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Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que, a cada ano, mais de 700.000 pessoas cometem suicídio, sendo que para cada pessoa que conseguiu tirar sua própria vida, estima-se que cerca de 25 outras tentativas existiram, tornando o assunto um importante problema de saúde pública mundial. Em São Bernardo do Campo, os registros tanto do Sistema de Informação de Agravos de Notificação – SINAN, como do Sistema de Informação sobre Mortalidade – SIM, mostram curva crescente de casos, com aumento de 809 tentativas, e 43 mortes por suicídio em 2020, para 1208 tentativas e 48 casos em 2022. A identificação precoce de pessoas em risco, bem como adequado manejo, acesso a tratamento e acompanhamento, fazem parte das propostas pela OMS para a prevenção e controle do problema. Dados da Associação Brasileira de Psiquiatria apontam que, embora grande parte das pessoas que tentam suicídio busquem atendimento de um profissional de saúde, frequentemente o mesmo não é da área de saúde mental, tornando fundamental que as informações sobre o tema sejam de conhecimento da rede de saúde como um todo. Deste modo, cria-se o desafio de como capacitar toda uma rede, ou ao menos a maior parte dela, sem interromper o funcionamento das unidades ou gerar altos custos com programas formativos.
Objetivo geral: Capacitar a maioria dos profissionais das equipes de saúde de São Bernardo do Campo nas questões relacionadas à identificação, avaliação de risco, manejo e fluxos estabelecidos para atendimento dos casos de ideação e tentativa de suicídio. Objetivos específicos: • Qualificar o cuidado à população em risco de suicídio, em especial nos serviços porta de entrada da rede de saúde, de modo a garantir o melhor atendimento em situações de risco. • Criar recurso de fácil acesso às informações sobre o tema • Melhorar a comunicação e parceria entre as equipes da Atenção Básica e Saúde Mental
Inicialmente foi criado um grupo de trabalho com colaboradores da Divisão de Saúde Mental, sendo que os participantes se voluntariaram para participar do projeto pelo interesse na temática e em processos formativos, e faziam parte do grupo de funcionários dos CAPSs e da Coordenação. Foi realizada, então, reunião do grupo com representantes do Departamento de Atenção Básica e equipe da Educação Permanente, na qual foi exposto o projeto. Optou-se por realizar a parte presencial da ação nas 34 UBSs, por tratar-se da porta de entrada da rede de saúde, sendo portanto espaço com grande probabilidade de receber pessoas com relatos de ideação suicida, além de maior possibilidade de identificação de fatores e comportamentos de risco na população em geral, através da estratégia de Saúde da Família. Após pactuado com o DAB, e em posse de cronograma de reuniões de equipes gerais das unidades básicas de saúde, a equipe da Saúde Mental foi dividida em 10 duplas, que, ao longo dos meses de setembro e outubro estiveram presentes nas reuniões de equipe das UBSs. Num segundo momento, a capacitação será, ainda, gravada, de modo que fique disponível para acesso de todos os profissionais da rede pela plataforma da Escola de Saúde, possibilitando que qualquer profissional com interesse no tema conheça os métodos adequados de acolhimento, manejo e intervenção em casos de ideação/tentativa de suicídio, e ampliando o acesso à capacitação a todos os profissionais vinculados à Secretaria de Saúde.
Entre setembro e dezembro todas as 34 UBSs, e a equipe do Consultório na Rua, receberam a capacitação em suas reuniões de equipe, com participação de mais de 900 profissionais. Percebeu-se maior participação, nas discussões, dos indivíduos com grande contato com a população em geral – como as ACS e profissionais da enfermagem – possibilitando o esclarecimento de dúvidas, mas também a exposição e acolhimento das angústias que a temática desperta. Em forms de avaliação, houve aprovação significativa da capacitação, com 95,4% dos respondentes concordando com a relevância do tema para a atenção básica, 91,6% concordando terem melhor conhecimento dos fluxos de atendimento, e 89,9% afirmando sentirem-se, em algum grau, mais seguros para realização de atendimento à esta população Por último, a capacitação fez parte, de forma presencial, da programação de cursos da 6ª Mostra Municipal de Experiências Exitosas do Município de São Bernardo do Campo, sendo aberta à participação de qualquer profissional da RAS do munícipio.
Os problemas de saúde mental são multifatoriais, e fortemente sujeitos ao impacto de questões ambientais e dos sociais vividos por nossa comunidade. Portanto, a prevenção de grande parte dos agravos em saúde mental passa por áreas não afetas às Secretarias de Saúde, como às relacionadas à garantias de direitos sociais como educação, moradia, trabalho e renda, estrutura e suporte familiar, segurança alimentar e física, entre outros. Se nem tudo está em nossas mãos, porém, é inegável que muito pode ser feito para que, uma vez que os agravos se façam presentes, seja possível garantir um cuidado efetivo, tratamento adequado e ações de saúde que possam diminuir sofrimentos e amparar pacientes e familiares, na busca de evitar que a perda de vidas seja o resultado do adoecimento psíquico. Este, porém, é um trabalho que só é efetivo quando realizado dentro da potência que existe nas interlocuções das redes de saúde
Suicídio
Renata Peixoto Gonçalves