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O relato expõe as intervenções propostas em Caps Álcool e Drogas II como estratégias de reduzir os prejuízos causados pelo uso abusivo de substâncias psicoativas em contexto de vulnerabilidade social e tem como motivação o desejo de compartilhar a possibilidade de cuidado e redução de danos para além do olhar reduzido a problemática do uso de substância e a conduta medicamentosa, possibilitando o exercício de uma clínica ampliada direcionada a saúde mental. De acordo com Amaral e Campos (2007) na clínica ampliada a terapêutica não se restringe somente a fármacos e à cirurgia, considerando outros recursos como a valorização do poder terapêutico da escuta, da palavra e do apoio psicossocial.
Elucidar as contribuições do farmacêutico no cuidado proposto por equipe multidisciplinar além das suas especificidades
W.R., 29 anos, masculino, branco. Buscou acolhimento no CAPS AD com histórico de acompanhamento no serviço na adolescência, passando a ser atendido diariamente por equipe multidisciplinar. Inicialmente, W.R apresentava poliqueixoso, com comportamentos violentos com equipe e exigindo resoluções imediatas para suas demandas. Após acompanhamento e percepção dos comportamentos do usuário e da dificuldade de vinculação, foi utilizada intervenção do farmacêutico através do cuidado medicamentoso como estratégia de aproximação. A busca pela medicação aproximou o profissional do usuário, passando a ser sua referência técnica. Através da vinculação, foi possível construção de projeto terapêutico singular (PTS), priorizando reaproximação do filho, obtenção de trabalho/renda, moradia e regularização de sua situação judicial. W.R. demonstrava preocupação com pendências judiciais como prioridade. O farmacêutico acompanhou W.R. em atendimentos na Defensória Pública e a partir da regularização, foi possível investir em outros eixos como sofrimento pelo afastamento do filho. Foram realizados contatos com genitora da criança para mediação da reaproximação. Durante esse período, W.R. teve acesso a outros eixos do seu PTS como a entrada no mercado de trabalho e inserção na Unidade de Acolhimento. Com acesso à renda e moradia, mesmo em uso intenso de múltiplas substâncias W.R. considerou a possibilidade de retomada de visitas ao filho. A visita foi acompanhada pelos técnicos de referência
W.R. se mantém em trabalho formal, desenvolveu suas habilidades sociais e relações interpessoais, segue em construção da aproximação do núcleo familiar, apresenta adesão e compreensão do seu acompanhamento no CAPS. Contudo não houve percepção da diminuição do uso de substância. Por meio da compreensão das necessidades do usuário, foi possível o fortalecimento do vínculo e a construção do seu projeto terapêutico com olhar para além do uso de substâncias
Com esse relato, nota-se a que a participação do farmacêutico pode ir além das especificidades da profissão no que tange o cuidado em saúde mental. Podendo contribuir ativamente nos projetos de vida dos usuários atendidos pelo CAPS, com foco na vinculação e nas necessidades do indivíduo. Vale salientar que, o êxito desta experiência independe da diminuição ou suspensão do uso de substâncias.
SAUDE, MENTAL
Eder Rosa de Andrade