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A sepse e os quadros correlatos são causas importantes de morbidade e mortalidade em crianças em todo o mundo. A mortalidade de crianças com sepse varia de 4% a 50%, sendo maior parte atribuída ao choque séptico refratário e/ou síndrome de função de múltiplos órgãos e sistemas, quadros que se desenvolvem nas primeiras 48 a 72 horas do tratamento1. As evidências disponíveis mostram que a adesão a protocolos de tratamento reduz a variabilidade nos cuidados e melhora os resultados1. Em nosso serviço o Protocolo de Sepse Pediátrico é estabelecido para crianças de 0 meses a menores de 15 anos, tem como objetivo diagnosticar e tratar precocemente a Sepse Pediátrica, reduzir a morbimortalidade, o tempo de internação e os custos hospitalares com internações prolongadas. O Protocolo de Sepse Pediátrica é um dos protocolos gerenciados em nossa instituição, e parte importante de um dos objetivos do nosso modelo de gestão estratégica institucional, através da metodologia Balanced Scorecard (BSC). A segurança do paciente é um pilar imprescindível das nossas práticas assistenciais. Em 2021 compreendendo a maturidade institucional, e como oportunidade de melhoria dos processos assistenciais, realizamos uma mudança na avaliação dos indicadores de adesão, implantando a metodologia “tudo ou nada”, para análise dos dados dos protocolos institucionais gerenciados.
Reconhecer precocemente a sepse em pacientes pediátrica, direcionar o tratamento conforme o protocolo institucional estabelecido, minimizar a morbidade e reduzir a taxa de mortalidade.
Trata-se de um estudo descritivo, realizado entre os meses de janeiro a dezembro de 2023, nas unidades de internação pediátrica, em uma instituição de média complexidade e portas abertas, localizada no extremo Leste da Cidade de São Paulo. Os dados foram coletados utilizando o documento padronizado do Protocolo de Sepse Pediátrica e posteriormente os dados foram contabilizados conforme o preenchimento das fichas abertas. Utilizou-se estatística descritiva para análise dos dados. Na metodologia “tudo ou nada”, todos os marcadores devem ser cumpridos para que a adesão seja contabilizada. Anteriormente os marcadores eram avaliados de forma individual e a adesão era realizada a partir de uma média dos marcadores. Entendendo a importância que cada marcador possui na condução do paciente e que o não cumprimento de um deles pode significar desfecho desfavorável, a mudança foi proposta. Ainda há avaliação individual de marcadores para que seja possível atuar certeiramente nos pontos de fragilidade. Por este motivo a adesão apresentou queda importante quando comparada à 2020 o que não quer dizer piora no marcador e sim uma visão mais fidedigna do protocolo. A meta institucional estabelecida para adesão ao Protocolo de Sepse na metodologia “tudo ou nada” é de 75%.
Desde 2021 diversas ações foram realizadas para que pudéssemos alcançar os resultados atuais, dentre eles: treinamentos/capacitações, oficinas, sensibilização com depoimento de paciente sobrevivente da sepse, campanhas anuais (anexo 1), criação de uma mascote (anexo 2), elaboração e implantação de um Kit Sepse (anexo 3) para coleta de exames laboratoriais, folders explicativos, retomada do Time de Sepse com atuação da equipe multidisciplinar com inserção de profissionais do ponta, discussão dos resultados mensais, identificação dos detratores, diagnóstico situacional, mapeamentos dos processos de trabalho, instalação de leitos específicos (anexo 4) para atendimento ao Protocolo de Sepse nos Pronto Socorros, implantação de caderno de controle com monitoramento da entrega e tempos de coleta da gasometria arterial ao laboratório, Service Level Agreement (SLA) com o laboratório, inserção com análise de dados realizada pelos Gestores das áreas (figura 5), acompanhamento diário a cada abertura do Protocolo de Sepse Pediátrico pelos gestores (médicos e enfermagem). Evidenciamos que de janeiro a dezembro de 2023 tivemos um aumento de 415,47% na adesão geral do protocolo se comparado ao mesmo período de 2022.
A adesão do Protocolo de Sepse Pediátrica é um caminho desafiador, mas necessário. O manejo adequado e o diagnóstico precoce são primordial para prognósticos favoráveis. Campanhas de conscientização, com utilização de elementos lúdicos, também contribuem para a divulgação, sendo responsáveis pela grande melhora nos indicadores constatada na instituição. Adotar a metodologia “tudo ou nada” é desafiador, mas o engajamento dos profissionais foi determinante para alcançarmos os resultados apresentados. Concomitante aos indicadores da adesão ao Protocolo de Sepse trabalhamos os aspectos epidemiológicos da Sepse, nos preocupando não apenas com a adesão ao protocolo, mas com a alta segura e responsável, no entanto deixaremos para um próximo trabalho. A sepse é um importante problema de saúde pública, gerenciar esse protocolo, adotando parâmetros robustos, conhecendo os detratores, revendo estratégias, traçando planos de ações, com envolvimento efetivo desde a alta gestão, possibilita alcançar resultados satisfatórios, contribuindo com a segurança do paciente, motivo pelo qual somos impulsionados a buscar cada vez melhores resultados.
Sepse, protocolo, tratamento
Vivian Correia, Suéllen Mariane Rios Vicente