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A experiência que vamos relatar ocorreu no municipio da Estância Turística de Eldorado/SP, cidade com quinze mil habitantes, terra de quilombos, indígenas e ribeirinhos. Ao iniciar o ano de 2023 a equipe se reuniu para pensar e planejar as ações ou oficinas para o público atendido no CAPS. Foram levantadas várias alternativas, pintura, música, atividades esportivas, porém seriam oficinas dentro do CAPS, queríamos algo diferente, inovador. Algo que atendesse ao propósito da reforma psiquiátrica de não reproduzir o isolamento desse público dentro do CAPS. Daí surgiu a ideia, ou melhor a proposta de atividades extramuros, de realizarmos ações ao ar livre em que os usuários fizessem parte e fossem acolhidos nos circuitos da cidade. A proposta foi apresentada para o público atendido na unidade, realizamos momentos de diálogo para juntos planejarmos as ações do ano de 2023, dentre as atividades colocamos a proposta da ação extramuros, explicamos as opções de passeios e ouvimos quais as atividades que gostariam de realizar, vimos como é importante dar vozes para aqueles a quem o serviço é destinado. Sendo assim, a proposta da ação extramuros foi aceita pela equipe do CAPS e pelo público atendido na unidade, ação essa que trouxe uma nova motivação para equipe, levando a reflexão das ações desenvolvidas de qual a real proposta do trabalho do CAPS. O CAPS abrindo suas portas e realmente inserindo o público da saúde mental no território.
Mostrar que é possível um olhar ampliado sobre os portadores de sofrimento psíquico com base na reforma psiquiátrica e na política nacional de saúde mental. Desenvolvendo práticas inclusivas extramuros, reintegrando os usuários do CAPS ao convívio social e à sociedade.
Os locais de passeio foram definidos juntamente com o público atendido. Cada ação extramuro teve um objetivo, um processo de reflexão e aprendizagem. A solicitação do passeio no Quilombo do Ivaporunduva veio por parte de uma usuária que nos relatou que cresceu e passou toda sua infância e adolescência no quilombo, depois que se casou veio morar em na zona urbana de Eldorado, seu filho de 9 anos não conhecia o quilombo. O CAPS de Iguape abriu suas portas para nos acolher, através dessa parceria fomos passear na cidade histórica de Iguape, conhecer seus pontos turísticos. Juntamente com o público atendido pelo CAPS de Iguape e nosso público fomos passear no município litorâneo de Ilha Comprida, momento esse único. Em outro momento recebemos o grupo de Iguape em Eldorado, levamos os usuários do serviço para um passeio na Caverna do Diabo, um ponto turístico de nossa cidade, após o passeio fomos almoçar em um restaurante, momento esse que nos contagiou onde todos foram recepcionado pelos garçons sendo conduzidos para suas mesas, e recebendo seus cardápios, teve um usuário que relatou que fazia tempo que não comia bife com batata frita. No mês de Maio realizamos uma ação extramuro intersetorial, em conjunto com a equipe do Departamento Social. Algo que nos chamou a atenção foi que conseguimos unir duas ações no 18 de maio, o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes e o Dia Nacional da Luta Antimanicomial.
As atividades extramuros foram momentos de aprendizagem, onde a equipe do CAPS propôs um novo olhar para o atendimento dos usuários, onde apredemos que os atendimentos podem ir além dos muros do CAPS. A proposta da ação teve como um dos objetivos a reinserção social dos portadores de sofrimento psíquico, devolvendo-lhes o convívio com seus pares, familiares e demais membros da sociedade, bem como a ocupação cidadã dos espaços sociais. A descoberta de cada usuário em pisar na areia da praia pela primeira vez, descoberta da grandiosidade do mar, da água salgada, da areia fininha, “tia estou adorando o passeio”, “tia a água é salgada”, “ não imaginava que o mar era tão grande”. Momentos de descobertas de juntos vivenciarmos a reinserção social. Ao chegar no restaurante para almoçar, onde cada um dos usuários foram recepcionados pelos garçons e direcionados em suas mesas, todos tratados como cidadãos, ocupando seus espaços de direito. Nesses passeios observamos que cada usuário estavam respirando e vivendo sem a sombra de um diagnostico, eram apenas cidadãos vivendo e tendo seus direitos respeitado como deve ser. Em conjunto com o Departamento Social conseguimos unir duas ações do 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes e o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Levamos cartazes e demos vozes ao nossos usuários, subimos no palco cantamos, falamos manicômios nunca mais.
A vivência da ação extramuros proporcinou para equipe do CAPS um momento único de aprendizagem, onde pudemos vivenciar a experiência das ações realizadas ao ar livre, onde aprendemos que não precisamos ficar presos apenas dentro do CAPS. Os atendimentos são importantes, as oficinas também, porém precisamos ir além dos muros, além dos consultórios. Mais fica um reflexão qual modelo de CAPS estamos estruturando, serão pequenos modelos asilares, estamos incluindo ou excluindo? Uma usuária nos falou “por quê demoraram tanto para fazerem os passeios conosco?” Por mais ações extramuros.
extramuro, reinserção social, saúde mental,
DAYANE APARECIDA DE MORAES, Simone Mendes da Silva Linsenmayer, Rafaela das Neves Fernandes, Andre Luiz Lopes, Gustavo de Oliveira Bonifácio, Maria Aparecida Pereira Martins, Isaura Cunha Silva dos Santos, Dilneia Mendes