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A sepse é uma emergência médica que decorre de uma resposta imunológica a um agressor infeccioso, que pode ser gerada por bactérias, fungos e protozoários. Trata-se de um desafio para as instituições de saúde, cerca de 30 milhões de atendimentos por ano no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), com cerca de 11 milhões de óbitos1 e múltiplos casos de pacientes que apresentaram complicações importantes pós-doença. No Brasil, a mortalidade atinge cerca de 60% em casos de choque séptico, sendo um importante problema de saúde pública2. Uma das principais armas no atendimento desta patologia é o Protocolo de Sepse. A medicina baseada em protocolos e uma terapia guiada por metas são estratégias para tratar pacientes com sepse3. O Protocolo de Sepse é um dos protocolos gerenciados em nossa instituição, e parte importante de um dos objetivos do nosso modelo de gestão estratégica institucional, através da metodologia Balanced Scorecard (BSC). A segurança do paciente é um pilar imprescindível das nossas práticas assistenciais. Em 2021 compreendendo a maturidade institucional, e como oportunidade de melhoria dos processos assistenciais, realizamos uma mudança na avaliação dos indicadores de adesão, implantando a metodologia “tudo ou nada”, para análise dos dados dos protocolos institucionais gerenciados.
Reconhecer precocemente a sepse em pacientes adultos, direcionar o tratamento conforme o protocolo institucional estabelecido, minimizar a morbidade e reduzir a taxa de mortalidade.
Trata-se de um estudo descritivo, realizado entre os meses de janeiro a dezembro de 2023, nas unidades de internação adulto, em uma instituição de média complexidade e portas abertas, localizada no extremo Leste da Cidade de São Paulo. A coleta de dados foi realizada via portal da Sepse que contabiliza os dados referente ao preenchimento das fichas no sistema informatizado institucional. Utilizou-se estatística descritiva para análise dos dados. Na metodologia “tudo ou nada”, todos os marcadores devem ser cumpridos para que a adesão seja contabilizada. Anteriormente os marcadores eram avaliados de forma individual e a adesão era realizada a partir de uma média dos marcadores. Entendendo a importância que cada marcador possui na condução do paciente e que o não cumprimento de um deles pode significar desfecho desfavorável, a mudança foi proposta. Ainda há avaliação individual de marcadores para que seja possível atuar certeiramente nos pontos de fragilidade.Outra importante mudança concomitante com a nova metodologia implementada, foi a informatização do Protocolo e a partir de 2021 os protocolos abertos passaram a ser alimentados via sistema informatizado do hospital, com isso eliminamos o viés de extravio de fichas impressas para avaliação. A meta institucional estabelecida para adesão ao Protocolo de Sepse na metodologia “tudo ou nada” é de 75%.
Desde 2021 diversas ações foram realizadas para que pudéssemos alcançar os resultados atuais, dentre eles: treinamentos/capacitações, oficinas, sensibilização com depoimento de paciente sobrevivente da sepse, campanhas anuais (anexo 1), criação de uma mascote (anexo 2), elaboração e implantação de um Kit Sepse (anexo 3) para coleta de exames laboratoriais, folders explicativos, retomada do Time de Sepse com atuação da equipe multidisciplinar com inserção de profissionais do ponta, discussão dos resultados mensais, identificação dos detratores, diagnóstico situacional, mapeamentos dos processos de trabalho, instalação de leitos específicos (anexo 4) para atendimento ao Protocolo de Sepse nos Pronto Socorros, implantação de caderno de controle com monitoramento da entrega e tempos de coleta da gasometria arterial ao laboratório, Service Level Agreement (SLA) com o laboratório, inserção com análise de dados realizada pelos Gestores das áreas (figura 5), análise do perfil dos profissionais da enfermagem na Classificação de Risco, com direcionamento de enfermeiros fixos com iniciava clínica, direcionamento de um técnico de enfermagem por plantão (guardião dos Protocolos) no Pronto Socorro Adulto. Evidenciamos que de janeiro a dezembro de 2023 tivemos um aumento de 101,39% se comparado ao mesmo período de 2022, na adesão geral do Protocolo.
Devemos facilitar o acesso aos documentos necessários para abertura do Protocolo.Informatizar o mesmo, introduzindo-o ao sistema operacional do hospital é a melhor estratégia para gerar adesão. Na mesma medida em que se torna mais fácil para os colaboradores abrir o protocolo sempre que houver necessidade, também facilita a produção de indicadores e a checagem do cumprimento de metas. Campanhas de conscientização, com utilização de elementos lúdicos, também contribuem para a divulgação, sendo responsáveis pela grande melhora nos indicadores constatada na instituição. Adotar a metodologia “tudo ou nada” é desafiador, mas o engajamento dos profissionais foi determinante para alcançarmos os resultados apresentados. Concomitante aos indicadores da adesão ao Protocolo de Sepse trabalhamos os aspectos epidemiológicos da Sepse, nos preocupando não apenas com a adesão ao protocolo, mas com a alta segura e responsável, no entanto deixaremos para um próximo trabalho. A sepse é um importante problema de saúde pública, gerenciar esse protocolo, adotando parâmetros robustos, conhecendo os detratores, revendo estratégias, traçando planos de ações, com envolvimento efetivo desde a alta gestão, possibilita alcançar resultados satisfatórios.
Sepse, protocolo e tratamento
Sandra Maria Silva dos Santos, Suéllen Mariane Rios Vicente