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Trabalhar no sistema único de saúde é desafiador! O SUS na prática, consiste em operacionalizar os princípios e diretrizes em um país com mais de 200 milhões de habitantes e com especificidades regionais tão distintas. O desafio se torna ainda maior, quando falamos sobre saúde mental, ao passo que constantemente nos deparamos com situações que nos remetem a preconceito, estigma e segregação. Apesar dos avanços com a ampliação dos serviços de saúde mental substitutivos ao modelo asilar, ainda podemos encontrar a fragmentação do cuidado e segregação do sujeito, materializada na superlotação dos serviços especializados de saúde mental (caps) e a forma como esse cuidado é ofertado nos serviços de saúde. Corroborando com o exposto, a SMS de Araçatuba (200.000 habitantes), constatou que do total de 5.931 pessoas cadastradas com diagnóstico de transtorno mental ou sofrimento psíquico, 3.129 (53%) estavam em acompanhamento nos CAPS (caps ad ii, caps ij, caps ii e caps iii), enquanto 2.802 (47%) realizam seguimento exclusivamente nas ubs’s (45 esf), evidenciando a centralidade do cuidado e sobrecarga do serviço especializado. Nesse contexto, surgiu a necessidade de reorganizar a raps com a participação de gestores, profissionais de saúde e rede de apoio intersetorial. Para tanto, a educação permanente foi eleita como estratégia central para integração e qualificação dos serviços a partir da troca de saberes, experiências, valorização profissional e construção coletiva.
Geral Disparar o processo de reorganização e qualificação da Rede de Atenção Psicossocial no município de Araçatuba, fomentando a integração entre os pontos de atenção. Específicos I – Propiciar o intercâmbio de experiências municipais bem-sucedidas na temática da saúde mental; II – Dar visibilidade às práticas de saúde mental, segundo a realidade dos territórios; III – Promover um espaço para a troca de experiências e reflexões sobre a gestão e organização de serviços de saúde; IV – Estimular, fortalecer e divulgar as ações desenvolvidas pelos profissionais nos serviços de saúde mental, com vistas a qualificação do cuidado.
O Agita RAPS: “criando estratégias de cuidado em rede”, realizado no dia 17 de outubro de 2023, foi o espaço utilizado para problematização e intervenção. Anteriormente, foram realizados 6 encontros com os membros da comissão com o objetivo de definir a programação, temática das discussões, palestrantes convidados, local, número de inscritos, público alvo, convidados, entre outras definições. A programação contemplou a realização de roda de conversa com a temática “Avanços e desafios na integralidade do cuidado em saúde mental” com participação dos profissionais da atenção básica, atenção especializada, urgência e emergência e estratégias de desinstitucionalização. Ainda, como estratégia de valorização profissional e troca de saberes, o evento contou com a 1ª mostra de experiências exitosas em saúde mental, onde os profissionais tiveram a oportunidade de apresentarem experiências vivenciadas no cotidiano do trabalho e que contribuíram para melhoria na qualidade de vida dos pacientes. Foram reconhecidas 4 experiências exitosas desenvolvidas pelos profissionais, sendo “Prêmio Maria de Lourdes dos Santos” e “Prêmio Benjamin dos Santos Gonçalves” e 1 experiência exitosa desenvolvida por alunos de instituição de ensino superior, “Prêmio Carlos Alberto Venâncio”. Vale destacar que todos os prêmios levam o nome de antigos moradores das residências terapêuticas e os autores terão a oportunidade de apresentarem o trabalho no Congresso do COSEMS-SP.
A Educação Permanente através da 1ª Mostra de experiências exitosas em saúde mental, realizada durante o Agita RAPS, possibilitou a apresentação de 24 experiências exitosas. Tal espaço se demostrou como um importante lócus de discussão e participação que possibilitou a reflexão a respeito da prática de trabalho e consequente tomada de decisão, objetivando o fortalecimento do trabalho em rede, mediante a troca de saberes e experiências de cada participante. Agita RAPS na reorganização e integração dos pontos de atenção: frente as fragilidades identificadas no diagnóstico situacional, novas estratégias foram pactuadas visando o fortalecimento da atenção básica, aproximando e integrando as ações da ESF, E-multi e CAPS. Ficou definido o matriciamento como estratégia para qualificação da assistência e educação permanente, permitindo maior segurança dos profissionais frente a condutas terapêuticas e incorporação das ações de saúde mental, diminuindo a resistência e preconceito dos profissionais frente aos indivíduos com sofrimento psíquico e, dessa forma, evitando o encaminhamento desnecessário, o agravamento dos casos leves e consequente uso dos serviços de urgência e internação psiquiátrica. Nesse cenário, foi possível a ampliação da oferta das ações de saúde mental na atenção básica, qualificando e ampliando o acesso as pessoas com transtornos mentais e comportamentais, e consequentemente reduzindo os índices de internação por agravamento dos casos.
“Para navegar contra a corrente são necessárias condições raras: espírito de aventura, coragem, perseverança e paixão” – Nise da Silveira. Imbuídos desses sentimentos, aceitamos o desafio de trabalhar no sistema único de saúde e cuidar das pessoas com transtornos mentais e comportamentais. Há de se considerar que descontruir velhos conceitos e paradigmas, ampliar, implantar, integrar, qualificar e avaliar a efetividade das ações, não é tarefa fácil. Todavia, o movimento agita RAPS, utilizando recursos da educação permanente, nos ensinou que é possível promover a integralidade do cuidado a partir da reorganização e integração dos pontos de atenção, tal como previsto na portaria 3.088/2011. Da mesma forma, ficou evidente que a resolução dos problemas inerentes a fragmentação do cuidado, em algumas situações, não demanda grandes aplicações de recursos financeiros, mas sim um novo olhar para o território, carregado de espírito de aventura, coragem, perseverança e paixão.
Acesso, prática, cuidado e integração
Alessandra Maria Pedroso, André Luís Marques Nogueira, Joao Mario Cataroço, Josiane Cristina de Souza, Susan Carla Pereira Rodrigues, Paula Roberta Pedruci Leme, Carmem Silvia Guariente