Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A APS é o primeiro nível de atenção em saúde e se caracteriza por um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrange a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, a redução de danos e a manutenção da saúde com o objetivo de desenvolver uma atenção integral que impacte positivamente na situação de saúde das coletividades. Em fevereiro de 2006, foi publicada pelo Conselho Nacional de Saúde a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC). Dentre as PNPIC uma das práticas mais utilizadas no Brasil é a Acupuntura, a qual apresenta várias publicações sobre sua eficácia. Há diversos estudos mostrando benefícios em queixas como odontalgias pós-operatórias, náuseas e vômitos pós-quimioterapia ou cirurgia em adultos, dependências químicas, reabilitação após acidentes vasculares cerebrais, dismenorréia, cefaléia, epicondilite, fibromialgia, dor miofascial, osteoartrite, lombalgias e asma, entre outras. A PICs está em grande parte associada à Atenção Primária à Saúde e, em 2016, estava presente em 8.239 estabelecimentos distribuídos em 3.173 municípios, representando em torno de 54% dos municípios brasileiros. Devido a seu benefício clínico já documentado, sua correlação com os princípios do SUS e da APS e o estimulo do Ministério da Saúde em relação às PNPIC o presente trabalho traz um relato de experiência de aplicação de acupuntura na assistência de uma Unidade Básica de Saúde.
Relatar a experiência de atendimentos de Acupuntura na Unidade Básica de Saúde ● Servir como experiência exitosa para futura exposição no Simpósio Interdisciplinar de saúde ● Incentivar os gestores municipais à ampliar as PICs municipais, em especial no âmbito da Atenção Primária à Saúde
Quanto a seleção dos pacientes para o presente estudo, foram convidados 5 pacientes que apresentam duas ou mais doenças crônicas não transmissíveis, podendo ser tanto do escopo das moléstias físicas quanto psíquicas da UBS e 7 pacientes abordados durante consulta clínica na AB com queixa de dor, tanto aguda como crônica (epicondilite, gonalgia, cefaleia e ombralgia) e a resposta avaliada segundo escala analógia de dor. Todos os 5 pacientes selecionados para realização do seguimento com sessões de agulhamento semanais durante 10 semanas concordaram com o procedimento proposto, sendo que apenas 4 deram continuidade ao tratamento, os mesmos responderam questionários de qualidade de vida validados pela OMS (WHOQOL-100 e SF-36) com o intuito de realizar uma análise qualitativa do bem estar gerado pela prática em questão. A aplicação dos questionários fora realizada da seguinte maneira: paciente número 1: antes, após a 7º sessão e após 12º sessão, paciente número 2: antes e após a 5ª sessão, paciente número 3: antes e após um mês da 5º sessão, paciente número 4: antes, após a 5º sessão e após a 10º sessão. Dentre os 7 pacientes atendidos com queixa de dor e realizado sessão de agulhamento no mesmo momento da consulta, 4 foram reavaliados após 1 semana. Foram utilizadas uma média de 15 a 20 agulhas de acupuntura por sessão e sementes de mostarda de auriculoterapia em todas as sessões.
Com relação aos pacientes que foram realizados aplicação de questionário de qualidade de vida- SF-36 e WHOQOL-100: paciente L.C.R., 75 anos, percebe-se melhora significativa principalmente nos quesitos dor, dependência de medicação, limitação por aspectos físicos e sono (em torno de 50 a 75% de melhora nesses domínios de avaliação). Paciente A.A.B.S, 66 anos percebe-se uma melhora importante no quesito dependência de medicações e tratamentos (média de 75%) e alguma resposta nos quesitos dor e estado geral (cerca de 20%). Paciente J.T.D.P, 68 anos, percebe-se uma melhora nos quesitos dependência de medicações e tratamentos (cerca de 50%) e nos quesitos dor uma melhora significativa (cerca de 75%). Com relação aos 7 pacientes que foram realizados agulhamento no momento da consulta clínica percebemos uma resposta significativa com melhora de 70 a 100% (6 casos), um caso com melhora de 50%., dispensando uso de medicações analgésicas, anti-inflamatórias e algumas vezes até de opióides, 4 desses pacientes foram reavaliados 7 dias após a sessão sendo que todos apresentaram melhora do quadro, 3 sem recidiva da dor e 1 com recidiva de menor intensidade e sem necessidade do uso de analgésico como de costume.
Percebe-se que houve uma melhora na qualidade de vida dos pacientes entrevistados e uma redução das sintomatologias principalmente as relacionadas à dor durante o período avaliado. Percebeu-se uma redução no uso das medicações, algumas de uso contínuo, mas em especial uma diminuição significativa do uso de analgésicos, anti-inflamatórios e opioides, houve melhora importante também na diminuição das limitações físicas com melhora da autonomia e bem estar desses pacientes para realizar suas atividades do dia-dia assim como atividades de lazer, gerando benefícios tanto físico quanto psicológicos para essa população. Durante os atendimentos percebe-se uma mudança de percepção desses pacientes com relação ao conceito da medicina alopática, com relação à prevenção de suas patologias, a importância da integração do acompanhamento e o benefício das PICs para a melhoria da saúde. Espera-se que este trabalho seja um exemplo positivo aos olhos dos gestores e que possa contribuir para a expansão das PICS, em especial a acupuntura, nos fluxos municipais, principalmente aos relacionados à Atenção Primária à Saúde.
ACUPUNTURA
Lara Caroline Jacomini, Sofia Ramos Jorge