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O Sistema Único de Saúde (SUS) garante acesso universal de maneira equitativa, com oferta de atenção integral à saúde, à pessoa, à família e à coletividade. De acordo com a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), regulamentada pela portaria 2.436/2017, a Atenção Primária em Saúde (APS), caracteriza-se por ser a principal porta de acesso aos serviços de saúde oferecidos pelo SUS, além de coordenar os cuidados e o fluxo dos atendimentos conforme a necessidade dos usuários. Relacionar a prática assistencial à transversalidade das questões de saúde e educação exige do conhecimento prévio sobre o que se deseja alcançar, e a quem se remete o cuidado prestado. Segundo o psicólogo canadense Albert Bandura (1977) o “aprendizado social” ocorre por duas maneiras: por consequência direta das ações vivenciadas individual ou coletivamente ou, através de ações observadas. Para que a aprendizagem de fato aconteça é necessário que a pessoa esteja interessada em aprender e deve buscar solução para um problema (real ou potencial) e, dessa forma, adquirir experiência de aprendizagem.
Relatar a experiência vivenciada por uma equipe de saúde atuante na APS, para constatar a importância da educação permanente para profissionais de saúde atuantes no programa Estratégia Saúde da Família (ESF) dentro de suas práticas assistenciais.
A proposta surgiu como a educação permanente em saúde pode contribuir para melhoria no cotidiano dos profissionais, em especial dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), que atuam diretamente no território em contato com a população. Sendo assim, buscou-se motivar a equipe através do debate de questões relacionadas a práticas cotidianas, de acordo com as características da população adscrita do território. Trata-se de um relato de experiência ocorrida entre os meses de março e agosto de 2023 na Unidade Básica de Saúde (UBS) Adilson Gomes de Sá, localizada no município de Franco da Rocha, São Paulo. As reuniões ocorreram através de encontros programados mensalmente, com duração aproximada de 60 minutos, sem comprometer o atendimento da unidade, pois a equipe era dividida em dois turnos. A equipe multiprofissional envolvida é composta por enfermeiro, médico ACS, farmacêutico e cirurgião dentista. Houve a necessidade de incluir funcionários do setor administrativo (recepção e regulação) para que a padronização das informações ocorresse de maneira constante e cíclica, totalizando 17 profissionais. O material utilizado foi elaborado pelos enfermeiros da unidade através de pesquisa na plataforma Scielo, LILACS e protocolos do Ministério da Saúde utilizando como descritores: educação permanente em saúde e atenção primária em saúde.
As reuniões demonstraram engajamento da equipe em prol do aperfeiçoamento das informações, e melhoria das orientações prestadas às demandas específicas. Os feedbacks recebidos foram importantes para avaliar a metodologia adotada. Relatos dos próprios ACS: – Após as orientações sobre os riscos de sífilis gestacional consegui compreender a importância de meu trabalho para colaborar com a prevenção! – Obrigada pela atenção remetida! Através de suas orientações consegui compreender a importância do ciclo de transmissão da dengue, e colaborar no combate ao mosquito! – Não imaginava que dependendo do tipo de desidratação a criança pudesse ser acompanhada no domicílio; pensei que era caso de UPA!
A fim de promover conhecimento faz-se necessário que a percepção das equipes de saúde sobre temas de promoção e prevenção seja ressaltada pelos gestores. À medida que se desenvolviam os encontros dúvidas eram expostas para esclarecimento, e protocolos assistenciais do município eram revisados, com intuito de associar teoria e prática. Procurou-se adotar uma linguagem simples e didática, para que todos da equipe compreendessem a essência da temática. Considerar razões que predispõem um coletivo à suscetibilidade, avaliar as condições de vida da população, propagar meios de educação em saúde de modo a conscientizar que atitudes de prevenção coletiva diminuem consideravelmente o risco individual; é sem dúvida um dos maiores desafios da humanidade.
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Mônica Aparecida de Souza, Jenyffer Karollayne de Lima Oliveira, Megue Aparecida Siqueira Chaves