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Iniciado em março de 2023, o grupo de desprescrição de benzodiazepínicos, foi concebido pela equipe multidisciplinar da unidade, preocupados com o uso abusivo e indiscriminado de benzodiazepínicos e do comportamento ansioso e pouco “ético” dos pacientes, para obtenção dos mesmos. Esse desafio é enfrentado há anos, pelos profissionais da saúde, entretanto o número crescente de usuários, despertou o alerta na equipe.que optou por realizar atuação em grupo, envolvendo farmacêutico, psicóloga, médicos, agentes comunitários de saúde. Os usuários do serviço foram convidados a participar pelas equipes de referência, através dos agentes comunitários, a abordagem reforçada pelos enfermeiros de referência na Estratégia de Saúde da Família e acompanhados por toda equipe, envolvida e empenhada em proporcionar qualidade de vida, através da desprescrição. Os encontros foram realizados por um médico, um farmacêutico e uma psicóloga, que, além dos encontros, colocavam-se à disposição dos participantes, nos casos de ansiedade ou sintomas adversos, pela falta do medicamento
Pacientes em uso de benzodiazepínicos da UBS Serraria em não conformidade com as diretrizes terapêuticas que necessitam de ajuste na prescrição com diminuição e/ou retirada do medicamento para uma melhor qualidade de vida.
Primeiramente identificamos os usuários em não conformidade com as diretrizes, após o mapeamento foram formados grupos com os pacientes que aceitaram participar do projeto de desprescrição. Os grupos se reuniam semanalmente onde os profissionais abordavam questões como, prescrições médicas, necessidade ou não dos medicamentos benzodiazepínicos, seu mecanismo de ação, uso prolongado, efeitos adversos e interações medicamentosas; ofertada escuta qualificada com a psicóloga, além de práticas integrativas como: chás, meditação guiada, dinâmicas musicais, atividades físicas.
O trabalho multidisciplinar, médico, farmacêutico, psicólogo e agentes de saúde, contribuiu, diretamente para a adesão desses pacientes/usuários na frequência e aceitação do desafio da mudança comportamental; identificadas as particularidades e doenças, o investimento resultou na diminuição das doses do medicamento gradativamente, entre 10 a 20%, na forma farmacêutica (gotas). No decorrer dos encontros do grupo, houve uma aceitação contínua dos participantes; dos seis participantes do primeiro grupo, apenas 1 não deu continuidade. Dentre os 5 participantes ativos, 2 conseguiram diminuir gradativamente e 1 cessou a utilização total, sem efeitos adversos ao longo da conduta. Outro ponto positivo,foi o conhecimento adquirido em relação a práticas integrativas, que são aplicadas rotineiramente no serviço e muitas vezes, desconhecida dos indivíduos, sendo que muitos adotaram a atividade física, auriculoterapia e referiram bem-estar físico e mental. A socialização no grupo foi importante para a liberdade e confiança do paciente para com o profissional. Os resultados obtidos foram satisfatórios e coerentes, visto que, esses pacientes entenderam a conduta medicamentosa abordada, aderiram às práticas complementares, somadas ao tratamento prescrito. Portanto, continuam em acompanhamento no serviço, com uma visão integral e holística de si mesmos e prognóstico para uma saúde plena ao longo da vida.
A interação entre profissionais plurais, na perspectiva de atenção integral ao usuário, livre de preconceitos contra as práticas integrativas, qualifica e amplia a atenção a pessoa que procura o serviço. Entendemos que o olhar mais atento e livre de julgamentos, aproxima o cidadão, facilita a abordagem e prevenção de comorbidades e doenças, fortalece os vínculos, extremamente importantes na prática diária dos profissionais da saúde da família. No término desse trabalho, conseguimos traçar os usuários, em não conformidade com as prescrições e uso irracional dos benzodiazepínicos. Portanto, podemos concluir que os usuários, além da diminuição ou interrupção do uso, apresentaram melhora na qualidade de vida. Esses pacientes são acompanhados continuamente.
Benzodiazepínicos, SUS, Saúde
Gilberto Wener Matni, Julio Cesar Ferruci, Patricia Helena de souza de Lima