas. Os EI podem causar danos aos vacinados, levando a eventos adversos locais e/ou sistêmicos, proteção imunológica inadequada, podem ainda aumentar os custos diretos, como por exemplo a necessidade de revacinação; ou mesmo indireto ficando o trabalhador impossibilitado de exercer sua função, além disso a ocorrência repetida desgasta e desacredita os serviços de saúde frente a comunidade. Diante do exposto é importante conhecer a natureza dos EI para que se possam traçar planos para prevenir a recorrência.
Caracterizar os EI notificados pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS) da região de abrangência da Unidade de Vigilância em Saúde Penha (UVIS-Pe)/São Paulo, no ano de 2023.
Pesquisa de caráter documental com abordagem quantitativa que utilizou dados provenientes das notificações realizadas pelas 20 UBS e 01 Serviço Ambulatorial que realiza vacina, todos pertencentes à região da Supervisão Técnica de Saúde (STS) Penha- São Paulo/SP, gerenciados por uma Organização Social (OS). Mediante a ocorrência e identificação de um ESAVI os serviços de saúde preenchem uma ficha de notificação específica para este tipo de evento, que é disponibilizada pelo Ministério da Saúde. As unidades enviam a ficha para UVIS-Pe, que dará continuidade a investigação, comunicando o Programa Municipal de Imunizações que indicará que condutas deverão ser adotadas frente após classificação da causalidade. A classificação da causalidade tem 04 categorias, à saber, consistente (reações relacionadas ao produto ou a qualidade do produto; erros de imunização, e reações de ansiedade relacionadas à imunização e/ou estresse desencadeado em resposta a vacinação), indeterminada (reação temporal consistente, mas sem evidência na literatura para se estabelecer relação causal ou dados da investigação são conflitantes em relação à causalidade); inconsistente/coincidente e inclassificável. A equipe de imunização da UVIS-Pe selecionou entre as ESAVI aquelas classificadas como consistentes, mas apenas as relacionadas a EI, digitou os dados em uma planilha de Excel, de forma que possibilitasse sistematizar e analisar os dados para o presente estudo.
No ano de 2023 foram notificados 47 casos de EI. Das 21 Unidades de Saúde da Região da STS Penha, 07 (33,3%) não notificaram casos de EI. Das 14 Unidades notificantes, 2 serviços notificaram apenas 01 (2,12%) EI. Do total de 47 EI, 36 (76,6%) ocorreram com a administração de vacinas de rotina, destacando-se a vacina contra Meningite ACWY que foi responsável por 11 EI (23,4% do total de EI). Do total de 47 EI, 11 notificações (23,4%) estiveram relacionadas com a vacina contra COVID, sendo a vacina fabricada pelo Laboratório Pfizer a responsável pelo maior número de ocorrências (10 EI – 90,9%). Em relação às Unidades notificantes a que teve maior número apresentou 8 EI (17,0%), relacionados a 2 imunobiológicos da rotina, e não apresentou EI referente a vacina contra COVID19. O serviço que apresentou 7 EI (14,9%) teve 3 EI relacionados a vacina contra a COVID19). O erro na prescrição ou indicação (fora da idade recomendada) foi o tipo de erro mais frequente (20 – 42,5%), seguido por intervalo inadequado entre doses (13 EI-26,1%). O mês com maior ocorrência de EI foi janeiro com 13 EI (27,6%) e os meses de menor ocorrência foram março e setembro com 1 EI (2,12%), em cada um dos referidos meses. A faixa etária mais acometida pelos EI foram às crianças até 10 anos (33 -70,2%).
A ocorrência de EI na maior parte em crianças até 10 anos justifica-se dado ao grande número de vacinas aplicadas para essa faixa etária. O fato de 07 UBS não apresentarem EI precisa ser avaliado com cautela, estariam os vacinadores preparados para notificar os ESAVI? Estariam cientes da importância e da finalidade da notificação? Estariam receosos quanto as consequenciais trabalhistas motivadas pela notificação de um EI? Há muitos fatores que contribuem para ocorrência de ESAVI, entre estes dos EI, tais como, mudanças constantes nos calendários vacinais; horário de trabalho; número reduzido e rotatividade de profissionais, no entanto cabe ao gestor identificar fatores que contribuíram para ocorrência do EI e traçar medidas que se constituam em barreiras. Os dados do presente estudo devem ser analisados considerando como limitação o fato de que o número de doses de vacinas aplicadas pelas diferentes Unidades sofre variações, havendo algumas Unidades que concentram o maior número de vacinados, a depender da localização, da facilidade de acesso, podendo assim concentrar maior número de EI. Se faz necessário, um levantamento do número de vacinados e dos EI, segundo UBS, para analisarmos a proporção de ocorrência dos EI
erro de imunização, UBS, pesquisa documental
SARA NAOMI MARCONDES DE CASTRO LIMA, NEUSA PERRELA MADEIRA, ANA PAULA CAVALCANTE, MARIA CELIA LAMY, ROSANGELA ELAINE MINEO BIAGOLINI, SOLANGE VIOTTO DA SILVA