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O apoio em Humanização no Acolhimento foi uma demanda identificada pela equipe de apoio técnico da Secretaria Municipal da Saúde de Marília. Considerando que o acolhimento é uma das diretrizes da Política de Humanização, a solicitação para o apoio e o melhor entendimento do tema em questão se fez necessário. Para isso, a partir de fevereiro de 2023 ocorreram encontros de apoio entre a equipe de apoio técnico do município, Articuladora de Humanização do DRS Marília e Apoiadoras do Núcleo Gestor de Humanização da Secretaria de Estado da Saúde/SP. A percepção da equipe de apoio técnico era de que o acolhimento nas unidades de saúde era insuficiente ao ser conduzido como uma triagem para o cuidado médico centrado, podendo incorrer na demora em agendamentos, filas extensas, acesso limitado, fragilidades na produção e sustentação das equipes locais da APS, poucas ações coletivas, estando centrado em procedimentos e consultas. O cuidado, em alguns momentos, ainda é baseado na relação queixa-conduta em um modelo centrado na doença, e faz-se necessária a prática de um cuidado ampliado, integral e longitudinal, adoção de estratégias de gestão do cuidado, tendo os projetos terapêuticos singular (PTS) e familiar como ferramentas da gestão compartilhada do cuidado em saúde.
O apoio em Humanização junto com a equipe de apoio técnico do município de Marília, tem como principal objetivo ampliar o acesso e qualificar o cuidado em saúde. Favorecer maior interação entre a equipe com análise dos processos de trabalho, processos de apoio às equipes locais, planejamento compartilhado, qualificação do Acolhimento à demanda espontânea e produção de redes de cuidado. Ativação de espaços de compartilhamento e reconhecimento, propiciando maior comprometimento coletivo e criativo em defesa do SUS, com arranjos mais transversais de cuidado, superando a fragmentação temática, possibilitando ações de cuidado inovadoras em defesa da saúde no município, com ênfase em projetos intersetoriais
O processo de apoio institucional em Humanização se deu, desde fevereiro de 2023, por meio de encontros periódicos da equipe gestora/técnica da SMS Marília com a articuladora do DRS Marília e apoiadoras do Núcleo de Humanização da SES/SP, que ocorreram de forma mista, presencial e/ou virtual. Foram realizados 05 encontros de formação e reflexão sobre o Acolhimento, que culminaram na proposta de reflexão junto às equipes da atenção primária. Foram elencadas três equipes de saúde, sendo duas da Estratégia Saúde da Família e uma unidade básica de modelo tradicional. Os critérios de seleção foram: uma equipe de cada apoiadora da atenção primária, e equipes que se apresentavam em momentos diferentes, ao olhar da equipe técnica, quanto à organização do processo de gestão do cuidado em saúde a partir da demanda espontânea e organização de agendas. As equipes foram convidadas a participar desta experimentação. Em um primeiro encontro foram levantadas, por meio de um questionário, as potências de cada profissional, das equipes e territórios. O produto destes encontros foi sistematizado e alguns temas norteadores foram identificados, sendo o acolhimento à demanda espontânea e o fortalecimento das relações com os equipamentos potentes dos territórios.
Encontros de apoio e processamento com equipe de apoio técnico (Acolhimento à demanda espontânea, reuniões de equipe, ações coletivas, cuidado ampliado, inclusão da rede afetiva e familiar). Debate a partir de textos e conceitos de produção do cuidado na Atenção Primária a Saúde. Reuniões entre equipe de apoio técnico e equipes locais das unidades de saúde; Observação presencial nas unidades de saúde. Agendamento e Acolhimento à demanda espontânea com análise: das várias entradas, das discussões entre equipe, da retaguarda para os casos complexos, das ofertas de cuidado, das demandas levantadas. Sistematização do Acolhimento à demanda espontânea, agendamento pelo acompanhamento programático, pelo acolhimento, pelo território (ACS, ACE, ações no território), reunião de equipe semanal para discussão dos casos mais complexos, PTS, processo de trabalho, análise do acolhimento, gestão do cuidado, PTS, continuidade do cuidado, análise do Acolhimento: quantitativo, faixa etária, demandas iniciais, desfechos, variedade de ofertas de cuidado que ampliam o conceito de saúde-doença; espaços de produção de vidas no território (ações coletivas, grupalidades, ações no território).
É fundamental que todo o processo do apoio seja acompanhado por ações de monitoramento, entendido como um esforço institucional e realizado de forma permanente no decorrer do processo. É um processo crítico-reflexivo sobre os movimentos, práticas e efeitos das ações, um processo de negociação e pactuação entre os atores sociais. Os encontros foram pautados a partir dos princípios da Política Nacional de Humanização (inseparabilidade entre atenção e gestão; protagonismo das equipes e transversalidade) e diretrizes (gestão participativa, acolhimento, clínica ampliada, inclusão da rede afetiva e familiar, entre outras) e pela Política de Educação Permanente em sua vertente de reconhecimento do mundo do trabalho como campo relacional de aprendizagem.
Apoio, Atenção Primária a Saúde, Acolhimento
Fabiana Fernandes dos Santos, Fabiana Martins, Cristiane Costa e Silva Menegucci, Carina Rejane Fernandes Biffe, Thais de Moura Leatti, Milena Guerreiro Marini, Lariza Beraldo, Cristiane Marchiori Pereira, Cleusa Maria Gomes Abreu, Marcia Regis Rodrigues