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A experiência que aventuramos compartilhar partiu de reflexões provocadas nos encontros de trabalhadores da saúde, hoje ocupando cargos de gestão, conectados por interesses comuns, embora em diferentes setores, mas dispostos a gerar mudanças, atentos as situações problemas e que, a partir de relatos dos fenômenos que nascem nas equipes, que produzem conflitos e sofrimentos para Servidores, planejaram uma semana de atividades em formato de oficinas e rodas de conversa. O local de destino da experiência foi o Centro de Controle de Zoonoses, local de trabalho dos Agentes de Combate às Endemias e que enfrentavam dificuldades, principalmente nos relacionamentos interpessoais e ainda acumulavam sofrimentos pela falta de reconhecimento da importância do trabalho do setor no município, os quais na visão destes Servidores, estão a margem do Sistema Publico de Saúde e desacreditados pela população. O processo de trabalho, descrevendo de forma bastante reduzida, coloca os profissionais em ação no período da manhã, nas visitas e trabalho de competência dos agentes e o período da tarde fica reservado para tarefas burocráticas e internas, na local sede da Seção de Combate às Endemias. Diante do número crescente de ligações à Ouvidoria, apontamentos da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), surge o movimento de construção de ferramentas que pudessem oportunizar um espaço de refletir e resgatar princípios e valores para o trabalho no SUS.
O OBJETIVO GERAL da atividade que desencadeou a experiência é resgatar princípios e valores para o trabalho no SUS, possibilitar reflexões sobre os processos de trabalho e o papel profissional de cada um, a responsabilidade perante o processo, desenvolver habilidades para identificar os ruídos na comunicação, propor atitudes conscientes e colaborativas para amenizar os conflitos e promover o desenvolvimento das relações interpessoais. Além de contribuir para a prevenção do adoecimento ocupacional e promover o cuidado em saúde mental e o aperfeiçoamento do ambiente de trabalho, construindo ambientes colaborativos e solidários. OS ENCONTROS provocaram reflexões sobre os processos de trabalho, sobre os ruídos na comunicação, sobre os conflitos e suas consequências para o trabalho, sobre a retomada de objetivos comuns do setor, sobre o compromisso institucional e para quem estão trabalhando, sobre o respeito a organização SUS e responsabilidades na sua efetiva consolidação.
As atividades foram desenvolvidas em 07 encontros realizados na sede da Seção de Combate às Endemias, sendo 05 encontros diários e 02 realizados nas duas sextas feiras seguintes, tiveram duração de 02 horas. Os encontros foram divididos em três momentos. Um primeiro momento de aquecimento e integração, com dinâmica relacionada aos objetivos e apresentação das perguntas disparadoras; no segundo momento, utilizando de recursos audiovisuais, apresentamos de forma sequencial e progressiva temas e conteúdos selecionados para a construção e reconstrução de conceitos. Nesse momento, os profissionais tiveram a oportunidade de resgatar conteúdos e relacioná-los ao trabalho. O terceiro momento foi a oportunidade de registro no Caderno da Consciência, instrumento/dispositivo ofertado a todos, para que registrassem o que foi descoberto, aprendido, sentido, ressignificado ou transformado. Os encontros trouxeram como temas: SUS, a Política de Educação Permanente, as diretrizes da Política de Humanização, o trabalho, os pilares da comunicação não violenta, a assertividade na comunicação, a educação e inovação, além de perguntas disparadoras de reflexão e dinâmicas que pudessem representar concretamente o trabalho em rede, processos de trabalho em rede, a rede colaborativa e soluções para melhorar a comunicação e o relacionamentos interpessoal no trabalho.
Os resultados puderam ser visualizados e analisados através de um dos instrumentos também desenvolvido pelo grupo que organizou a atividade/experiência. Uma especie de termômetro e feedback para que pudesse ajudar a rever caminhos e estratégias. Desta forma, a experiência permitiu que os gestores e trabalhadores reconhecessem e ressignificassem muitos conceitos, inclusive sentimentos de pertencimento, propósito, ferramentas de gestão, compreensão sobre a comunicação não violenta, a educação permanente e a humanização.Após os 07 (setes) encontros, os 04 (quatro) supervisores de campo, Chefia geral de combates a endemias e o Chefe Geral do Centro de Controles de Zoonoses socializaram o resultado percebidos dos encontros e contribuíram com sugestões para ajustes das ações no dia a dia, para distensionar o ambiente de trabalho e conquistar a efetiva rede colaborativa no setor, aumentando o respeito e entendimento entre os profissionais da equipe, e desta forma produzindo um serviço para a população com mais qualidade e resultados. A implantação do Núcleo de Educação em Saúde ainda está em processo de amadurecimento pelos gestores e pelos profissionais do setor.
Desenvolver e utilizar as ferramentas e os dispositivos que a Política de Educação Permanente em Saúde e a Política de Humanização apresentam convida ao trabalho participativo e implica em garantir espaços regulares para o diálogo, para a reflexão sobre os processos de trabalho e para a construção de vínculos de trabalho solidários e corresponsáveis. Afinal, todos (gestores e profissionais) trabalham para ofertar o melhor sistema público de saúde e nesse movimento, a colaboração entres os setores é o que garante a efetivação dos princípios doutrinários do SUS: Universalidade, Integralidade, Equidade e Controle Social.
Educação Permanente em Saúde, Humanização, Gestão
Rafael do Prado Cavello