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Emergências obstétricas são condições variadas que podem comprometer a continuidade da gestação, ou seja, refere-se a situações de emergência que ocorrem durante a gravidez, parto ou pós-parto, que colocam em risco a saúde da mãe e/ou do feto. As três situações mais recorrentes em emergências obstétricas com maior incidência na mortalidade materna são: eclampsia, hemorragias pós-parto e sepse materna. Neste contexto, a Comissão Intergestores Bipartite do Estado de São Paulo através da deliberação nº 123 de 28/09/2021, organizou estratégias para fortalecer os profissionais da área de saúde para atuar de forma assertiva, ordenada e ágil o atendimento às emergências obstétricas através da Norma Técnica com orientações para Montagem das Caixas de Emergências, nas instituições com atendimento à mulheres gestantes e puérperas no âmbito do Estado de São Paulo. Com o intuito de atender a deliberação acima, bem como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável pactuados pela Organização Pan- Americana de Saúde – OPAS , Organização Mundial de Saúde – OMS, e entendendo que a maioria das mortes maternas são evitáveis e que é imprescindível dispor de meios para a redução da mortalidade durante o ciclo gravídico puerperal, o Hospital e Maternidade Amador Aguiar iniciou o processo de implantação das caixas de emergência obstétricas em novembro de 2022.
Relatar os desafios no processo de implantação das caixas de emergência e as oportunidades de melhoria com a participação ativa da equipe assistencial.
A montagem das caixas foi embasada seguindo a orientação da CIB. Como metodologias de capacitação da equipe assistencial, o setor de Educação Permanente em consenso com a Diretoria de Enfermagem utilizou de vários recursos, como treinamentos de forma convencional, (aula expositiva com apresentação de slides), visualização das caixas de emergência para reconhecimento dos materiais, confecção dos fluxos e flashs educativos, além da capacitação in loco, com rodas de conversa e discussão de estudos de caso.
Após o período inicial de treinamentos, observou-se a necessidade de mudanças nas formas de capacitação, a fim de obter maior adesão da equipe, sendo mais efetiva e produtiva no método de roda de conversa e estudo de casos. Em relação ao uso das caixas, no setor de Pronto Socorro de Ginecologia e Obstetrícia a Caixa de Síndrome Hipertensiva foi a mais utilizada e por sua vez, a Caixa de Hemorragia Pós-Parto (HPP) teve o maior índice de abertura no Centro Cirúrgico e no Centro de Parto Normal. Percebe-se uma mudança comportamental da equipe de enfermagem, para a melhoria da assistência nos casos de emergência obstétrica. A equipe também voltou a atenção para o uso mais eficaz das caixas, sugerindo a melhor forma de dimensionar os itens que a compõe e a otimização das formas de conferencia após cada uso. Assim, realizou-se aquisição de pequenos invólucros para cada medicação, folhetos com as informações de diluição e tempo de administração foram afixados nas respectivas caixas. Em contrapartida, observou-se inicialmente resistência da equipe em utilizar as caixas devido a necessidade de reposição constante. O seguimento dos fluxos para cada atendimento, bem como o preenchimento dos indicadores de utilização das caixas ainda são pontos que necessitam de intervenções para melhoria.
O Hospital e Maternidade Amador Aguiar possui atendimento especializado à gestante e puérpera e seu corpo clínico é composto por equipe multiprofissional, com ginecologistas e enfermeiros obstetras, entre outros. Assim, o processo de implantação das caixas de emergência obstétricas foi desafiador, pois mudanças de atitude e comportamento demandam um período maior de adaptação. Desde o início do processo de implantação até o momento atual, passou por várias reformulações, como reavaliação dos fluxos, organização das caixas e estratégias de treinamento compartilhadas com a equipe assistencial direta, e com isso houve uma consolidação e maior adesão do protocolo instituído. Destacamos que mesmo com todas as necessidades de adequações, a experiência da implantação e utilização das caixas foi e está sendo exitosa, pois a adoção de medidas de forma sequencial, organizada e ágil é fundamental para reduzir os danos permanentes e os óbitos materno-puerperais.
Gestação, Atividades de Capacitação, Emergência
MAYLA PEREIRA DONON, ANA CLARA DANTAS GOMES DE CASTRO, ALINE MEDEIROS MARQUES, VANESSA SANTOS, NILVÂNIA CARZOLA IECKS DOS ANJOS