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Em 2022, o Ministério da Saúde realizou orientações específicas de prescrição e dispensação do medicamento recém incorporado no Sistema único de Saúde (SUS), nirmatrelvir e ritonavir (NMV/r), para tratamento de usuários com Covid-19, não hospitalizados e de alto Risco. O guia1 para uso desse medicamento menciona um formulário de prescrição e a necessidade de farmacovigilância dos usuários. Assim, a área técnica de Assistência Farmacêutica, juntamente com outras áreas técnicas e de vigilância em saúde da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo (SMSSP), elaborou uma Nota Técnica2 com as orientações para acesso ao medicamento e propôs estratégias de farmacovigilância, que prevê o monitoramento dos usuários. Em parceria com o departamento de tecnologia de informação da SMSSP foi desenvolvido um sistema de informação inovador, chamado “Monitora NMV/r.
Apresentar a estratégia inovadora e os dados referentes ao monitoramento de usuários do medicamento NMV/r atendidos nas unidades públicas de saúde da rede municipal de saúde de São Paulo.
O sistema “Monitora NMV/r” foi desenvolvido de forma a contemplar as necessidades apontadas para monitoramento dos usuários em uso do medicamento NMV/r. É um sistema online, com dois módulos: cadastro e monitoramento. No módulo I é realizado o cadastro do usuário, a partir do acolhimento em uma unidade dispensadora do medicamento, com coleta de dados constantes no formulário de prescrição, entregue pelo usuário juntamente com a prescrição médica para retirada do medicamento na farmácia. O módulo II se refere ao monitoramento do usuário, realizado por sua Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência, elencada automaticamente no sistema por meio de georreferenciamento. No momento do cadastro, a UBS recebe um comunicado por e-mail informando do início de uso do NMV/r por um usuário do seu território. A partir disso, profissionais da unidade contatam o usuário, de forma virtual ou presencial, entre o 6º e 10º dia após início do tratamento, considerando a posologia de 5 dias de uso do medicamento. Dentre os dados de monitoramento, destacam-se informações sobre desfecho clínico, identificação de reações adversas e de aspectos relacionados ao uso do medicamento. O sistema gera relatórios para a gestão municipal. Foi elaborado um relatório de utilização do medicamento após os primeiros 6 meses de sistema, que foi enviado às esferas estadual e federal, de forma a contribuir com a avalição pelos órgãos responsáveis dos resultados do uso do novo medicamento pela população (fase clínica).
De dezembro/2022 a dezembro/2023 foram dispensadas 5.005 cartelas do medicamento, e 953 usuários cadastrados na plataforma, sendo 574 prescrições oriundas do sistema público (60%) e 379 do sistema privado (40%). Deste total, 430 usuários foram monitorados e 258 não conseguiram ser contatados pela UBS. Do total de 384 (89%) usuários que referiram ter utilizado o medicamento, 279 (73%) referem ter concluído o tratamento. No entanto, 178 (46%) utilizaram o medicamento conforme posologia recomendada, 28 (7%) utilizaram por menos de 5 dias e 197 (51%) utilizaram por mais de 5 dias. Além disso, 103 (27%) usuários referiram alguma Reação Adversa ao Medicamento (RAM). Do total de 384, 361 (94%) usuários referiram melhora após conclusão do tratamento, 20 (5%) relataram manter o quadro, 3 (1%) relataram piora do quadro e 2 (1%) referiram internação hospitalar no período de tratamento. A maioria das RAM relatadas (71%) estão descritas em bula como: disgeusia, diarreia, náusea, cefaleia, mialgia, vômitos, aumento da pressão arterial, anafilaxia. De acordo com a Vigilância Sanitária, apenas 1 reação grave foi notificada. Com estes dados, o grupo técnico da SMS discutiu a necessidade de alterações no sistema de monitoramento. Os contatos deverão ser realizados no 2º e 6º dia, visando identificar possíveis problemas de adesão e RAM. Além disso, será inserida a informação de necessidade de notificação em caso de RAM pelo profissional de saúde, para finalização do monitoramento.
A introdução de um novo medicamento para tratamento da Covid-19 trouxe a perspectiva de diminuição de internações e morte pela doença para grupos populacionais de alto risco. No entanto, há necessidade de farmacovigilância em relação ao medicamento, visando o aprimoramento de políticas e programas para a saúde pública. O monitoramento dos usuários que retiraram medicamento nas unidades de saúde permitiu a reflexão sobre novas estratégias necessárias para o uso racional do medicamento. Com isso espera-se melhorias na utilização do medicamento, assim como qualificação das informações de RAM por meio das notificações em sistema oficial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que pode subsidiar a tomada de decisão dos órgãos competentes com relação à nova tecnologia.
Covid19, NMV/r, nota técnica, farmacovigilância
FELIPE TADEU CARVALHO SANTOS, ALESSANDRA MORENO PALMA, RENATA RODRIGUEZ IMPARATO, Carolina Couto Herculano de Castro