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Com a modificação do perfil epidemiológico da morbimortalidade nas áreas metropolitanas e especialmente com o crescimento das causas externas, o atendimento de urgência ganhou mais importância e indica uma relação desproporcional entre a oferta de recursos e demanda dos usuários, ressaltando um cenário nacional e internacional de serviços de emergência “porta aberta” superlotados. No Brasil, os serviços de urgência e emergência são regidos pela Política Nacional de Atenção as Urgência e priorizam a promoção do atendimento integral e humanizado, visando diminuir índices expressivos de morbimortalidade e sequelas incapacitantes. Para minimizar os problemas causados pela superlotação dos serviços de emergência, o processo de triagem / classificação de risco foi instituído para avaliar e priorizar os doentes que necessitam de cuidados imediatos. A finalidade da classificação de risco é identificar o paciente grave entre os que procuram os serviços de urgência/emergência e proporcionar atendimento imediato. É importante que os serviços de saúde implantem a classificação de risco não com objetivo de ser um instrumento de diagnóstico de doença, e sim para organizar a fila de atendimento conforme a gravidade do usuário. Desta forma, será possível determinar a prioridade de atendimento através da estratificação de risco, ou seja, não deixando ninguém sem atendimento, mas colocando quem precisa mais em primeiro lugar.
Apresentar a implantação de um sistema informatizado para aplicação do Sistema de Triagem de Manchester por serviços de emergência 24h, Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do território administrativo da Coordenadoria Regional de Saúde Sul (CRSSUL). Garantir atendimento em tempo oportuno, de acordo com a gravidade do usuário.
O Sistema de Triagem de Manchester (STM) foi desenvolvido pelo Grupo Triagem Manchester (Group Screening Manchester) e começou a ser utilizado nos serviços de emergência do Reino Unido a partir de 1996. No Brasil este protocolo foi validado para língua portuguesa e vem sendo utilizado desde 2008. Em 2020, a Secretaria Municipal de São Paulo instituiu a classificação de risco através do protocolo de Manchester para as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) 24h. Em janeiro de 2021, oito serviços da Rede de Urgência e Emergência (RUE) com funcionamento 24h passaram a utilizar o sistema de triagem de Manchester em seus atendimentos, no ano de 2022 iniciou-se a implantação de um sistema informatizado, que possibilita que as informações de classificação realizadas em 08 Unidades de Saúde, sejam transmitidas para a Assessoria Técnica da CRSSul, com atualização sistemática durante todo o período de atendimento. Essas informações permitem o monitoramento adequado do serviço, a análise de indicadores em curto prazo e identificação de “gargalos” no atendimento, possibilitando atuação imediata, com subsídios para o planejamento estratégico do território.
A implantação do sistema permitiu observar uma diminuição abrupta no tempo de espera dos usuários classificados nos níveis 1 e 2 (Vermelho e Laranja) e um melhor direcionamento para o atendimento imediato na sala de emergência. Já, nos níveis 4 e 5 (Verde e Azul) este sistema informatizado proporcionou uma melhor comunicação com o usuário que tem uma previsão de tempo para o seu atendimento, especialmente no horários de elevado aumento na demando do serviço. Outro benefício da ferramenta é que através da identificação dos usuários com menor gravidade (Verde e Azul) é possível que a gestão dos serviços da RUE faça contato com as Unidades Básicas de Saúde / Estratégia de Saúde da Família para que seja realizada uma busca ativa deste usuário fortalecendo assim a Rede de Atenção à Saúde do território através de um fluxo ativo de referência/contrarreferência.
Destacamos que a implantação do protocolo de classificação de risco Manchester e do sistema informatizado para o monitoramento da aplicação da triagem se caracteriza como uma potente ferramenta de gestão, além de proporcionar uma melhora na organização do fluxo interno e na identificação dos agravos de usuários que utilizam os serviços da RUE 24h do território da CRSSUL.
fluxo interno, morbimortalidade, urgência
Haviley Oliveira Martins, Marília Namo de Oliveira, Katia Midori Komegae