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O relato de experiência é fruto da ação de sensibilização voltada aos colaboradores da UBS Campo Limpo, em relação ao acolhimento da população LGBTQIAPN+ do território. Cada uma das 08 equipes Estratégia Saúde da Família (ESF), possui pacientes com identidades e orientações sexuais que demandam olhar específico e humanizado, visto a situação recorrente de vulnerabilidade e estigmatização social destes pacientes. Junto a isso, foi levantado que uma parcela dos trabalhadores de Saúde da UBS manifestaram certa dificuldade na abordagem da referida população, acarretando na possibilidade da ruptura de vínculos com o serviço e perda da linha de cuidados. Ao longo do mês de agosto, figurou na recepção da UBS uma placa com os dizeres: “Como você gostaria de ser chamado?”, pergunta inadequada, por não estar construída a partir de linguagem neutra. Neste sentido, o Agente de Promoção Ambiental (APA), foi designado para participar do evento: “Cuidados em Saúde da População LGBTIA+, seminário promovido pela Secretaria de Saúde do Município de São Paulo, com o intuito de receber e replicar os conhecimentos adquiridos junto às equipes.
Sensibilizar trabalhadores da UBS sobre a importância de atendimento humanizado para a população LGBTQIAPN+, através de ações continuadas de educação em Saúde. Fomentar o acesso e fortalecimento do vínculo da população LGBTQIAPN+ com o serviço, especialmente pessoas trans. Criar modelo de capacitação de fácil replicação, voltado a sensibilização de diferentes públicos (profissionais de saúde, usuários, membros do Conselho Gestor, etc)
Após a participação do profissional APA no Seminário “Cuidados em Saúde da População LGBTIA+, foi construída uma sequência de slides com o compilado das informações do evento, sendo apresentada em reunião técnica, destaque para o fluxo de cuidados voltado a população transgênera, bem como os serviços da Rede Sampa Trans. Ao longo do meses de setembro e outubro, o material mencionado foi apresentado em outras 08 oportunidades, impactando positivamente cerca de 100 colaboradores da UBS. Cada exposição dialogada foi seguida de roda de conversa, aonde foram colhidas e discutidas experiências de abordagem e vinculação de profissionais de saúde com pacientes da população LGBTQIAPN+, pontuando de forma lúdica aspectos positivos e negativos em cada processo, levando a uma construção colaborativa de abordagem empática e humanizada. Ainda em setembro, o material foi apresentado e discutido em reunião ordinária do Conselho Gestor da UBS. Dada a repercussão positiva das ações, ainda em outubro, a atividade foi estendida para a Residência Uniprofissional de Enfermagem da APS, parceria com a Enfermeira Sênior de Prática Clínica Carla Barreto, contemplando mais 8 UBS, por meio destes profissionais. Por fim, em janeiro de 2024, foi realizada roda de conversa em reunião técnica que contou com a presença de Maria Eduarda Lima de Andrade, terapeuta em formação, que trouxe um panorama da visibilidade a partir das experiências pessoais de uma mulher trans.
A partir das ações mencionadas, foi observado o aumento gradativo da presença da população LGBTQIAPN+, especialmente homens e mulheres trans às dependências do serviço. Destaque para o acolhimento e aconselhamento de jovem trans durante evento de coleta de papanicolau, ação no contexto do Outubro Rosa. Junto a isso, a iniciativa da criação de grupo multiprofissional voltado a diversidade, para acolher e atender as demandas sociais e em saúde de pacientes LGBTQIAPN+ das diferentes equipes, atividade em parceria com Maria Eduarda Lima de Andrade.
Em termos práticos, é perceptível a melhoria na tratativa, especialmente da população trans, visto o acolhimento de demandas específicas, realizadas por profissionais de saúde que manifestaram estar mais seguros no trato com a população LGBTQIAPN+, após participação nas atividades de educação continuada relatadas. Em termos técnicos, a necessidade urgente da disseminação de informações qualificadas sobre fluxos e linhas de cuidado integral à essas populações, resguardando a dignidade e respeito a pessoa humana em sua diversidade de ser, viver e amar. Por fim, a iniciativa da construção de grupos terapêuticos, envolvendo diferentes profissionais, voltado ao acolhimento e escuta humanizada de pessoas a partir do espectro da diversidade.
Grupo terapêutico, fluxos
Fábio Hidalgo Valente Bordalo, Carla Pereira Barreto