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O serviço de Residência Terapêutica foi criado no Município em 07/2022 em virtude de uma necessidade de desospitalização de municipes que estavam internados em leitos de hospitais psiquiátricos por longos periodos. A SRT é administrada por empresa terceirizada contratada por processo licitatório e supervisionada pela equipe de Saúde Mental. O perfil traçado para o manejo da residência é de tratamento humanizado com foco no resgate de identidade e fortalecimento de vínculos, seja na convivência entre os moradores ou na reaproximação com seus familiares. A implantação do serviço foi realizada junto com a empresa terceirizada um trabalho de aproximação e diálogo com as instituições das quais os pacientes estavam internados. Nesse diálogo buscou-se reconhecer seus gostos pessoais, interesses individuais, suas habilidades sociais assim como foi feito um preparo prévio da equipe com treinamento e do local que receberia estes moradores, como a escolha da casa e seus móveis, para tornar esse novo local de moradia um espaço coletivo que respeita também as individualidades de seus moradores. Todo manejo de implantação do serviço da SRT foi construído com foco para promover o estímulo do processo de reconstrução de identidade singular dos moradores. Segundo De Matos(2010) a Residência Terapêutica tem primordialmente o objetivo de reconstituir o direito de moradia das pessoas egressas de hospitais psiquiátricos ou não, e de auxiliar o processo de resgate da autonomia e reinserção social
Apresentar os resultados obtidos através da implantação do serviço de residência terapêutica no município de Pindamonhangaba com foco na reconstrução de identidade.
O estudo foi realizado a partir da observação, entrevista e aplicação de questionário desde a chegada dos moradores na residência até os dias atuais. Para identificar o que promove a construção de identidade dos moradores da srt, foi realizado uma observação sistematizada com foco no comportamento dos moradores durante sua rotina diária, no diálogo entre os moradores e equipe profissional e também foi aplicado um questionário para identificar como os pacientes se sentem em relação ao novo modelo de residência.
Foi possível observar nos pacientes durante o processo de transferência para o serviço de residência terapêutica, o desejo de retornar a morar em uma casa, onde pudessem ter a liberdade de expressar seus interesses e conviver em um espaço que explorasse suas habilidades e também o estímulo da autonomia de cada um dentro dos limites individuais. A resposta imediata ao serem indagados sobre morar na srt foi sim, todos demonstraram o desejo logo de início. No convívio com os profissionais e com os outros moradores observou-se a satisfação expressada por meio dos diálogos com a própria equipe e durante a participação nas atividades do CAPS do município. Outro resultado alcançado foi por meio das respostas coletadas no questionário aplicado em alguns dos moradores da SRT. As respostas foram positivas em relação ao que consideram sobre o fato de morar na residência terapêutica. Quando questionados sobre como estava sendo a experiência de morar na residência terapêutica, obtivemos respostas como: “Maravilhoso…. um sonho Graças a Deus. Agora tenho uma nova família, tenho segurança, conforto, comida gostosa, posso sair para passear…. é muito valioso para mim. (Olhos com lagrimas). Parece que estou me banhando nas aguas, muito bom”. “Está sendo ótimo, a casa é muito boa, eu não sou agredida aqui, os moradores são inofensivos. Posso sair, ir ao banco resolver minhas coisas, posso ter amigos, posso ter celular. Tenho a possibilidade de rever minha filha”.
É possível considerar que o processo de reconstrução de identidade é singular e no caso dos pacientes moradores da residência terapêutica, o processo está associado também ao estímulo à autonomia e o propósito real que preconiza as portarias do ministério da saúde em Serviços de residência terapêutica, no que diz respeito à reinserção social dos indivíduos. Com a observação e a coleta de dados durante a aplicação do questionário podemos considerar que os pacientes estão inseridos neste contexto humanizado e que correspondem ao processo de reconhecimento de si, de identificar quais são seus valores e que caminhos desejam seguir pela vida.
RESIDENCIA, TERAPEUTICA, SAÚDE
Caroline Alves Rosolem, Jardel Narezi