Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
O sistema de saúde brasileiro resulta de lutas e conquistas sociais, nas quais observa-se a participação ativa dos municípios. O presente estudo visa mapear como se deu a construção desse sistema de saúde no município de Ribeirão Preto, quais foram os principais atores, marcos e desafios enfrentados, bem como busca-se caracterizar a saúde pública deste Município enquanto patrimônio histórico, científico e cultural para sua população. Para tanto, optou-se pela abordagem de inventário participativo, sendo mobilizados diferentes atores da sociedade civil. A memória é objeto de estudo de diferentes campos de conhecimento, como a psicologia, psicanálise, biologia, medicina e as ciências sociais. Os estudos sobre a memória tomam em conta alguns aspectos fundamentais, todos relevantes para trabalharmos com os inventários participativos. O inventário participativo cria oportunidade de ouvir quando trabalhamos com história oral (Alberti 2004). A memória construída com a história oral, nunca revela a totalidade das verdades. Ela é construída a partir de uma determinada perspectiva, mesmo que resulte de um conjunto de pessoas. As entrevistas de história oral têm sido cada vez mais utilizadas para produzir e registrar informações a respeito do passado, para que possam ser conhecidos, referenciados, detalhados, a partir de uma narrativa que constrói uma organização dos fatos. (Ferreira e Amado 2006)
Construção de um inventário do SUS no município de Ribeirão Preto, pois inventários participativos são instrumentos de estímulo para que os próprios grupos e comunidades locais possam, em primeira pessoa, assumir os processos de identificação, seleção, registro e promoção das referências culturais mais significativas para suas memórias e histórias sociais. Funcionam como uma expressão e exercício de igualdade entre poderes estabelecidos no seio de um território e metodologia de produção colaborativa de conhecimentos elaborados por diferentes agentes ao longo do processo de patrimonialização e/ou musealização (Viera Neto 2011).
No Brasil, esta modalidade de pesquisa demanda autorização do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, sendo recomendado detalhar o método e todos os processos nos quais os participantes do estudo serão envolvidos, este projeto já foi submetido e aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), conforme será detalhado a seguir. Tipo de estudo Esta é uma pesquisa qualitativa, descritiva e retrospectiva para resgate da memória da saúde pública no município de Ribeirão Preto seguindo a abordagem de inventário participativo. As entrevistas de história oral têm sido cada vez mais utilizadas para produzir e registrar informações a respeito do passado, para que possam ser conhecidos, referenciados, detalhados, a partir de uma narrativa que constrói uma organização dos fatos. (Ferreira e Amado 2006) Concordamos com Halbwachs (2008), quando refere que a ferramenta da oralidade irá compor um registro de memória. Em nosso município, pretendemos historiar a construção do SUS com este recurso para pensar e apresentar a trajetória pregressa, todas as etapas deste método: pesquisa do contexto; identificação dos potenciais entrevistados; elaboração de roteiros; contato com os entrevistados e agendamento para entrevistas; elaboração de documentação; realização das entrevistas; transcrição; arquivamento e devolutiva para os entrevistados.
Além das entrevistas, foram resgatados documentos relacionados à legislação, como portarias do Município, fotografias e vídeos que ilustram o resgate dessa memória da saúde. A construção de um inventário participativo, passando pela capacitação da equipe pesquisadora, do levantamento bibliográfico, da apropriação de conteúdos científicos sobre memória, e o envolvimento de vários atores como a população usuária das unidades de saúde do município, os profissionais de diferentes áreas de atuação que exercem e exerceram suas atividades nas unidades de saúde do Município, bem como autoridades, como secretários de saúde, professores de Universidades e Faculdades localizadas na cidade, enriquecem a história do SUS no município, preenchem lacunas informacionais, sob diferentes perspectivas, com seus sucessos, derrotas e desafios.
A construção do inventário participativo, envolvendo a sociedade civil e demais atores do Sistema Único de Saúde, possibilita um encontro com a história da saúde pública no Município de Ribeirão Preto, gerando conhecimentos para que a geração presente e as futuras gerações atuem no reconhecimento, na defesa e no fortalecimento de um sistema universal de saúde, como é o brasileiro. Em relação à abordagem de inventário participativo, concluímos que é uma metodologia que permite a expressão da diversidade existencial dos atores envolvidos, sendo fortemente recomendada para projetos de memória que queiram contemplar a memória coletiva e os bens culturais sociais.
Sistema de Saúde, Inventário Participativo, Brasil
Fernanda Cristina Padial, Maria Cristiane Barbosa Galvão, Adriana Mafra Brienza, Joab Jefferson da Silva Xavier, Jane Aparecida Cristina, Gustavo Jorge Zanin, Thatiane Delatorre, Gerson Turatti Caturello