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A desospitalização segura é um desafio crítico na área da saúde, abrangendo tanto a fase pré-hospitalar quanto a pós-hospitalar. Envolve a transição do cuidado médico de um ambiente hospitalar para um ambiente domiciliar, buscando a promoção da autonomia do paciente. Nesse contexto, a atenção domiciliar surge como uma solução oportuna para o tratamento, paliação, reabilitação e prevenção de agravos à saúde. Com base em estudos quantitativos, que utilizaram dados do sistema de gestão da unidade, foi possível identificar uma demanda substancial de pacientes elegíveis para o programa que ainda não estavam sendo atendidos. Isso ressaltou a oportunidade de fortalecer o relacionamento com as equipes da rede de atenção básica a fim de expandir o acesso a esse tipo de atendimento uma série de outras ações foram implementadas como resultado desse trabalho, buscando a melhoria continua e eficiência no processo.Desta forma, a atenção domiciliar tem se mostrado uma estratégia eficaz para enfrentar os desafios da desospitalização segura. Através de ações como o fortalecimento dos critérios de elegibilidade, maior integração das equipes de saúde e melhorias nos processos de captação, é possível proporcionar atendimento de qualidade aos pacientes, evitando hospitalizações prologada e contribuindo para o aprimoramento do sistema de saúde como um todo. Essas iniciativas são um exemplo de como a inovação e a colaboração podem melhorar a qualidade dos cuidados de saúde e beneficiar a população.
O objetivo do estudo está baseado nas oportunidades de regulação em rede com as ações de desospitalização precoce, mas com segurança em um hospital SUS situado na região periférica da Cidade de São Paulo e de mapeamento de processos de melhoria através da implantação do programa Melhor em Casa.
O estudo consiste no processo de desospitalização concentrado em uma região extrema da zona leste do município de São Paulo, com aproximadamente 500.000 habitantes, IBGE – 2010, além das regiões circunvizinhas. Sendo referência para 23 unidades básicas de saúde, além de 04 AMA. Hospital Geral de média complexidade, conta com 245 leitos, atendimento exclusivo SUS, administrado através de Contrato de Gestão com Município de São Paulo e que oferta as seguintes especialidades: clínica médica, pediatria, cirurgia geral, ortopedia, ginecologia e obstetrícia e psiquiatria. O programa Melhor em Casa está implantada na unidade hospitalar desde 2011 e conta com duas equipes de EMAD e uma equipe de EMAP, desospitalizando 28.245 pacientes. até dezembro/23. Elegibilidade e captações: após análise dos resultados das captações do programa na unidade hospitalar, observamos uma oportunidade referente ao quantitativo de pacientes que recebiam alta de nosso serviço, porém não estava contemplado no território de abrangência do hospital. E consequentemente não havia um direcionamento para as EMADS da região, principalmente por falta de equipe formada e/ou perfil do paciente em alta. Foram realizadas diversas etapas de alinhamento e consolidação, tais como: introduzimos a solicitação de parecer no sistema para que tanto o médico ou o enfermeiro possam solicitar a avaliação, não dependendo somente da captação ativa; Capacitação da equipe multiprofissional do Hospital, participação no huddle, etc.
Por meio da análise dos principais detratores, foi possível apurar uma oportunidade de atuação em relação as captações de EMAD Externa, ou seja, que não estava ligada diretamente a região de abrangência do Hospital, proporcionando um número maior de efetivação. Registramos um aumento de 37% no total de desospitalização no ano de 2022 em relação a 2021 dos pacientes da área de abrangência do hospital. Para os pacientes fora da abrangência apresentou um aumento de 20% no mesmo período. Diante deste resultado iniciamos as negociações com reuniões de alinhamento com as EMADs prevalentes de fora da área de abrangência e o perfil dos pacientes elegíveis considerando perfil de pacientes AD3, ou seja, de maior complexidade de assistência. Focamos em duas EMAD com maior incidência de pacientes em nossa unidade hospitalar, de posse destes dados o hospital passou a acompanhar o processo de melhoria e traçou estratégia para alcançar melhores resultados para garantir além de um atendimento humanizado e seguro a transição do paciente da alta hospitalar para sua residência. Em 2023 foi possível observar um aumento de 42,5% no número de pacientes captados para EMAD Externa.
As ações trouxeram impactos positivos na desospitalização dos pacientes internados, melhorando as captações do MEC e das EMAD externas. Há ainda oportunidades para atuar na qualidade das solicitações de interconsultas para que tragam clareza nas informações, garantindo a desospitalização segura do paciente, bem como garantir o fluxo das captações. Importante também manter as captações ativas nos setores e participação do MEC nas visitas multidisciplinares. A participação do MEC na internalização, garante a disseminação do programa para os novos colaboradores da Instituição, sendo imprescindível para sua continuidade. Acompanhamento das ações iniciadas, bem como o acompanhamento dos resultados através dos indicadores é extremamente importante para garantir um resultado sustentável e avaliarmos novas ações pertinentes dentro do processo. Explorar oportunidades de melhorias através do uso de tecnologia, utilizando de base o sistema de gestão informatizado, será o próximo desafio a ser desenvolvido, com implantação de parâmetros de alerta e sinalizações de pacientes que possam ser beneficiados através do programa.
Desopitalização e Eficiência Hospitalar.
SELMA ANDREA BOSSOLANI VILLARDO, FRANCIMAR FELIPA DA SILVA COSTA, NATALIA COUTINHO DA COSTA DIAS, PAULO ROBERTO DA SILVA ZUCOLOTO