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A crescente demanda por cirurgias e especialidades ortopédicas no município de Campo Limpo Paulista resultou em uma lista de espera significativa, com mais de 1200 pacientes na fila de espera aguardando consulta com as mais diversas especialidades ortopédicas – ombro e cotovelo, joelho, quadril, coluna, mão e tornozelo e pé – alguns já com indicação de avaliação técnico cirúrgica. Diante deste cenário, o Dr. João Vital, ortopedista, em colaboração com o setor de regulação da Secretaria de Saúde, identificou a necessidade de uma abordagem inovadora para lidar com essa espera e promover a qualidade de vida dos pacientes. Surge assim o Projeto de Intervenção e Manejo da dor dos pacientes que aguardavam uma consulta com alguma subespecialidade ortopédica, focado na abordagem ambulatorial e com procedimentos minimamente invasivos para pacientes com dor crônica.
1- Identificar pacientes crônicos elegíveis para intervenções ambulatoriais. 2- Oferecer orientações sobre modificação do estilo de vida, autogerenciamento no cuidado da dor e, quando necessário, procedimentos minimamente invasivos no controle da dor. Além de encaminhamentos necessários, tais como atividade física, fisioterapia, natação e pilates – atividades presentes nos equipamentos públicos do município. 3- Reduzir significativamente a lista de espera para consulta com subespecialidades ortopédicas de pacientes com possibilidade de tratamento utilizando a equipe multiprofissional do município.
A metodologia consiste em uma análise detalhada da lista de espera, a implantação do projeto foi baseada em uma análise detalhada de 1200 prontuários identificando pacientes crônicos aptos a receberem intervenções ambulatoriais. Os pacientes selecionados são agendados para atendimentos com o ortopedista no Ambulatório Central, realizando uma triagem e anamnese detalhada do quadro clínico do paciente com objetivo de diagnosticar a origem problema. Após identificação do problema é analisado quais pacientes estão aptos a continuarem com o tratamento ambulatorial através dos serviços ofertados pela secretaria de saúde e secretaria de esportes sem a necessidade de intervenção cirúrgica. Já na primeira consulta, estes pacientes recebem orientações sobre hábitos de vida saudáveis, realização de procedimentos específicos, e encaminhamentos a profissionais como nutricionistas, educador físico e terapias integrativas complementares disponíveis pelo SUS. Os pacientes contra referenciados são regularmente acompanhados pelo ambulatório de ortopedia.
Desde julho de 2023, o projeto tem proporcionado atendimento a 586 pacientes, que estavam na lista de espera. Os resultados preliminares indicam melhorias significativas na função e qualidade de vida dos participantes. A abordagem ambulatorial focada no autogerenciamento do tratamento do paciente, focado na reeducação alimentar e prática e atividade física demonstra ser uma alternativa eficaz, substituindo a espera passiva por tratamento com subespecialista. Dos 586 pacientes atendidos, 93,18% foram retirados da fila de espera, com alta de procedimentos cirúrgicos e continuando em tratamento ambulatorial. Esse êxito destaca a eficácia da abordagem ambulatorial centrada no paciente, evidenciando a capacidade de oferecer soluções de cuidados contínuos e personalizados. Esses pacientes foram encaminhados para atividades esportiva, fortalecendo a ênfase do projeto na integralidade dos cuidados. Este encaminhamento sinaliza a importância da atividade física e reforça a visão holística do tratamento da dor crônica, incorporando estratégias diversificadas para melhorar a qualidade de vida. Dos 586 atendidos, apenas 40 pacientes (ou 6,82%) retornaram para a fila de cirurgia.
A iniciativa do ambulatório de ortopedia focado em prática integrativas e autogerenciamento da dor veio para qualificar a fila de cirurgias ortopédicas que estavam com grande quantidade de pacientes (situação agravada pós pandemia) e sobrecarregando a demanda de regulação, o que consequentemente resultaria em anos de espera para todos os pacientes. O projeto demonstra uma abordagem inovadora para lidar com a lista de espera para cirurgias ortopédicas, com resultados positivos observados nos pacientes atendidos até o momento. A continuidade e aprimoramento dessa iniciativa são essenciais para otimizar o acesso aos serviços de saúde e melhorar ainda mais a qualidade de vida desses pacientes. Uma expansão da experiência com a criação de um Grupo Multiprofissional de Dor Crônica, envolvendo diferentes profissionais: médicos de diversas especialidades, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, educador físico, assistente social e psicólogos é uma alternativa viável e de baixo custo para requalificar uma a fila de espera para diferentes especialidades.
regulação, fila de espera
Roberto da Trindade Menezes, Paula da Silva Monteiro, João Vital Arhur Maradona Oliveira Dias