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O profissional farmacêutico ainda não compõe a equipe da Estratégia Saúde da Família (ESF) de forma obrigatória, mas é possível observar que as unidades que contam com a presença do mesmo, apresentam grandes benefícios tanto à equipe profissional como um todo, como na vida dos usuários. Pacientes idosos geralmente são polimedicados, e apresentam alterações fisiológicas que influenciam no processo de absorção, distribuição, metabolização e excreção dos medicamentos, sendo assim alvo de ineficácia terapêutica,intoxicação, podendo levar até óbito (OLIVEIRA, 2021 p. 1554). O problema da adesão terapêutica é uma realidade presente em todos os níveis de assistência, mas é na APS que vemos de perto a dificuldade por parte de muitos usuários. Ainda não há unanimidade no que concerne à definição de adesão medicamentosa; mas para Leite (2003) é entendido como a utilização dos medicamentos prescritos em pelo menos 80% de seu total, observando horários, doses e tempo de tratamento. Percebeu-se a necessidade da educação em saúde à comunidade, principalmente à esses pacientes domiciliados, em consonância com a Resolução do CFF (2013), onde traz que a Assistência Farmacêutica (AF), pode ser entendida como um “conjunto de ações de promoção,proteção e recuperação da saúde, individual e coletiva, utilizando o medicamento como insumo essencial, visando ao seu acesso e o seu uso racional”.
Fortalecimento da assistência farmacêutica na APS através de visitas domiciliares com a presença de um profissional farmacêutico, realizando consultas farmacêuticas com o intuito de promover o uso racional dos medicamentos prescritos, através da adesão medicamentosa de forma adequada. Os serviços farmacêuticos clínicos visam à promoção do uso racional de medicamentos, de forma integrada com a equipe de saúde, com vistas a prevenir, identificar e resolver problemas relacionados à farmacoterapia, de maneira sistematizada e documentada, promovendo o uso racional dos medicamentos, contribuindo para a melhoria na qualidade de vida das pessoas, redução de danos à saúde, melhoria na qualidade da atenção à saúde e redução de custos para o SUS.
As visitas domiciliares (VD) ocorreram de acordo com as necessidades trazidas pelas equipes, principalmente de pacientes confusos quanto à terapia medicamentosa em uso. As VD acontecem uma vez por semana ou quando necessário, e nas primeiras visitas a equipe esteve presente de forma integral (médico de família e comunidade, técnica de enfermagem, agente comunitária de saúde e farmacêutica). Na primeira visita algumas orientações já foram dadas aos pacientes e familiares presentes, juntamente com algumas recomendações de mudanças nas tomadas dos medicamentos, bem como mudanças de hábitos que sejam necessárias para melhoria da saúde do paciente. Os retornos são agendados para 15 ou 30 dias após esta primeira VD, a depender da necessidade encontrada, ou dificuldade de compreensão identificada nos usuários. Os retornos são realizados com o farmacêutico e ACS, ou outros profissionais conforme necessidade. Acentuando as ações de cuidado focado na integração da equipe multidisciplinar com o paciente, através de busca ativa, ações programadas e visitas domiciliares. As atividades de cuidado tem foco em orientar a população quanto as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) , detectar e acolher para um atendimento individualizado conforme a demanda, integrando o cuidado farmacêutico.
Como exemplo das 7 visitas domiciliares realizadas em uma unidade (UBS), em 100% delas foram encontrados problemas relacionados ao medicamento (PRM), e tiveram adequações em prescrição. Os principais PRM encontrados foram relacionados à indicação e efetividade (84%) e à segurança (14%). No que concerne às orientações quanto à tomada de medicamento de forma errônea, obteve-se sucesso em 77%. Erros como tomar o medicamento em horário errado, ou não tomar por acreditar que não se fazia necessário foram sanados. Os pacientes apresentavam muitas crenças erradas relacionadas aos medicamentos, e com as visitas e retornos puderam ser minimizadas. Das orientações realizadas quanto aos hábitos de vida, a adesão foi de 50%. No retorno às visitas foi evidenciado que alguns pacientes não seguiram as recomendações, como por exemplo, o aumento da ingesta hídrica, e alimentar-se em horários pré estabelecidos, evitando longos períodos de jejum a fim de não haver descompensação do diabetes. Entende- se com isso, que apenas uma visita, ou apenas um profissional orientando a população por vezes acaba não sendo muito efetivo, fazendo-se necessário cada vez mais um trabalho em conjunto, e ao longo do tempo, efetivando-se a integralidade e a longitudinalidade.
Pode-se concluir que o profissional farmacêutico na composição da Equipe de ESF pode contribuir diretamente na saúde da população, com redução de erros relacionados ao medicamento, reforçando a implementação dos princípios doutrinários de integralidade e equidade. Considerando que agora esse profissional é integrado a equipe multidisciplar conforme Portaria GM/MS nº 635, de 22 de maio de 2023, que estabelece as diretrizes para custeio e implantação das equipes multiprofissionais. Sendo esse serviço um braço norteador do trabalho exemplar que o município vem executando com o Cuidado Farmacêutico na Atenção Primária, ofertando Consultas farmacêuticas dentro de consultórios. Ademais, os resultados obtidos reforçam a importância do trabalho interprofissional, aumentando as chances dos pacientes aderirem ao máximo às recomendações e mudanças sugeridas,elevando assim a qualidade de vida de um modo geral e integralidade desses usuários aos serviços prestados no SUS.
Atendimento farmacêutico, Cuidado Farmacêutico, vi
Flávia Cristina Nunes Ferreira, Mayara Aline Xavier, Jenniffer Ponsoni dos Santos,