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A Gestão da Atenção Básica (AB), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), sinalizou ao Núcleo de Educação Permanente em saúde (NEPS) a problemática/conflito no processo de trabalho dos Técnico de Enfermagem (TE), com relação as suas atribuições. Havia uma inadequada interpretação ou incompreensão sobre o que seria atribuição ou não destes profissionais no contexto da AB. Que por sua vez, estava gerando conflito organizacional com as chefias imediatas, além de refletir negativamente no cuidado oferecido aos usuários do SUS. Mesmo o conflito sendo algo inerente às relações de trabalho, consideramos que organizações saudáveis discutem e explicitam os conflitos em prol de soluções integrativas que satisfaçam ambas as partes.
Realizar reuniões periódicas com os TE da rede, a fim de valorizar e ouvir a categoria, promover a troca de saberes, compreender o SUS e seus princípios, promover discussão sobre a PNAB, minimizar conflitos interpessoais, diminuir ruídos de comunicação.
Realizamos as reuniões com metodologia ativa de aprendizagem. Apresentamos e discutimos o Decreto nº 94.406-87 de 30/03/1987, do COREN que dispõe sobre o Exercício da Enfermagem, em que detalha-se as atribuições como por exemplo: “Assistir ao Enfermeiro no planejamento, programação, orientação e supervisão de assistência de Enfermagem”, entre outros. Apresentamos e discutimos a Politica Nacional de Atenção Básica, a PNAB, 2017. Com detalhamento sobre as atribuições especificas dos profissionais das equipes que atuam na Atenção Básica. Sobre os Princípios do SUS, como a Universalidade do acesso, Equidade e Integralidade da assistência. Realizamos discussões setoriais ao dividir os profissionais em sete grupos para discussão das seguintes situações hipotéticas, mas bem próximas da realidade relatada pelas Chefias Imediatas: 1 – “O ACS disse que fazer VD não é sua atribuição. Ele só faz porque gosta de ajudar….”; 2 – “ Não sou obrigado a atender telefone na Unidade…”; 3 – “Os pacientes devem renovar receitas diretamente com a recepção…”; 4 – “Eu posso e faço desbridamento mecânico, é uma atribuição que me compete.”; 5 – “Eu não preciso fazer notificação compulsória…”; 6 – “Área descoberta é do enfermeiro e ACS…”; 7 – ” Não faço malote e ponto final…” As quais os mesmo deveriam trazer respostas dentro dos materiais e legislações estudadas. Realizamos estudos de caso retirado do Caderno nº28 da Atenção Básica para discutir as dimensões constitutivas do Acolhimento.
Os Técnicos de Enfermagem foram receptivos as ações esplanadas durante as reuniões, verbalizando os seus descontentamentos frente às dificuldades, reconheceram as suas atribuições e de todos da Equipe dentro do contexto de AB. Foram sensibilizados quanto ao Acolhimento, principalmente em relação a melhoria de acesso. No encerramento da ultima etapa dos encontros, utilizamos o recurso “menti.com” para descontração dos participantes, pedindo aos mesmo que definissem sua profissão em uma palavra. O resultado foi uma nuvem de palavras com destaques para: “cuidado”, “dedicação”, “empatia”, “paciência”, “respeito”, “café”, “amor”, “loucura”, “gratidão” entre outras. Pelo caráter interativo da atividade, foi possível notar que, mesmo diante das dificuldades na execução de seus trabalhos, o caráter motivador da profissão permaneceu, e a vontade de construir um SUS acolhedor e humanizado permaneceu.
Mesmo diante de falas exaustas e insatisfeitas, foi possível notar o compromisso e adminração peloe SUS, houve a compreensão de que o fortalecimento do SUS se dá com a contribuição valorosa dos seus profissionais de saúde: Engajados, otimistas e insistentes, muitas vezes. Compreender a força e a contribuição pessoal para que as coisas se desenvolvam com resolutividade é um passo de grande importância para a melhora dos serviços e realização pessoal. O SUS se sustenta com a colaboração e participação social, e cada ator se configura numa peça que move a grande engrenagem da saúde pública. E quando se mostra a seus colaboradores a sua importância, o sucesso e a satisfação são consequências. Valorizar as categoria que movem o SUS é o grande segredo.
Processo de trabalho, técnico de enfermagem
Amália Rocha Barros Vieira, Maria Olivia Pimentel Samersla, Arieli de Oliveira Pereira Souza, Jéssica Silva Castilho dos Santos Maximiano