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Com a pandemia da COVID-19, ficou claro a importância da ciência como um dos fatores a serem considerados na tomada de decisão. O saber científico permite uma análise clara e objetiva dos fatos, algo essencial à visão de um bom gestor. Contudo, vale ressaltar que a ciência não sobrepuja os demais saberes, pelo contrário, ela se soma. O conhecimento científico não é fruto só da academia, ele emerge a partir de nossas experiências diárias. Assim, estimular o raciocínio científico, como uma nova forma de avaliar nossas práticas, produz um processo constante de melhoria e inovação. A ciência não se faz sozinha, ela demanda troca. Assim, compartilhar nossas vivências é, na essência, a forma mais pura de se fazer ciência. Ao mesmo tempo que surge a COVID-19, emerge uma pandemia tão ou mais nefasta à saúde das pessoas, o negacionismo científico. Hoje defender ciência tornou mais do que necessidade, tornou-se um ato de resistência.
Estimular o raciocínio científico nos profissionais de saúde que atuam na ponta, bem como a participação desses em congressos e eventos científicos, aumentando a troca de experiência e, consequentemente, qualificando suas ações diárias.
Tendo seu embrião durante a pandemia da COVID-19, onde a Secretaria de Saúde de Jacareí (SP) passou a monitorar as bases de dados nacionais e internacionais voltadas à publicação de artigos científicos, buscado o que havia de mais recente a respeito da doença, surge, em 2023, o projeto “Ciência para todos”. Esse projeto se inicia com uma série de ações que estimulam, por meio da Educação Permanente, o uso do método científico como uma forma dos profissionais da saúde pensarem suas rotinas de trabalho. Ao mesmo tempo, a gestão passa a valorizar ainda mais os dados quantitativos no monitoramento e avaliação das suas ações. A participação dos profissionais de saúde da ponta e gestores em congressos e eventos científicos passa ser cada vez mais estimulada, por meio de uma ampla divulgação destes eventos. Cria-se também um sistema de tutoria, onde profissionais com formação acadêmica auxiliam os demais na produção de trabalhos científicos. Finalmente, em 2024, é montada uma oficina de escrita científica, capacitando os interessados a divulgarem suas experiências.
Com o projeto “Ciência para todos” houve uma conscientização dos profissionais e dos gestores sobre a importância de uma análise mais clara e objetiva de suas ações. A análise qualitativa dos resultados passou a imperar na avaliação e no monitoramento das atividades realizadas. Houve também um aumento significativo no interesse em congresso e eventos científicos, bem como no envio trabalhos para os mesmos.
Ao se incentivar o raciocínio científico, os profissionais de saúde da ponta e gestores tornaram-se mais críticos e mais propensos a repensarem o seu processo de trabalho, abrindo espaços para o surgimento de uma série de inovações e, consequentemente, tornando-se mais eficientes. Ao perceberem que o conhecimento científico não se limita à academia, pelo contrário, ele surge do enfrentamento dos desafios diários vividos por todos aqueles que se dedicam à Saúde Pública, os profissionais passaram a se sentir mais valorizados e seguros para compartilharem as suas experiências com o mundo.
Ciência, Educação, Intercâmbio do Conhecimento.
Fernando Augusto Cervantes Garcia de Sousa, Rosana Gravena