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A Educação Permanente em Saúde traz a concepção de aprendizagem significativa a partir das experiências do processo de trabalho. Nesse modelo, as metodologias ativas despontam como ferramenta de grande importância para a qualificação da força de trabalho no SUS, considerando que o aprendizado ocorre com a participação ativa do profissional, a partir do conhecimento prévio e das experiências compartilhadas. Entre os profissionais que atuam na Estratégia de Saúde da Família (ESF), o Agente Comunitário de Saúde teve sua atuação ampliada nos últimos anos, incorporando novas tecnologias e atribuições, as quais não devem resultar no acúmulo de funções e no predomínio sobre as ações de vigilância em saúde. A experiência a qual será relatada é integrante do projeto de Humanização na Atenção à Saúde da Mulher, com duração de 500 horas, com duração de 12 meses, implementado no município de Pindamonhangaba. O projeto foi desenvolvido por uma empresa especializada em serviços educacionais, contratada pelo Termo de Referência n° 01144/2021 e que destinou 60 horas para qualificação dos agentes comunitários de saúde. Para tal, optou-se pelo uso de metodologias ativas, a qual contribui com a formulação de novas estratégias e novas abordagens dos problemas de saúde da mulher. Qualificar o trabalho do ACS e resgatar o sentimento de auto valorização deste profissional se faz necessário para atender aos propósitos do cuidado em saúde da mulher.
Promover a atualização do Agente Comunitário de Saúde no que diz respeito as rotinas preconizadas na Atenção à Saúde da Mulher. Qualificar o processo de trabalho do ACS resgatando a essência de sua prática, com ênfase nas ações de vigilância em saúde da promoção da saúde; sensibilizar a equipe de ACS quanto a importância do seu papel no atendimento humanizado à Mulher em todo o ciclo de vida; desenvolver a educação permanente com o uso de metodologias ativas e oficinas pedagógicas como estratégias de educação permanente;
Trata-se de uma experiência com educação continuada, desenvolvida com 128 agentes de saúde, divididos em grupos e distribuídas em dois dias. O conteúdo foi ministrado em 12hr, por duas enfermeiras contratadas, especialistas na área de Saúde Coletiva, as quais se reuniram com a coordenação da Atenção Básica para que fossem apresentadas as demandas de saúde local, potencialidades e desafios da prática do ACS do município. Para desenvolvimento das estratégias de ensino, optou-se pela exposição dialogada e oficinas pedagógicas. No primeiro encontro, foram abordados, as necessidades da mulher nos diferentes ciclos de vida, atribuições preconizadas, acolhimento e comunicação em saúde. Inicialmente o grupo foi convidado a refletir sobre pertencimento, corresponsabilização e sobre o seu papel na comunidade. Posteriormente formaram subgrupos para leitura e estudo de caso sobre cada uma das fases da vida da mulher. Cada subgrupo ficou responsável em elaborar um plano de ação para solucionar os problemas identificados no caso. No segundo encontro, foram orientados a identificar demandas percebidas em seu ambiente de trabalho e elencar as ações voltadas para promoção da saúde e prevenção de doenças, visando a atender as necessidades da mulher, com ações desenvolvidas a curto, médio e longo prazo. Em ambos os encontros, a construção foi apresentada em flip art por cada grupo e a todos os participantes, proporcionando a troca de experiências entre eles.
Consideramos que as expectativas foram atendidas do ponto de vista da educação permanente, pois as estratégias de ensino incentivaram e possibilitaram a participação ativa dos envolvidos. Compartilharam experiências do seu campo de trabalho, propondo ações relevantes para atender as necessidades da população feminina. Foram resgatadas diversas experiências com a participação de mulheres da comunidade, tais como as terapias comunitárias, oficina de alimentação saudável, grupos de caminhadas e atividades em parcerias com outros setores como escolas e grupos comunitários. Apesar das novas funções adquiridas, o ACS no campo teórico demonstraram conhecimento e elementos suficientes para que continuem desenvolvendo as ações na comunidade sem perder sua essência. Os participantes demonstraram conhecer as ações preconizadas, descreveram estratégias importantes para a prática da vigilância em saúde e ainda relacionaram alguns desafios da prática, tais como a dificuldade em alcançar as metas de indicadores de saúde da mulher, o elevado número de gestantes adolescentes, a violência contra a mulher e a dificuldade em lidar com a não adesão para o auto cuidado. Quando abordado o conceito de corresponsabilização, demonstraram reconhecer a importância para comunidade, e ao trabalhar com o tema humanização em saúde, destacaram a necessidade de compreender os valores e a cultura da mulher para atender as necessidades de cada ciclo de vida.
A atividade alcançou o efeito almejado, uma vez que, as metodologias ativas contribuem para que haja aprendizagem significativa. Este modelo de ensino, baseia-se em problemas da realidade e aumenta a capacidade resolutiva da equipe, uma vez que o aprendizado vai além da aquisição de conhecimento teórico. Transformar a realidade das equipes de saúde e proporcionar mudanças no processo de trabalho dependem da sensibilização e da conscientização dos atores envolvidos. Ainda que possam haver desafios para o seu trabalho, o ACS se apresenta como protagonista na atenção à saúde da comunidade, realizando busca ativa, favorecendo o diagnóstico precoce e o aumentando as chances de cura para mulheres. No entanto destacamos a importância de se criar ferramentas de gestão para, acompanhando, aprimorando e coordenando o trabalho do ACS. Sendo assim esperamos que ocorram mudanças efetivas na prática, e que o aprendizado ofereça subsídios para o processo de trabalho.
desafio, acs, saúde, atenção básica, educação
Adriana Miranda de Moraes, Bruna Ribeiro de Campos Monteiro, Flavio Augusto Faria Galhardo, Franciele Aparecida de Sales Pereira dos Santos, Juliana Macedo, Glenda Costa, Luiz José dos Santos, Tayssa da Silva Freitas Nogueira